O Diabo Veste Prada 2


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Meryl Streep como Miranda Priestly e Stanley Tucci como Nigel Kipling em O Diabo Veste Prada 2 – Foto courtesia da 20th Century Studios. © 2026 20th Century Studios. Todos Direitos Reservados.

Vinte anos depois Miranda Priestly e Andy Sachs voltam a trabalhar juntas para tentar salvar a revista Runway e a ética na moda

A sequência de O Diabo Veste Prada, que entra em cartaz no Brasil dia 30 de abril, é literalmente uma continuação do primeiro filme. Vinte anos depois de Andy Sachs (Anne Hathaway) deixar sua chefe Miranda Priestly (Meryl Streep) plantada num desfile na Semana de Moda de Paris, a renomada revista Runway passa por problemas financeiros, bem como toda a cadeia produtiva de revistas e jornais. A competição com as mídias sociais é atroz e a exposição de práticas pouco éticas no negócio da moda leva ao cancelamento daqueles que a defendem.

Depois do vazamento de rumores de que Miranda estaria encobrindo práticas criminosas da cadeia de produção da moda, Andrea Sachs é chamada por Irv Ravitz, dono da editora Elias-Clarke Publications, conglomerado de mídia que engloba a revista Runway. Andy se torna a mais nova contratada da revista para tentar dar mais credibilidade à publicação. Bom lembrar que nesses vinte anos de hiato, Andy Sachs se tornou uma jornalista respeitada e detentora de prêmios de jornalismo, apesar de recém desempregada. 

A princípio Miranda detesta a ideia do retorno de Andy à Runway, o que rende cenas hilárias de desdém da über editora pela jornalista exemplo de ética profissional. Nessa cruzada pela reabilitação da revista a dupla se une a Emily (Emily Blunt), agora uma executiva poderosíssima na Dior. 

O roteiro de Aline Brosh McKenna, a mesma roteirista do primeiro episódio da franquia, oferece um arco narrativo convincente criando situações que levam nossas heroínas a tomarem decisões difíceis e que, mais uma vez, delimitam o amadurecimento das personagens. 

É um filme sobre amizade entre patrão e funcionário e sobre amizade entre mulheres. É uma produção que reflete sobre a redefinição dos papéis dentro do negócio da moda e principalmente da mídia, duas indústrias que estão passando por mudanças drásticas nos últimos vinte anos.

Miranda deixa de ser uma ditadora da moda para se tornar uma navegadora nas águas turbulentas de uma mídia em vias de extinção. Andy vê seu sonho se esvaindo, já que mesmo sendo reconhecida no que faz, as chances de conseguir viver de jornalismo estão cada vez mais rarefeitas. 

Se no primeiro filme Miranda e Andy foram juntas à Semana de Moda de Paris, nesta edição elas aportam na Semana de Moda de Milão, acompanhadas de Nigel e Emily. Lá encontrarão Lady Gaga, Doechii e Donatella Versace em alguns dos pontos altos do filme. 

A produção chegou a contar com a participação da atriz Sidney Sweeney (Euphoria) interpretando a si mesma, mas a cena foi cortada. Do primeiro filme a única personagem de fora da Runway que reaparece é a amiga de Andy, Lily (Tracie Thoms), agora uma galerista de sucesso. 

Miranda, Andy e Emily não estarão solteiras neste segundo capítulo da saga. Miranda está casada com Stuart (Kenneth Branagh), seu quarto casamento. A relação entre Miranda e Stuart é tudo menos pacífica. Enquanto no longa original o ex-marido sofria majoritariamente por ser deixado em segundo plano e negligenciado, a dinâmica com Stuart sugere um embate muito mais direto. Com Branagh no papel, essa figura bate de frente com a personalidade dominadora e afiada de Miranda, mas o personagem é muito mais companheiro e um homem bem mais amadurecido que o marido anterior de Miranda. 

Emily está namorando um bilionário, Benji Barnes, cuja ex-esposa é Sasha (Luci Liu). Esse fator se torna um grande ponto de tensão, a rivalidade entre as duas, rivalidade essa que acaba saindo da esfera pessoal e passa para a esfera profissional. E mais não falo, apenas notando que este fator pode inclusive ser um gancho para um terceiro tomo da saga O Diabo Veste Prada.

O novo parceiro de Andy se chama Peter e ele é interpretado pelo ator australiano Patrick Brammall (Colin From Accounts). Os dois se encontram quando Andy, a pedido da amiga Lily, vai procurar um apartamento melhor para se mudar. Peter é o dono do prédio.

Infelizmente Nigel não foi agraciado com uma cara-metade. A personagem continua sendo apenas um acessório, ou talvez um amuleto da sorte para Miranda. 

O Diabo Veste Prada 2 não vai decepcionar os amantes do primeiro filme. A narrativa corre solta e interessante, com momentos super engraçados e nossas heroínas vestidas com figurinos espetaculares. Atores de primeira estão por trás desses personagens bem construídos que arrebataram a empatia do público há vinte anos e agora continuam interessantes e cativantes. 

A batalha das duas e do fiel escudeiro Nigel (Stanley Tucci) passa por vários obstáculos e o filme, apesar de oferecer passagens engraçadas e muita moda espetacular, mostra a derrocada dos conglomerados de mídia, mas não entra fundo nas mudanças do negócio da moda. 

Os fashionistas, no entanto, não terão do que reclamar: Molly Rodgers assumiu a direção de figurino desta sequência. Molly não é uma estranha no universo da revista Runway. No filme original de 2006 ela trabalhou lado a lado com a lendária Patricia Field, atuando como figurinista associada.

Além de seu envolvimento no primeiro longa, Rogers construiu um currículo respeitado na interseção entre moda e audiovisual. Ela é amplamente conhecida por seu trabalho ao lado de Field em Sex and the City e, mais recentemente, por assumir a liderança dos figurinos no spin-off And Just Like That

Essa continuidade na equipe criativa foi fundamental para manter a identidade visual que consagrou o primeiro filme, garantindo que a estética de personagens icônicas como Miranda Priestly e Emily evoluísse de forma natural após duas décadas.

A continuação de O Diabo Veste Prada faz um trabalho brilhante ao misturar a alta-costura contemporânea com um forte apelo ao mercado vintage, refletindo muito bem as mudanças no consumo de moda das últimas duas décadas. O filme conta com uma curadoria de peças que vai fazer os olhos de quem aprecia a estética dos anos 90, o Y2K e o quiet luxury brilharem.

Aqui estão algumas das peças-chave e os designers que estão roubando a cena nesta nova fase:

Andy Sachs (Anne Hathaway) O guarda-roupa de Andy mostra uma evolução madura, mesclando peças de acervo histórico com marcas contemporâneas.

  • O Retorno aos Anos 90: Um dos looks mais comentados até agora é um conjunto vintage de colete e calça risca de giz da Jean Paul Gaultier da década de 1990. É uma clara homenagem ao power dressing daquela época, mostrando que Andy agora ocupa uma posição de poder na indústria.
  • Quiet Luxury e Elegância Urbana: Em uma cena gravada no Central Park, Andy veste um vestido maxi translúcido de organza da Khaite (o modelo Wes). A Khaite tem sido um dos maiores nomes recentes para um luxo sofisticado e sem logomarcas. Ela também aparece com saias plissadas da Sacai, saias de couro da Gabriela Hearst e mistura tudo com acessórios pontuais, como uma bolsa vintage da Coach e as icônicas botas Tabi da Maison Margiela.

Miranda Priestly (Meryl Streep) Miranda continua sendo a personificação da autoridade inquestionável, mas agora com toques de texturas inesperadas e silhuetas que privilegiam o conforto, sem deixar de ser luxuoso. 

  • Schiaparelli e Dries Van Noten: Miranda aparece poderosa em blazers estruturados da Dries Van Noten, incluindo uma jaqueta com franjas do novo diretor criativo Julian Klausner e um marcante blazer listrado em preto e branco da coleção de primavera 2026 da Schiaparelli.
  • Alta-Costura e Joalheria: Um dos destaques absolutos de Miranda no filme é um vestido feito sob medida pela Balenciaga. Nos acessórios, ela troca um pouco os diamantes clássicos por correntes de ouro imponentes e brincos chunky da joalheria Briony Raymond, contrastando com sapatos vermelhos slingback da Jacquemus. Ela também foi vista usando um elegante e minimalista casaco bege da marca Sa Su Phi.

Emily Charlton (Emily Blunt) Como agora Emily é uma alta executiva da Dior, seu guarda-roupa é descrito como o mais ousado e edgy do trio.

  • O Arquivo Y2K: Para quem ama a história da moda na virada do milênio, Emily usa uma das icônicas blusas com estampa de jornal (newsprint) criadas por John Galliano para sua marca homônima — uma peça que carrega uma bagagem fashion imensa e grita “anos 2000”.
  • Brilho e Rabanne: Em outro momento de grande impacto visual, ela veste um vestido de cota de malha (chainmail) da coleção resort 2026 da Rabanne, acompanhado da clássica bolsa Nano 1969 da mesma marca.

É muito interessante notar como o filme usou peças de arquivo da era de ouro de estilistas como Gaultier e Galliano, equilibrando com designers em ascensão. Se na primeira versão as botas da Chanel ditaram as regras, agora parece que a caça às peças vintage de alfaiataria dos anos 90 será o grande desejo do público.

Lady Gaga comparece com cenas deliciosas e o clipe da música Runway, feita especialmente para a trilha do filme, acaba de ser lançado – confira:

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