Prada – Verão 2027 – coleção masculina


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Confira o que Raf Simons e Miuccia Prada criaram para a próxima estação

Em um cenário saturado por excessos visuais e roupas feitas exclusivamente para viralizar em eventos de gala, Miuccia Prada e Raf Simons decidiram dar um passo atrás para olhar adiante. O desfile masculino de Primavera/Verão 2027 da Prada, apresentado sobre o chão de acrílico iluminado por halogênio da Fondazione Prada, foi um manifesto de “ruptura”. Em vez de ditar tendências extravagantes, a dupla de diretores criativos entregou uma coleção que desafia o público a redescobrir o poder da individualidade através das peças mais democráticas e históricas do guarda-roupa humano.

A Inspiração: O Paradoxo do Jeans e o “Anti-Design”

O ponto de partida da coleção foi, surpreendentemente, uma peça que os próprios estilistas revelaram ter evitado por décadas. 

Eu nunca usei jeans na vida

confessou Miuccia Prada antes do show, enquanto Raf Simons admitiu não usar a peça há cerca de 20 anos, tendo começado a adotá-la novamente há pouco tempo.

Essa confissão pessoal ditou o tom da coleção. O objetivo de Simons e Miuccia foi pegar peças clássicas — roupas que duram para sempre na história e que as pessoas sempre desejam — e repensá-las. A motivação veio de um sentimento instintivo de rejeição ao estado atual da moda de passarela, que se distanciou totalmente das ruas.

Foi um desfile guiado pelo que os estilistas não queriam. Miuccia foi categórica: 

Não há nada que eu odeie mais neste período do que o design inútil. Isso é a minha obsessão atual

Para ela, a moda decorativa sem propósito ou significado perdeu o sentido.

Cores Predominantes

Subvertendo a lógica do clássico jeans índigo, a Prada eliminou o azul tradicional da passarela. A cartela de cores da coleção foi uma surpresa vibrante e sofisticada, trazendo tons de:

  • Rosa, Berry (frutas vermelhas) e Amarelo.
  • Marrom e Branco brilhante (este último quase tão radiante quanto a iluminação do próprio desfile).
  • Além das cores sólidas surgiram calças estampadas com padrões geométricos repetitivos que remetem à arquitetura de Gio Ponti — uma assinatura clássica e muito artística da identidade Prada.

Tecidos e Modelagem: A Estrutura Revelada

A modelagem principal girou em torno do molde clássico de cinco bolsos e rebites (o icônico template da Levi’s de 1873). No entanto, a genialidade da coleção esteve na escolha dos tecidos e na desconstrução desse arquétipo:

  • A Silhueta: As calças seguiram uma modelagem reta, seca e ajustada — o corte clássico “rocker/skinny” que é a marca registrada de Raf Simons.
  • Subversão Têxtil: Esse mesmo corte de cinco bolsos foi confeccionado em alfaiataria tradicional, como o xadrez Prince of Wales (Príncipe de Gales) e o houndstooth (pied-de-poule), além de versões em couro envelhecido.
  • O Grande Destaque: O ápice do desfile foram as peças cortadas em organza de nylon translúcida. Combinadas com jaquetas que seguiam a silhueta clássica de jaqueta jeans (Type III), a transparência do tecido permitia enxergar toda a estrutura arquitetônica interna da roupa — uma referência quase industrial ao Centro Pompidou, em Paris.

Detalhes, Acessórios e o Retorno Feminino

A desconstrução da indumentária clássica da Prada também esteve nos detalhes. Casacos com gola Peter Pan e os tradicionais coletes de tricô estampado foram recontextualizados. Os suéteres de gola V, peças fundamentais do guarda-roupa intelectual da marca, foram tensionados até que o decote afundasse quase na altura do umbigo.

Nos acessórios, óculos de sol assimétricos traduziam a metáfora de “olhar para o cotidiano de forma diferente”. Cintos de couro largos e desgastados dividiam espaço com bolsas encolhidas, presas diretamente nos passadores de cinto, transmitindo uma atitude livre e descompromissada. Para reforçar que o conceito de individualidade vai além do gênero, o desfile masculino contou também com modelos mulheres na passarela, algo que não acontecia de forma tão integrada na marca desde 2019.

Conclusão: Da Passarela para as Ruas

O desfile de Verão 2027 da Prada foi um convite para que o espectador seja o seu próprio estilista. Ao criar roupas comuns com tecidos extraordinários, Miuccia Prada e Raf Simons deixaram claro que a verdadeira força da moda hoje não vem das imposições das marcas de luxo em eventos explosivos, mas sim de como os indivíduos pensam, combinam e reinterpretam essas peças no asfalto. É uma coleção feita para a vida real, desprovida de artifícios inúteis.

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