Fendi Outono 2026-27


Bitsmag

Sob a direção de Maria Grazia Chiuri a grife mostra coleção super básica contrapondo-se à coleção anterior

Maria Grazia Chiuri, que marcou sua trajetória na Dior com o slogan “We should all be feminists” (Todos deveríamos ser feministas), iniciou seu novo capítulo na Fendi em Milão com um novo mantra: “Less I, more us” (Menos eu, mais nós). A coleção de estreia foca na coletividade e na moda sem gênero.

O Conceito: Guarda-Roupa Compartilhado e Transversal

A principal inovação de Chiuri para a Fendi é a dissolução das fronteiras entre os gêneros binários (feminino e masculino).

  • Filosofia: A designer propõe um “guarda-roupa transversal”, onde casacos, jaquetas e calças são criados pela mesma equipe para ambos os sexos, variando apenas o tamanho.
  • Objetivo: Criar peças universais e desejadas, focadas no desejo do coletivo (“eles/elas”) em vez de uma imposição individual da designer.

Análise da Coleção: Realismo e Artesanato

A coleção foi recebida como uma proposta realista e acessível, priorizando clássicos bem executados em vez de excessos luxuosos.

  • Paleta e Estilo: Predomínio do preto, evocando sobriedade e viabilidade comercial. Temas militares, jeans e toques boêmios também marcaram presença.
  • Peças de Destaque: Coletes folclóricos com pele, macacões de voo verde-exército e jaquetas de motocross em preto e amarelo.
  • Elegância Tradicional: A alfaiataria impecável de Chiuri apareceu em sobretudos de lã, saias plissadas e vestidos de veludo com estética dos anos 1920.

Homenagens e Colaborações Culturais

O desfile foi rico em referências à história da moda e ao legado da marca romana:

  1. Karl Lagerfeld: Golas de couro branco usadas como chokers serviram como tributo ao designer que liderou a Fendi por cinco décadas.
  2. Kim Jones: Fechos de tiras cruzadas em jaquetas referenciaram o trabalho do antecessor de Chiuri na linha feminina.
  3. Irmãs Fendi: As cinco fundadoras foram homenageadas em cachecóis de futebol com a frase “Enraizada, mas não estagnada”, da artista Sagg Napoli.
  4. Arte Italiana: Colaboração com o espólio da escultora Mirella Bentivoglio em joias e camisetas gráficas.

Sustentabilidade e Acessórios

Os acessórios resgataram ícones da marca, como as bolsas Baguette decoradas — um retorno às raízes de Chiuri, que iniciou sua carreira na Fendi em 1989. Quanto ao uso de peles, a marca enfatizou que todas as peças foram remodeladas a partir de peles já existentes, uma resposta direta aos protestos ativistas que ocorreram do lado fora do evento.

Confira o desfile na íntegra:

Bitsmag