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Fyre Festival em dois documentários

Bitsmag

Evento de luxo nas Bahamas se tornou um horror caribenho por conta de fraude dos organizadores

Esta semana foram lançados em serviços de streaming dois documentários diferentes sobre o mesmo assunto. Um dos filmes pode ser visto no Brasil, na Netflix, o outro, Fyre Fraud, foi lançado na plataforma Hulu que não pode ser acessada no país. O doc lançado na Netflix, Fyre: The Greatest Party That Never Happened, foi produzido pela empresa de marketing digital Fuck Jerry, principalmente conhecida por produção de memes e venda de posts de influenciadores. A empresa prestou serviços ao organizador geral do evento, Billy McFarland e foi responsável por toda campanha de mídias sociais do evento.

O Fyre Festival foi um festival de música altamente divulgado em 2017, agendado para acontecer durante dois fins de semana, em abril e maio daquele ano. Um fracasso retumbante, o evento começou a ser realizado nas Bahamas, mas foi cancelado antes mesmo do primeiro show. 

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Os pacotes vendidos incluíam ingresso para os shows, estadia e comida na ilha de Great Exuma, nas Bahamas. O festival prometia uma experiência luxuosa, com estadias em iates e a presença das modelos e influenciadoras mais lindas e badaladas. No entanto os compradores dos pacotes chegaram à ilha e foram surpreendidos por uma desorganização sem precedentes, tendas armadas para hospedagem totalmente molhadas pela chuva e o cancelamento dos shows agendados. A imagem era clara: o evento não estava pronto para receber nem o público e nem os shows. Foi uma fraude do começo ao fim. 

Entre os artistas que tocariam no evento estavam o rapper Ja Rule, que foi um dos organizadores e se colocou como sócio da empreitada. Tocariam ainda a banda Blink-182 e Major Lazer (Diplo), entre outros. Antes de acontecer o festival se tornou uma febre na internet.

A empresa de marketing de mídias sociais que fez o trabalho de divulgação, a Fuck Jerry, contratou um time estelar de influenciadores digitais. Kendall Jenner, num post onde recebeu 250 mil dólares, foi quem deu mais visibilidade ao evento. As modelos Bella Hadid, Hailey Baldwin e Emily Ratajkowski, além da brasileira Alessandra Ambrosio, estão entre as diversas influenciadoras que aparecem no comercial gravado no Caribe divulgando o evento. Estas influenciadoras fizeram vários posts sobre o Fyre Festival em suas redes sociais, sem alertar o público que suas postagens eram pagas.  

O responsável pelo horror caribenho que foi o Fyre Festival, o empreendedor Billy McFarland, tinha uma empresa de cartões de crédito que já ia mal das pernas, a Magnises e criou uma startup para desenvolver um aplicativo de contratação de artistas, projeto que começou a ser realizado mas nunca saiu da fase de planejamento. Este aplicativo tinha o mesmo nome do infame festival. 

Depois do factídico evento nas Bahamas que nunca aconteceu McFarland foi alvo de vários processos. Estava falido, sem dinheiro e, mesmo assim, no documentário da Netflix ele recebe pessoas numa cobertura de um hotel de luxo em N.York. Ele foi processado e condenado por estar associado a uma empresa obscura, a NYC VIP Access que vendia ingressos e passes para eventos que nem tem ingressos pagos, como o Met Gala.

McFarland está preso, cumprindo pena de seis anos por fraude. Ja Rule é alvo de vários processos, bem como outros dos produtores que trabalharam na (des)organização do Fyre Festival. Muitos desses funcionários acabaram pagando contas da produção com seus próprios cartões de crédito. 

O documentário da Netflix não exibe nenhuma entrevista com Billy McFarland, ao contrário de Fyre Fraud, da Hulu. Chega a doer na alma assistir esse rapaz falando com a mídia.

Qualquer um dos dois filmes dá a dimensão da confusão que foi essa empreitada, mas fica mais evidente ainda as consequências de uma campanha de marketing digital mal direcionada e pontuada pela má fé. 

Vivemos num mundo onde uma mentira se torna verdade a partir da quantidade de vezes que for repetida. Isso vale tanto para a política como para os negócios. O caso de Billy McFarland é mais uma prova de que o mundo virtual ilusório calcado em valores consumistas pode ocasionar muitos danos à sociedade. 

Veja abaixo os trailers dos dois documentários sobre o Fyre Festival:

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