Michael, biografia de Michael Jackson já está nos cinemas brasileiros


Bitsmag

Filme trás retrato antisséptico do astro que faleceu em meio a alegações gravíssimas de abuso sexual

O lançamento de Michael, filme biográfico sobre a carreira do astro americano Michael Jackson, é realmente um dos eventos cinematográficos mais aguardados de 2026. O filme já está nos cinemas do Brasil.

Aqui estão os detalhes sobre os bastidores da produção e as questões envolvendo a família:

De quem foi a iniciativa de fazer o filme?

O projeto é uma colaboração oficial entre o Espólio de Michael Jackson (controlado pelos executores legais John Branca e John McClain) e o poderoso produtor de Hollywood Graham King (conhecido por seu trabalho na cinebiografia de Freddie Mercury, Bohemian Rhapsody). O desenvolvimento do roteiro começou por volta de 2017, assinado por John Logan (O Aviador, Gladiador), com a direção de Antoine Fuqua (Dia de Treinamento, Mayor of Kingstown).

A questão do consentimento

Há uma distinção importante aqui: o filme tem o consentimento e os direitos legais garantidos pelo Espólio de Michael Jackson, que detém total autonomia comercial sobre a imagem e o catálogo musical do artista. Legalmente o espólio não precisa da aprovação unânime dos membros da família para produzir a obra.

O que ocorreu é que o filme foi feito sem o aval e o apoio moral de pessoas muito próximas a ele. Relatos recentes da imprensa revelam uma forte divisão nos bastidores:

  • Paris Jackson (filha de Michael) não compareceu à première e, no último ano, criticou duramente a obra, chamando-a de uma biografia “açucarada” e cheia de “mentiras completas”.
  • A produção optou por encerrar a narrativa da cinebiografia no ano de 1984. Segundo os advogados do espólio, essa decisão blindou o filme de ter que abordar as graves acusações de abuso infantil (como o caso Chandler nos anos 90 ou os relatos do documentário Leaving Neverland), o que também gerou críticas da imprensa especializada sobre o nível de controle narrativo.

Por que Janet Jackson não aparece no filme?

A ausência de Janet na narrativa (ao contrário de irmãos como La Toya e Jermaine) se deve a dois fatores principais:

  1. Recorte Temporal: Como o filme foca intensamente na dinâmica do The Jackson 5 e na ascensão de Michael até o auge do álbum Thriller (encerrando a história em 1984), Janet, que é a irmã mais nova e não fazia parte das dinâmicas iniciais da banda, acabou não entrando no arco principal do roteiro.
  2. Aversão Pessoal: A própria Janet fez questão de se distanciar do projeto. Ela também boicotou a première europeia, e vazamentos da imprensa no último mês apontaram que a cantora teve uma reação “intensamente negativa” ao assistir a um corte antecipado do filme.

Quem é o ator que interpreta Michael Jackson?

A escalação do papel principal ficou em família. O Michael Jackson na fase adulta é interpretado pelo seu próprio sobrinho, Jaafar Jackson (filho de Jermaine Jackson). Esta é a estreia de Jaafar no cinema, e sua impressionante semelhança vocal, física e nos trejeitos foi bastante destacada desde o início das filmagens.

Para a fase criança, nos tempos da Motown, o papel ficou com o estreante Juliano Krue Valdi, um garoto que já fazia muito sucesso nas redes sociais imitando as coreografias do Rei do Pop. O elenco de peso também traz Colman Domingo (no papel do rígido patriarca Joe Jackson) e Nia Long (como a matriarca Katherine Jackson).

A recepção da crítica especializada e as primeiras reações de quem já assistiu a Michael nas sessões antecipadas e premières têm sido bastante divididas. O consenso até agora aponta para um filme que brilha intensamente nas atuações e na recriação musical, mas que sofre pesadas críticas pelo seu roteiro e pela forma como a história foi “higienizada”.

Aqui está o detalhamento do que a crítica está dizendo:

Os Grandes Acertos: Atuações e Espetáculo

  • Jaafar Jackson é a grande revelação: A atuação do sobrinho de Michael está sendo tratada como o ponto mais alto do filme. Críticos de veículos como ScreenRant e The Credits descreveram sua performance como “impecável”, “assustadoramente fiel” e responsável por carregar o filme. A semelhança vocal e corporal nos palcos impressionou até os críticos mais céticos.
  • Colman Domingo como Joe Jackson: O ator entrega uma performance descrita como poderosa e dominadora. A crítica elogia como ele conseguiu capturar a rigidez, a complexidade e a vilania do patriarca da família Jackson sem transformá-lo em uma caricatura irreal.
  • A Recriação Histórica e Musical: As sequências de performance (como o especial Motown 25, a gravação de Thriller e as coreografias clássicas) são consideradas um espetáculo absoluto. Para quem busca a experiência nostálgica, a direção de Antoine Fuqua entregou um trabalho de altíssimo nível técnico visual e sonoro.

As Principais Críticas: Roteiro e Controle do Espólio

  • Uma Biografia “Chapa Branca”: A principal queixa da crítica especializada (incluindo resenhas de veículos de peso como o The Guardian) é o óbvio controle que o Espólio de Michael Jackson exerceu sobre a narrativa. O filme tem sido descrito por alguns críticos como excessivamente reverente, “açucarado” e abertamente focado em proteger o legado comercial do cantor, blindando-o de seus aspectos mais sombrios.
  • A Fuga das Controvérsias: O fato de o filme encerrar sua narrativa na década de 1980 é visto como uma manobra calculada. Ao parar a história logo após o auge de Thriller, a produção evita completamente ter que lidar com as acusações de abuso infantil dos anos 90, os julgamentos e as excentricidades das décadas seguintes. Para muitos críticos, isso transformou o longa em uma obra incompleta. Em espaços de discussão sobre cinema, muitos apontam que o filme soa mais como um longo e luxuoso clipe musical do que como um estudo de personagem profundo.
  • Fórmula Genérica: Assim como ocorreu com Bohemian Rhapsody (que compartilha o mesmo produtor, Graham King), os críticos apontam que Michael se apoia demais na estrutura engessada e previsível das cinebiografias musicais, sem correr grandes riscos narrativos.

O Consenso Geral

Para a crítica especializada mais rigorosa, Michael é uma obra cinematicamente bem executada, mas narrativamente defensiva e calculista. No entanto, os mesmos jornalistas e críticos admitem que o longa tem tudo para ser um fenômeno massivo de bilheteria. A expectativa é que o público geral e os fãs ignorem os problemas de roteiro em favor do espetáculo visual, da trilha sonora imbatível e da performance arrebatadora de Jaafar Jackson. Já existe forte burburinho para a temporada de premiações.

As controvérsias em torno da produção de Michael são complexas e envolvem desde batalhas legais sigilosas até acusações de manipulação histórica. A narrativa dos bastidores foi quase tão dramática quanto a do próprio filme.

Aqui estão os principais pontos de atrito que marcaram a produção até a sua estreia:

1. O Erro Jurídico e as Refilmagens Milionárias

A maior crise do filme ocorreu nos bastidores, após o término das filmagens principais em 2024. Originalmente, o roteiro de John Logan não terminava em 1984. O terceiro ato do filme foi escrito para abordar diretamente as primeiras acusações de abuso sexual infantil feitas por Jordan Chandler em 1993.

  • A Narrativa Original: O roteiro vazado mostrava Michael Jackson como vítima de uma trama de extorsão financeira pela família Chandler, retratando o cantor de forma totalmente simpática e chegando a reencenar a polêmica revista policial (strip-search) pela qual ele passou.
  • O Bloqueio Legal: O problema é que os advogados do Espólio de Michael Jackson cometeram um erro grave: eles “esqueceram” ou ignoraram uma cláusula rigorosa no acordo financeiro de 1994 com a família Chandler. Essa cláusula proibia expressamente qualquer menção ou dramatização da família em qualquer filme.
  • A Solução Cara: Quando o erro foi descoberto, a produção percebeu que aquele trecho do filme era legalmente inutilizável. O Espólio teve que desembolsar entre 10 e 15 milhões de dólares para financiar refilmagens massivas. A solução foi cortar todo o terceiro ato e reescrever o final para que a história acabasse abruptamente em 1984 — muito antes de Jordan Chandler entrar na vida do cantor. Esse imbróglio jurídico foi o principal motivo pelo qual o filme foi adiado de 2025 para abril de 2026.

2. O Embate com Dan Reed (Diretor de Leaving Neverland)

O diretor Dan Reed, responsável pelo explosivo documentário da HBO Leaving Neverland (2019) tornou-se um dos maiores críticos da cinebiografia antes mesmo de seu lançamento.

Reed conseguiu ler o roteiro original que havia vazado e foi a público denunciar a produção. Ele acusou o filme de ser uma ferramenta de relações públicas projetada para reabilitar a imagem do cantor. Segundo o documentarista, o roteiro continha “distorções completas” e estava “reescrevendo a história”, especialmente na forma como tirava totalmente a credibilidade das vítimas para proteger o legado comercial e a marca bilionária de Jackson.

3. O Processo de Paris Jackson e o Ego dos Executores

As tensões não ocorreram apenas com os acusadores, mas também dentro da própria família, envolvendo a filha de Michael, Paris Jackson.

Paris moveu uma ação legal contra John Branca (um dos principais executores do Espólio e produtor do filme). O motivo central foi a decisão de escalar o ator do primeiro escalão de Hollywood, Miles Teller (Top Gun: Maverick), para interpretar o próprio John Branca no filme. Paris acusou Branca de estar arriscando os ativos do Espólio em contratações caríssimas por puro ego, tentando se colocar como uma figura “central na história de Michael Jackson” e de usar o filme para se enriquecer e se engrandecer.

4. Conflito de Interesses e a “Chapa Branca”

Toda a produção operou sob a sombra de um massivo conflito de interesses. O filme foi co-produzido pelo próprio Espólio de Michael Jackson, que liberou os direitos de mais de 30 músicas do catálogo.

Críticos e jornalistas investigativos apontaram que é impossível fazer um retrato imparcial, humano e cru de uma figura tão controversa, já que os produtores do filme são os mesmos executivos (John Branca e John McClain) cuja função principal é garantir que a marca “Michael Jackson” continue gerando centenas de milhões de dólares anualmente.

A percepção externa é de que o estúdio (Lionsgate) cedeu o controle criativo ao Espólio em troca dos direitos musicais, resultando em um filme espetacular do ponto de vista técnico, mas narrativamente esvaziado de suas verdades mais inconvenientes.

Confira o trailer oficial:

Bitsmag