Marketing de Marty Supreme está sendo um divisor de águas


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Estratégia de marketing inovadora com participação maciça de Timothée Chalamet incorpora táticas de apelo à Geração Z

Num momento tão crítico da indústria cinematográfica, onde é preciso arrastar as pessoas aos cinemas, a campanha de marketing do filme Marty Supreme tem se mostrado extremamente efetiva e o filme praticamente já se pagou em menos de um mês do lançamento, só com a arrecadação dentro os Estados Unidos. 

No Brasil Marty Supreme só será lançado em 22 de janeiro, mas as sessões de pré-estreia estão lotadas.

A campanha de marketing de Marty Supreme tem sido um case de sucesso justamente porque não parece marketing de cinema, mas sim um “evento cultural” contínuo, é pura arte de performance. O estúdio A24 e o elenco estão tratando a divulgação como uma extensão do filme, atenuando as linhas de separação entre a realidade e a ficção.

A grande sacada foi satirizar o próprio desespero de Hollywood por atenção. Em novembro apareceu um vídeo supostamente “vazado” (veja abaixo). Do nada aparece no YouTube e no Instagram uma transmissão ao vivo de uma reunião de marketing da A24. Na reunião, Timothée Chalamet (atuando como uma versão ególatra de si mesmo) propõe ideias absurdas como ações de marketing da campanha, coisas como pintar a Estátua da Liberdade de laranja ou lançar dirigíveis com o nome do filme.

O brilhantismo veio depois: a A24 realmente executou as ideias “péssimas” do vídeo. Dias depois, dirigíveis laranja com o título “Marty Supreme” apareceram nos céus de Los Angeles. O público sentiu-se parte de uma “piada interna”.

Em vez de vender camisetas baratas de filme, eles usaram a tática de marcas como a Supreme (o nome do filme ajuda, claro).

Uma jaqueta usada por Chalamet no filme não foi colocada à venda imediatamente. Para ativar o gatilho da escassez foram enviadas jaquetas para celebridades e influenciadores de moda (Frank Ocean, Kendall Jenner) que foram vistos usando a peça casualmente.

Criou-se um desejo genuíno pela peça antes do filme estrear. Quando o “merch” foi lançado, esgotou como se fosse uma coleção de luxo limitada, não brindes promocionais.

Nas entrevistas Timothée continuou incorporando o personagem (meta-marketing?). Em vez do ator polido e simpático de sempre, ele apareceu em eventos públicos com a energia caótica, rápida e levemente neurótica de Marty Reisman. 

Na CCXP em São Paulo ele fez exatamente isso, gritava ensandecido para o público ir ver o filme. 

A presença de Tyler The Creator, ele próprio um gênio do marketing no mundo da música, trouxe um público que normalmente não consome “filmes de época”. A estética visual do filme, um estilo “vintage cool” dominou o TikTok e o Instagram, tornando o filme “instagramável”.

Por que a estratégia está dando bons resultados? Porque não pede para você “ir ver um filme”; a campanha é um convite para participar de um momento. Numa era de fadiga de super-heróis e sequências, Marty Supreme vendeu estilo e atitude. 

O público jovem (Gen Z) não comprou o ingresso apenas pela história do pingue-pongue, mas sim adquiriu um passaporte para fazer parte da estética “cool” que o filme projetou nas redes sociais, meses antes da estreia.

O resultado dessa tempestade perfeita de marketing vai muito além das curtidas no Instagram: está se traduzindo em salas lotadas. Ao transformar Marty Supreme num item de lifestyle escasso e desejável, a A24 está conseguindo o que parecia impossível: fazer um filme de época sobre pingue-pongue competir de igual para igual com grandes franquias de super-heróis. 

Os números de bilheteira provam que a Geração Z não abandonou o cinema; apenas exige que a experiência comece muito antes de as luzes se apagarem. No fim, a campanha está sendo tão performática quanto o próprio filme, provando que, na economia da atenção, a ousadia ainda é a moeda mais valiosa.

Veja abaixo o vídeo da “reunião de marketing” da A-24:

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