


Atriz namorou John Jr e está retratada na série Love Story: John F.Kennedy Jr e Carolyn Bessette
Um dos maiores sucessos da atualidade na plataforma de streaming Disney+, o seriado Love Story: John F.Kennedy Jr. e Carolyn Bessette tem causado discussões de todo tipo, além de estar provocando a ira de familiares e de pessoas que se relacionaram com o casal. Desde antes da estreia da série Jack Schlossberg, sobrinho de John Jr, filho de Caroline Kennedy, tem criticado duramente a série, frisando que a família nunca foi contactada.
Carolyn Bessette e John F. Kennedy Jr. faleceram em 1999 num acidente de avião no qual o próprio John Jr. estava pilotando. A irmã de Carolyn estava na aeronave e também faleceu. A vida do casal, na segunda metade da década de 90, foi extremamente devassada pelos tablóides de fofocas. Os paparazzi viviam perseguindo o casal, dia e noite e esse sofrimento teve um grande impacto no relacionamento deles.
A série da Disney+ Love Story: John F.Kennedy Jr. e Carolyn Bessette foi inspirada em um livro que foi escrito sobre Carolyn Bessette pela escritora Elizabeth Beller. Do incontável número de livros publicados sobre o casal, este é o que tem um posicionamento mais respeitoso da esposa de John Jr. Até mesmo a autora de Sex and the City, Candace Bushnell, chegou a fazer um conto inspirado em Carolyn, mas de teor ofensivo, jocoso e agressivo, pintando a personagem como uma viciada em drogas, mimada e insuportável.
John Jr. também não descansa até hoje, quase trinta anos após a sua morte. Outras publicações desmontam a imagem de príncipe do rapaz que teve a presença da imprensa e dos tablóides muito próxima desde criança.
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Uma outra pessoa que é retratada no seriado e não gostou nada do que lhe foi imputado é a atriz Daryl Hannah, ex-namorada de John Jr. No seriado a personagem que leva seu nome foi retratada como uma atriz louca pelos holofotes, querendo forçar um casamento com John Jr e a qual até teria tirado vantagem da onipresença da imprensa enquanto tinha um relacionamento com ele.
O retrato na série realmente causa surpresa. Daryl Hannah foi uma das maiores estrelas do cinema dos anos 80 e 90 em Hollywood. Estrelou tanto filmes clássicos, como Blade Runner, Wall Street: Poder e Cobiça e Kill Bill, além de protagonizar enormes sucessos comerciais da época, como Splash: Uma Sereia em Sua Vida, e Flores de Aço. Hannah também é reconhecida por seu trabalho apoiando causas ambientais e de sustentabilidade. Atualmente a estrela está casada com Neil Young, lendário cantor, compositor e guitarrista canadense, amplamente reconhecido como um dos artistas mais influentes da história do rock.
Daryl Hannah foi também uma das atrizes que relatou ter sofrido assédio do produtor Harvey Weinstein, em artigo da revista The New Yorker em 2017, matéria que ajudou a iniciar o movimento #Metoo.
Leia a tradução em português da carta que Daryl Hannah escreveu e foi publicada no jornal americano The New York Times nesta sexta, 6 de março de 2026.
Jacqueline Onassis me deu um conselho sábio: ela me disse que, embora tabloides, revistas e jornais frequentemente vendessem mentiras ridículas, no dia seguinte elas não passavam de forro de gaiola de pássaro. Na época, encontrei grande conforto e consolo nessas palavras.
Por Daryl Hannah, atriz, cineasta e filantropa
Mas hoje elas não são mais verdadeiras.
Na era digital, as histórias não desaparecem, as notícias de ontem não são descartadas com o jornal da manhã, e as mentiras vivem online para sempre. Elas são arquivadas, transmitidas, recortadas, transformadas em memes e ressurgem incessantemente. Uma representação dramatizada pode se tornar, para milhões de espectadores, a versão definitiva da vida de uma pessoa real.
Eu geralmente opto por não responder à cobertura da mídia sobre mim. Há muito tempo acredito que interagir com distorções muitas vezes as amplifica. Mas uma série de televisão recente que explora a tragédia de John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette apresenta uma personagem usando meu nome e a apresenta como se fosse eu. A escolha de retratá-la como irritante, egocêntrica, queixosa e inadequada não foi por acaso.
Ao discutir a série “Love Story”, um dos produtores explicou: “Considerando o quanto torcemos por John e Carolyn, Daryl Hannah ocupa um espaço onde ela se torna uma adversária do que se deseja narrativamente na história.”
Contar histórias exige tensão. Muitas vezes, exige um obstáculo. Mas uma pessoa real, viva, não é um recurso narrativo. Há também uma dimensão de gênero nesse pensamento. A cultura popular há muito tempo eleva certas mulheres retratando outras como rivais, obstáculos ou vilãs. Não é misoginia clássica destruir uma mulher para enaltecer outra?
A personagem “Daryl Hannah” retratada na série não é nem remotamente uma representação precisa da minha vida, da minha conduta ou do meu relacionamento com John. As ações e comportamentos que me são atribuídos são falsos. Nunca usei cocaína na minha vida nem organizei festas regadas a cocaína. Nunca pressionei ninguém a casar comigo. Nunca profanei nenhuma herança de família nem invadi o memorial de ninguém. Nunca plantei nenhuma história na imprensa. Eu jamais comparei a morte de Jacqueline Onassis à de um cachorro. É revoltante para mim ter que me defender de um programa de televisão. Essas não são interpretações criativas da personalidade dela. São afirmações sobre conduta — e são falsas.
Quando tantas pessoas assistem a uma dramatização que usa um nome real, as consequências na vida real se seguem. Nas semanas desde que a série foi ao ar, recebi muitas mensagens hostis e até ameaçadoras de espectadores que parecem acreditar que a representação é factual. Quando o entretenimento usa o nome de uma pessoa real, isso pode impactar permanentemente sua reputação.
Sei que, como atriz, estarei sob os holofotes. Já suportei diversas mentiras absurdas, histórias ruins e caracterizações pouco lisonjeiras. Optei por não combatê-las, mas sim me concentrar no meu trabalho e respeitar meus entes queridos, mantendo minha vida privada em sigilo. Mas meu silêncio não deve ser confundido com concordância com mentiras. Aparentemente, minha discrição me torna um alvo.
Por décadas, meu trabalho tem se concentrado na defesa do meio ambiente, na produção de documentários e na terapia assistida por animais para idosos que vivem com demência e Alzheimer. Minha vida profissional é construída sobre compaixão e responsabilidade. Reputação não tem a ver com ego; tem a ver com a capacidade de continuar fazendo o trabalho significativo que amo. Como em qualquer carreira, fazer um bom trabalho exige uma reputação intacta. É por isso que estou decidindo me defender agora.
A família Kennedy também é notoriamente reservada, e eu sempre respeitei o direito deles à privacidade. Saibam que a maioria (se não todos) daqueles que afirmam ter conhecimento íntimo de nossas vidas pessoais são sensacionalistas oportunistas que se aproveitam de fofocas, insinuações e especulações.
Muitas pessoas acreditam no que veem na TV e não distinguem entre dramatização e fatos documentados — e o impacto disso não é abstrato. Na era digital, o entretenimento muitas vezes se torna memória coletiva. Nomes reais não são ferramentas ficcionais. Eles pertencem a vidas reais.
Os forros de gaiolas de pássaros se biodegradam. Mentiras online perduram. Que o amor e a verdade prevaleçam.
