LVMH vende Marc Jacobs


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Marc continua como diretor criativo da marca

Em um movimento estratégico que redefine o cenário da moda global, o conglomerado francês LVMH (LVMH.PA) concordou em vender a marca Marc Jacobs. A grife norte-americana passará a ser gerida por uma joint venture entre a WHP Global e a G-III Apparel Group (GIII.O). O negócio, avaliado em aproximadamente US$ 500 milhões, marca o fim de uma era de quase 30 anos sob o guarda-chuva de Bernard Arnault.

Detalhes da transação: WHP Global e G-III Apparel

A venda da Marc Jacobs faz parte de uma reestruturação do portfólio da LVMH frente à desaceleração do consumo de luxo em 2024 e 2025. O novo modelo de gestão divide a marca em duas frentes:

  • WHP Global: Gerenciará as operações de licenciamento, integrando a Marc Jacobs ao seu braço de moda premium que já conta com Vera Wang e Rag & Bone.
  • G-III Apparel Group: Ficará responsável pela operação global de varejo e atacado, utilizando sua infraestrutura logística para escalar a presença da marca.

A expectativa é que a transação eleve as vendas anuais de varejo da WHP para mais de US$ 9,5 bilhões.

A estratégia da LVMH e o foco em “Mega-Brands”

Embora a LVMH raramente se desfaça de suas marcas, o grupo tem priorizado propriedades maiores e mais rentáveis. Recentemente, a empresa vendeu a Off-White e devolveu sua participação na Stella McCartney.

Marc Jacobs, que assumiu a direção artística da Louis Vuitton em 1997, foi o arquiteto da transformação da LV de uma fabricante de malas tradicional em uma potência da moda. Suas colaborações históricas com artistas como Takashi Murakami e Yayoi Kusama definiram a estética de luxo dos anos 2000.

O Renascimento da Marc Jacobs: De Y2K a Geração Z

Após enfrentar dificuldades financeiras na década de 2010, com perdas estimadas em mais de 50 milhões de eurosanuais, a marca passou por um turnaround radical:

  1. Foco em Acessibilidade: Substituição de flagships por corners focados em bolsas com preços competitivos (competindo diretamente com Coach e Michael Kors).
  2. Linha Heaven: Lançada em 2020, a linha capturou o público da Geração Z com uma estética nostálgica e forte apelo online.
  3. Eficiência Criativa: Redução dos custos de passarela enquanto mantém o prestígio das coleções de runway.

O Futuro: Marc Jacobs permanece como Diretor Criativo

O ponto crucial para a credibilidade da marca é a permanência de Marc Jacobs como Diretor Criativo. Ele continuará supervisionando a visão artística, as coleções de passarela e os desfiles. Essa continuidade garante que a identidade audaciosa e eclética da marca seja preservada enquanto a G-III e a WHP focam na expansão comercial massiva.

Principais Takeaways para o Mercado:

  • Valor do negócio: US$ 500 milhões.
  • Novos donos: WHP Global (Licenciamento) e G-III (Operações).
  • Legado: Fim de uma parceria de 27 anos com o grupo LVMH.
  • Posicionamento: Consolidação no segmento de “luxo acessível” e forte presença digital.
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