Semana de Moda Masculina de Paris: Issey Miyake valoriza o frescor do bambu


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In Praise of Bamboo Shadows une alta tecnologia têxtil, alfaiataria fluida e tradição japonesa

A poesia do bambu na IM Men

Enquanto a semana de moda masculina em Paris se transformava em um teste de resistência física sob um calor sufocante, o trio de designers por trás da IM Men — Nobutaka Kobayashi, Sen Kawahara e Yuki Itakura — transformou o centro cultural Césure em um oásis de serenidade.

Inspirada na herança poética e estética do bambu, a coleção In Praise of Bamboo Shadows (em louvor às sombras do bambu) ofereceu não apenas moda conceitual, mas um verdadeiro manual de sobrevivência urbana com graça, leveza e sofisticação.

Tradição literária e o espírito do bambu

A espinha dorsal da coleção foi o poema do erudito chinês Su Shi (Dinastia Song) que evoca o bambu como um elemento essencial para a paz de espírito. Essa filosofia foi cruzada com o clássico ensaio de 1933 de Jun’ichiro Tanizaki sobre a estética japonesa e as fotografias icônicas de Irving Penn para as criações históricas do próprio Issey Miyake.

O cenário materializou essa pesquisa: sobre um vasto tapete branco, varas de bambu erguiam-se até o teto, enquanto telas de papel translúcido na entrada revelavam as silhuetas dos modelos em projeções de sombras antes de cruzarem a passarela.

Cores e materiais: alta tecnologia têxtil

Como é tradição na grife, a inovação têxtil comandada por Kobayashi foi o grande destaque. O próprio bambu deixou de ser apenas tema e virou matéria-prima, com peças tecidas a partir de um fio com mistura de bambu.

  • Abertura gráfica: Looks iniciais em tons de preto e branco, com casacos descoloridos e estampados com sombras ampliadas de bambu, além de conjuntos em jeans tingidos à mão que imitavam as gradações de uma pintura em lavagem de tinta (ink wash).
  • Transição orgânica: Uma paleta natural que evoluiu para o verde-floresta, tons refrescantes de verde eau de nil (água do Nilo), marrom-chocolate e toques finais vibrantes de rosa-pétala e azul-da-noite.
  • Silhuetas e texturas: Calças balonê em jacquard, ternos casulo que se amarravam à cintura como quimonos e calças palazzo amplas e esvoaçantes.
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| Paleta Inicial & Gráfica          | Evolução Natural & Lúdica         |
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| Preto e Branco (Sombras)          | Verde-Floresta e Eau de Nil       |
| Tons de tinta guache e nanquim    | Marrom-Chocolate                  |
| Jeans desbotado à mão             | Rosa-Pétala e Azul-da-Noite       |
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Trilha sonora e atmosfera

O desfile utilizou o minimalismo e o jogo de luzes para ditar o ritmo. O som ambiente e os passos no tapete branco ecoavam no espaço Césure pontuados pela delicadeza visual das sombras nas telas de papel. A atmosfera era de um recolhimento quase místico, que contrastava diretamente com o clima abafado e frenético do lado de fora.

Nos pés, o utilitarismo elegante se fez presente com o modelo Sortie Veiled (da linha Issey Miyake Foot), um tênis minimalista inspirado nos calçados de maratona da ASICS dos anos 1980.

O pragmatismo

O grande trunfo do trio Kobayashi, Kawahara e Itakura nesta temporada foi a habilidade de entregar roupas de passarela altamente conceituais que, ao mesmo tempo, resolvem problemas reais. No calor opressivo de Paris, as silhuetas volumosas, arejadas e fluidas da IM Men surgiram como uma proposta genuína de conforto. São peças com peso de alta moda, mas que mantêm o espírito da indumentária utilitária: fáceis de vestir, que não exigem esforço.

O desfile encerrou com uma belíssima homenagem narrativa à Princesa Kaguya (o conto folclórico mais antigo do Japão, sobre a bebê encontrada dentro de um tronco de bambu). Os casacos amplos em verde vivo, rosa-pétala e a túnica azul-da-noite com bordados dourados de bambu trouxeram o escapismo romântico e o refinamento artesanal que a moda masculina muitas vezes carece.

A IM Men consolidou-se como o grande “sucesso silencioso” (sleeper hit) do calendário de Paris. Onde outros buscam o choque visual pelo excesso de informação, a marca triunfa pela precisão técnica, pelo respeito à matéria-prima e por oferecer roupas inesperadas que abraçam o corpo com leveza e dignidade.

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