Coachella 2026: Destaques da transmissão ao vivo e o que esperar do 2º Fim de Semana


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Veteranos dos palcos entregaram shows inesquecíveis e juntaram-se a artistas debutantes: Justin Bieber, Nine Inch Noize, The Strokes, Moby, Jack White, Sabrina Carpenter e Sombr

Acompanhei o primeiro fim de semana do Coachella 2026 pela transmissão oficial no YouTube. De retornos muito aguardados como Justin Bieber e The Strokes, à vanguarda visual de FKA Twigs e a energia pop de Sabrina Carpenter, o festival apresentou performances históricas. Confira o que eu achei de alguns dos principais shows e as previsões para o segundo fim de semana no deserto da Califórnia.

The Strokes

Julian Casablancas, sumido desde 2020, quando o The Strokes lançou o álbum The New Abnormal, apareceu com camiseta irônica zoando a Amazon (ao invés de “Amazon” dizia “Crime”). Em determinada parte do show ele perguntou:

Vocês estão animados com o "draft" (convocação de reservistas do exército)? Não, não estou falando do "draft" da NFL (National Football League). Daqui a seis meses, acho que todos que são elegíveis para o serviço militar, terão que se alistar... Espero liderar um dos batalhões do Coachella. O batalhão mais sexy das nossas orgulhosas forças armadas, com certeza.
Julian Casablancas no Coachella

A fala reverberou… A platéia a princípio não entendeu direito, e muitos gritaram “não”! Certamente foi um dos momentos mais comentados do festival nas redes sociais.  

A banda nova-iorquina trouxe a sua clássica atitude despretensiosa para o deserto, entregando um setlist recheado de hinos do indie rock que soaram impecáveis na transmissão ao vivo. Os vocais rasgados de Julian Casablancas e as guitarras entrelaçadas de Albert Hammond Jr. e Nick Valensi provaram que o revival dos anos 2000 continua em alta. Para o segundo fim de semana, a expectativa é que a banda faça ajustes pontuais no setlist, possivelmente adicionando alguma b-side ou surpreendendo com um nível ainda maior de entrosamento e interação irônica com o público.

Quem gosta dos Strokes pode se preparar, há rumores bem fortes de que eles vão ser a atração principal do festival Primavera Sound em São Paulo, no final do ano. Enquanto isso os Strokes já estão de partida para uma turnê mundial que começa nos Estados Unidos, passa pelo Canadá, vai para o Japão e depois para a Europa. É bem provável que fechem datas posteriores na America Latina. De dedos cruzados!

Nine Inch Noize

A apresentação do Nine Inch Noize foi um verdadeiro ataque sensorial, combinando distorções industriais implacáveis, batidas pesadas e um show de luzes estroboscópicas que testou os limites da transmissão. A intensidade brutal da performance deixou o público atônito, criando um caos controlado que se destacou no line-up. No fim de semana 2, os fãs podem se preparar para uma atmosfera ainda mais densa, talvez com alterações nas faixas escolhidas para criar uma narrativa sonora ainda mais sombria e catártica.

O que é o Nine Inch Noize?

O Nine Inch Noize é um novo supergrupo criado a partir da fusão da lendária banda americana de rock industrial Nine Inch Nails (liderada por Trent Reznor e Atticus Ross) com o aclamado produtor de música eletrônica e techno alemão Boys Noize (Alexander Ridha).

A semente para essa colaboração brotou recentemente. Boys Noize trabalhou com Reznor e Ross fazendo remixes altamente voltados para as pistas de dança da trilha sonora do filme Tron: Ares (lançado em 2025) e do filme Challengers. A química funcionou tão bem que eles dividiram os palcos na recente turnê “Peel It Back”, unindo de forma visceral a escuridão do rock industrial com as batidas aceleradas e agressivas do techno.

O sucesso dessa união ao vivo resultou na consolidação oficial do Nine Inch Noize. Eles foram escalados como uma das grandes atrações do palco Sahara no Coachella 2026 e aproveitaram o momento para anunciar seu primeiro álbum de estúdio, com lançamento cravado bem no meio do festival, dia 17 de abril de 2026.

A Importância e o Currículo de Trent Reznor

Trent Reznor é uma lenda viva da cultura pop e um dos artistas mais respeitados e versáteis das últimas três décadas. O currículo dele é impressionante e transita com maestria entre o rock de arena, a música eletrônica de vanguarda e a elite do cinema hollywoodiano:

  • O Pioneiro do Rock Industrial: Reznor é o fundador, vocalista e a mente genial por trás do Nine Inch Nails, banda que formou em 1988. Ele revolucionou a cena musical ao pegar ruídos mecânicos, sintetizadores sombrios e batidas eletrônicas pesadas, fundindo tudo com guitarras distorcidas. Álbuns marcantes como The Downward Spiral (1994) são obras-primas absolutas que moldaram o som dos anos 90.
  • Compositor de Elite Vencedor do Oscar: A segunda fase de sua carreira é tão celebrada quanto a primeira. Ao lado de seu fiel parceiro musical Atticus Ross, Reznor se transformou em um dos compositores de trilhas sonoras mais brilhantes e requisitados do cinema moderno. A dupla já venceu o Oscar de Melhor Trilha Sonora Original duas vezes: pela atmosfera imersiva de A Rede Social (2010) e pela experimentação de jazz da animação Soul (2020), além de também assinarem a música de produções aclamadas como Garota Exemplar e a aclamada série Watchmen.
  • Status de Lenda e Inovação Contínua: Ao contrário de muitos artistas de sua geração, Reznor sempre se recusou a viver apenas da nostalgia dos hits antigos. A criação do Nine Inch Noize prova exatamente isso: sua busca incessante por explorar novos limites criativos.

Reznor continua se reinventando — das guitarras pesadas às estatuetas do Oscar e, agora, comandando as pistas de dança no deserto — dará um tom de profundidade analítica excelente à sua cobertura jornalística.

Vale a pena conferir Ghost In The Machine (Boys Noize Remix). Esta faixa é um excelente exemplo da colaboração entre o Nine Inch Nails e o Boys Noize para a trilha sonora de Tron: Ares, mostrando exatamente a fusão sonora do projeto.

Boys Noize: O Mestre do Techno por Trás do Nine Inch Noize

Alexander Ridha é o produtor alemão globalmente conhecido como Boys Noize. De ícone do electro-house dos anos 2000 a colaborador de astros como Lady Gaga e Frank Ocean, ele traz sua maestria nos sintetizadores analógicos para a brutalidade sonora do novo supergrupo do Coachella 2026.

A Origem e a Revolução do Electro

Nascido Alexander Ridha, na Alemanha, Boys Noize despontou na cena global em meados dos anos 2000. Enquanto o mundo da música eletrônica estava focado em sons mais limpos, ele foi na contramão e ajudou a definir a era de ouro do electro-house e do techno mais agressivo. Em 2005, ele fundou sua própria gravadora, a Boysnoize Records (BNR), que se tornou um selo lendário para artistas independentes e um símbolo de liberdade criativa, revelando talentos e lançando batidas inconfundíveis e distorcidas que dominaram os festivais.

Um Currículo de Peso e Colaborações Pop

O que torna Boys Noize tão fascinante é a sua capacidade de transitar entre o underground mais obscuro e o topo das paradas pop sem perder a sua identidade áspera. Seu currículo de produções e parcerias impressiona qualquer crítico:

  • Dog Blood: Ele já tem vasta experiência em formar supergrupos em festivais. Ao lado de Skrillex, ele criou o projeto Dog Blood, misturando dubstep e acid techno com uma energia frenética.
  • Pop de Vanguarda: Ele foi um dos produtores fundamentais do álbum Chromatica (2020) de Lady Gaga, incluindo o megahit vencedor do Grammy “Rain on Me” (com Ariana Grande).
  • Versatilidade: Além de Gaga, ele já produziu e remixou faixas para nomes que vão de Frank Ocean e Snoop Dogg a Depeche Mode e Daft Punk.

Por Que a Fusão com Trent Reznor Faz Sentido?

A parceria no Nine Inch Noize não é um mero acaso de gravadora. Boys Noize é famoso por sua paixão por equipamentos de hardware antigos e sintetizadores analógicos — os mesmos que Trent Reznor usa para criar as texturas sombrias do Nine Inch Nails. Enquanto Reznor traz a angústia lírica e as guitarras industriais, Ridha injeta baterias eletrônicas espessas, linhas de baixo ácidas e um ritmo voltado puramente para fazer o público dançar. No palco do Coachella 2026, essa combinação se traduziu em um techno abrasivo, denso e cinematográfico, elevando o nível das performances de música eletrônica do evento.

Jack White

Jack White transformou o palco em um verdadeiro culto ao rock de garagem, banhado em luzes azuis e riffs estridentes. Sua performance foi visceral e sem pausas, misturando faixas de sua carreira solo com clássicos do The White Stripes, tudo guiado pela sua já conhecida fluidez de improviso. Como White é famoso por nunca usar um setlist fixo, quem for assistir à transmissão do fim de semana 2 pode esperar um show completamente diferente, com novas jams estendidas e arranjos reinventados na hora.

Diferente de muitos shows no Coachella que costumam apostar em diversas participações especiais, Jack White não recebeu convidados em sua apresentação no festival em 2026.

Na verdade, o próprio Jack White foi a grande participação “surpresa” do final de semana. Ele não estava no line-up original e foi anunciado de última hora para assumir o palco Mojave no sábado, estendendo o que seria um show de 45 minutos para uma hora completa de duração.

Ele subiu ao palco acompanhado apenas de sua banda de apoio (formada pelo baterista Patrick Keeler, o baixista Dominic Davis e o tecladista Bobby Emmett) e focou na energia crua do rock de garagem. Sem depender de participações, White sustentou o show entregando um setlist recheado de clássicos do The White Stripes (como Seven Nation Army e Fell In Love With A Girl), hits do The Raconteurs e novas faixas de sua carreira solo.

Moby

Apresentando uma fusão de nostalgia eletrônica e ativismo, Moby entregou uma experiência imersiva e emocionante. Acompanhado de vocalistas convidados e um espetáculo de luzes sincronizado a telões que exibiam mensagens de defesa dos direitos dos animais, ele revisitou clássicos do álbum Play que emocionaram tanto a plateia quanto quem assistia de casa. Para o próximo fim de semana, o público pode aguardar a mesma intensidade espiritual, possivelmente com a participação surpresa de grandes nomes da cena eletrônica para remixes ao vivo.

O grande destaque vocal que acompanhou o Moby no palco do Coachella 2026 (na tenda Mojave) foi o talentosíssimo Jacob Lusk, famoso por ser o vocalista principal do aclamado trio de soul e gospel contemporâneo Gabriels.

Lusk assumiu o microfone para entregar performances absolutamente arrepiadoras ao lado do produtor. Um dos momentos mais elogiados e compartilhados desse primeiro fim de semana foi a versão ao vivo do clássico Natural Blues. A voz imponente, cheia de alma e presença de Lusk roubou a cena e trouxe uma nova dimensão à faixa.

Além da energia lá em cima, ele também foi o responsável pelos vocais na melancólica When It’s Cold I’d Like to Die. Foi um momento profundamente emocionante que fez o público silenciar e levou muita gente às lágrimas, tanto no deserto da Califórnia quanto assistindo pela transmissão oficial em casa.

Essa parceria de palco, inclusive, não foi por acaso e celebra o trabalho recente de estúdio dos dois. Jacob Lusk é um dos colaboradores do mais novo álbum do Moby, Future Quiet, lançado no início de 2026, onde gravou justamente uma nova roupagem orquestral para When It’s Cold I’d Like to Die. A junção da bagagem da música eletrônica com o peso vocal de Lusk foi definitivamente um dos momentos mais marcantes do festival.

FKA Twigs

Sempre um passo à frente na vanguarda do art-pop, FKA Twigs protagonizou um dos shows mais deslumbrantes do Coachella 2026. A transmissão capturou cada detalhe de sua coreografia envolvendo pole dance acrobático e vocais etéreos que pareciam flutuar sobre as batidas desconstruídas. Para a segunda rodada, espera-se que a artista refine ainda mais a precisão técnica de seus dançarinos e talvez apresente figurinos alternativos, consolidando sua apresentação como a mais teatral do festival.

FKA Twigs estava confirmadíssima para o line-up do Coachella do ano passado, mas precisou cancelar de última hora a sua participação (junto com o restante de seus planos originais para a Eusexua Tour nos Estados Unidos) devido a graves problemas de visto de sua equipe. Na época, ela descreveu a situação como “catastrófica” e um dos momentos mais dolorosos de sua carreira, chegando a abrigar nove de seus dançarinos em sua própria casa em Londres após a interrupção abrupta dos trabalhos.

Mas essa longa espera e a frustração do ano passado fizeram com que o show de 2026 (agora como parte da Body High Tour) fosse ainda mais apoteótico e carregado de catarse. Fechando a tenda Mojave na noite de domingo com um set de 75 minutos, Twigs entregou o que a crítica já aponta como uma das performances mais artísticas e viscerais desta edição.

O show da FKA Twigs foi um dos mais refinados de todo o festival em 2026. Foi um verdadeiro triunfo de superação após o trauma do cancelamento de 2025, provando que ela é hoje uma das performers de vanguarda mais completas e impactantes da música pop global.

  • Intensidade Física e Teatralidade: A apresentação foi muito além de um show de música, foi um espetáculo físico absurdo. Ela não apenas executou as suas já tradicionais e exigentes acrobacias no pole dance, como também girou sobre outros dançarinos (como em Love Crimes) e chegou a empunhar uma espada no palco. Tudo isso foi embalado por trocas de figurinos dramáticas, culminando em um deslumbrante vestido farto de penas.
  • Homenagem à Cultura Ballroom: No meio do set, a cantora transformou o palco do Coachella em uma pista de dança, prestando uma bela homenagem à cultura ballroom e à comunidade LGBTQIA+. Misturando faixas como oh my love com honda e papi bones, a coreografia foi efervescente e traduziu perfeitamente o conceito de eusexua (que ela define como o estado de euforia que transcende a forma humana).
  • Discurso Emocionante: Uma das falas que mais viralizou da transmissão foi o seu contato direto com a plateia. Twigs declarou que, ao olhar para o público durante a turnê no último mês, não via apenas “fãs”, mas sim uma verdadeira “comunidade”. Ela celebrou o fato de estar diante de pessoas de mente aberta, artística e pronta para evoluir “contra todas as probabilidades”.
  • O Clímax em Cellophane: O momento mais vulnerável e arrepiador ficou para o final. Twigs encerrou o show sozinha no palco cantando Cellophane. Tendo se desvencilhado do grande vestido de penas, ela ficou focada apenas no pole dance e na potência de seus vocais, entregando a música visivelmente à beira das lágrimas.

Sabrina Carpenter

Sabrina Carpenter dominou o palco com um carisma magnético e uma estética impecável, provando por que é uma das maiores forças do pop atual. O show foi uma sucessão de refrões virais, coreografias polidas e momentos de pura conexão com a câmera, o que traduziu perfeitamente a energia do deserto para as telas. No segundo fim de semana, a expectativa gira em torno de possíveis mudanças e, claro, novos figurinos deslumbrantes que certamente dominarão as redes sociais.

O show da Sabrina Carpenter no Coachella 2026 foi um verdadeiro espetáculo teatral apelidado de “Sabrinawood”. Ela misturou o glamour da Velha Hollywood com muito humor e uma produção de cair o queixo.

Participações Especiais: O momento cômico de Will Ferrell

Em vez de focar em grandes colaborações musicais, Sabrina surpreendeu ao trazer astros de Hollywood para enriquecer a narrativa cinematográfica de sua apresentação:

  • O “Eletricista” Will Ferrell: O grande momento viral aconteceu logo após a sensual performance de “Bed Chem”. As luzes do palco se apagaram de propósito, simulando um curto-circuito. Foi então que Will Ferrell surgiu na passarela vestido com um uniforme de manutenção, arrastando um enorme cabo de energia. Com muito mau humor, ele resmungou que aquilo era “típico do Coachella”, reclamou que alguém devia ter derramado uma Diet Coke na mesa de som e ainda perguntou se alguém na plateia tinha um quarto sobrando no Airbnb. Ele tentou acender um cigarro, mas o forte vento do deserto não deixou, fazendo-o desistir com um “fumar faz mal para a saúde mesmo”. Após a comédia, ele “consertou” a energia, revelando um novo e deslumbrante cenário inspirado em letreiros da Broadway.
  • Outros Nomes de Peso: O set contou também com a voz profunda do veterano Sam Elliott, que interpretou um policial interrogando Sabrina no vídeo de introdução, e com um monólogo em vídeo da icônica Susan Sarandon, que interpretou uma versão mais velha da cantora em um segmento focado na passagem do tempo.

Alta Costura no Deserto: Os Looks da Dior

A moda foi um show à parte e merece destaque. Assinando os figurinos para um dos palcos mais observados do mundo, o renomado estilista Jonathan Anderson criou quatro looks sob medida da Christian Dior para Sabrina, todos com fortes referências retrô:

  1. O Início Vibrante: Ela abriu o show com um peacoat (casaco de lã) vermelho estruturado, que logo foi removido para revelar um minivestido vermelho coberto de paetês com mangas curtas.
  2. Glamour Anos 70: A segunda troca a levou para a estética do Studio 54: um minivestido de paetês dourados com amplas mangas de chiffon em tom champanhe.
  3. Estética Boudoir: Para as coreografias mais intimistas (com uso de cadeiras), ela surgiu em um top de franjas com miçangas brancas e uma saia fluida.
  4. Vanguarda Rendeira: O visual de encerramento foi o mais dramático de todos. Sabrina vestiu um bodysuitcorseletado de renda preta, acompanhado de uma capa de renda escultural e vanguardista.

O Repertório: A Consolidação Pop em ‘Sabrinawood’

O setlist de cerca de 20 músicas foi desenhado para provar sua capacidade de prender o público durante os 90 minutos de um show principal.

  • Os Hits: A abertura contou com a imersiva “House Tour“, emendando sucessos inegáveis como Taste, Manchild, Please Please Please e Feather.
  • Humor em Juno: Conhecida por brincar com diferentes “posições” de ioga no palco durante essa faixa em sua turnê, no Coachella ela surpreendeu a todos ao sentar-se e fazer uma pose de meditação profunda, arrancando risos da multidão.
  • O Encerramento Grandioso: O ápice ficou para o final com o megahit Espresso e a dramática Tears. Durante a última música, a cantora terminou completamente ensopada, cantando de dentro de um banco de carro que se transformou em uma fonte de água no meio do palco.
  • A Grande Omissão: Curiosamente, seu hit Nonsense (famoso pelos improvisos atrevidos no encerramento) ficou de fora do repertório, um reflexo claro de que ela já possui hits suficientes para abrir mão de uma favorita dos fãs em prol da narrativa de Sabrinawood.

Sombr

Trazendo um respiro melancólico e intimista para a grandiosidade do festival, Sombr entregou um show profundamente emocional. As texturas indie e os vocais carregados de sentimento criaram uma atmosfera hipnótica, que funcionou surpreendentemente bem no fim de tarde, capturando a transição da luz no deserto. Com o boca a boca gerado após essa primeira apresentação, o fim de semana 2 promete uma plateia ainda maior e mais engajada, pronta para cantar junto as letras introspectivas do projeto.

A Ascensão de Sombr e o Grammy 2026

Por trás do nome Sombr está Shane Michael Boose, um talentoso cantor, compositor e produtor de 20 anos, nascido e criado em Nova York. Diferente de muitos artistas pop da atualidade, sua sonoridade possui texturas densas e melancólicas de indie rock, carregando influências de ícones da velha guarda como Radiohead e The Velvet Underground.

Sombr foi indicado na prestigiada categoria de Best New Artist (Melhor Artista Revelação) no Grammy Awards de 2026. Essa é considerada uma das quatro principais categorias da premiação (parte do seleto grupo conhecido como Big Four) e coroa o sucesso estrondoso de seu álbum de estreia, I Barely Know Her, além da imensa repercussão de faixas como 12 to 12 e Back to Friends, que o catapultaram da cena indie direto para o estrelato global.

Sua carreira decolou em 2022 quando a faixa Caroline, produzida inteiramente em seu quarto, viralizou de forma massiva no TikTok, colocando grandes gravadoras atrás dele. O trabalho árduo e a estética crua de suas músicas culminaram em um marco gigantesco: além de ser indicado ao Grammy 2026 (sendo um dos grandes favoritos da crítica alternativa) realizou uma performance elogiada de seu hit 12 to 12 — do álbum de estreia I Barely Know Her — no palco da premiação este ano.

O Figurino: Alta Costura da Valentino no Deserto

Sombr não poupou na estética e entregou um dos visuais masculinos mais comentados da edição. Ele subiu ao palco usando um look exclusivo da Valentino, dando continuidade à sua parceria com o diretor criativo Alessandro Michele.

Avaliando o impacto visual, a produção foi um acerto em cheio para a atmosfera do show: uma mistura perfeita e arrojada de atitude rock com a precisão da passarela, trazendo alfaiataria estruturada, recortes em couro e transparências em renda.

A Participação Histórica de Billy Corgan

O show atingiu seu ápice de euforia com a participação de Billy Corgan, vocalista e líder dos The Smashing Pumpkins. Curiosamente — e de forma impressionante — esta foi a primeira vez que Corgan pisou em um palco do Coachella em toda a sua carreira, tornando o momento ainda mais lendário para a história do festival.

  • O Repertório Conjunto: O veterano e o novato dividiram os vocais e as guitarras para apresentar a faixa “Speed” e proporcionaram um momento apoteótico ao tocarem 1979, clássico absoluto dos anos 90 do The Smashing Pumpkins, que também voltou com força total nas redes sociais atuais.
  • A Energia: A conexão no palco representou um verdadeiro encontro de gerações do rock alternativo, rendendo a Sombr a bênção definitiva de um de seus grandes heróis musicais.

Sombr não recebeu outros convidados em sua apresentação. Essa foi uma escolha inteligente: ele guardou o peso da única participação surpresa para uma lenda da música, garantindo que o restante do show focasse na potência de sua própria banda com hits enérgicos como Homewrecker, Back to Friends e, claro, o estrondoso encerramento com 12 to 12.

Com certeza! Essa foi, sem dúvida, a parte mais polarizadora e comentada de todo o festival. O retorno de Justin Bieber aos palcos não seguiu a cartilha tradicional dos headliners e gerou um debate enorme na internet.

Se você vai cobrir esse momento na sua matéria, aqui estão os detalhes cruciais sobre o que realmente aconteceu, por que aconteceu e como o público reagiu. O texto abaixo está no formato ideal para você adicionar ao seu portal:

Justin Bieber: Minimalismo, Karaokê no YouTube e a polêmica dos Direitos Autorais

Em vez das megaproduções com dezenas de dançarinos, fogos de artifício e trocas de figurino elaboradas (como o espetáculo teatral de Sabrina Carpenter), Justin Bieber apostou em uma direção artística que muitos descreveram como uma “anti-performance”.

Para o seu aguardado retorno aos grandes palcos, após o cancelamento de sua turnê em 2022, ele optou por um minimalismo extremo. O grande destaque visual do palco não foi um cenário, mas sim um adereço inusitado: uma mesa e um MacBook conectado à internet.

O Momento “Zoom” e o Karaokê no YouTube

Durante uma parte significativa do set (que durou cerca de 20 a 30 minutos), Bieber sentou-se à mesa e a tela gigante do Coachella passou a transmitir a tela do seu computador. Ele literalmente abriu o YouTube no palco, pesquisou por seus clipes mais antigos — como Baby, Favorite Girl, Confident e Sorry — e ficou assistindo junto com a multidão.

A dinâmica foi a seguinte: ele dava play no vídeo, cantava junto no microfone por cerca de um minuto em estilo karaokê, parava e procurava o próximo vídeo. Em alguns momentos, ele até parou para rir e reagir a memes sobre si mesmo na internet.

Por Que Ele Fez Isso? (O Romantismo vs. A Teoria do Contrato)

Existem duas grandes narrativas explicando essa escolha artística bizarra e fascinante:

  1. Homenagem às raízes: A explicação mais artística é que o momento foi uma ode à sua própria história. Justin Bieber é o maior caso de sucesso da era da internet, tendo sido descoberto justamente postando vídeos caseiros no YouTube. Para parte da crítica, foi um jeito inteligente de celebrar sua jornada.
  2. A teoria dos Direitos Autorais: A imprensa britânica levantou uma explicação muito mais pragmática. Em dezembro de 2022, Bieber vendeu todo o seu catálogo musical (lançado até 2021) para a Hipgnosis Songs Capital por cerca de 200 milhões de dólares. Especula-se que, por não possuir mais os direitos dessas faixas antigas, ele enfrentasse restrições legais para apresentá-las integralmente na transmissão ao vivo oficial do festival. Não à toa, os únicos blocos em que ele se levantou e cantou no show ao vivo com a banda completa foram dedicados exclusivamente às faixas de seus álbuns mais recentes (Swag e Swag II), lançados após a venda do catálogo.

A Reação Dividida do Público

Nas redes sociais, o show dividiu opiniões de forma drástica. De um lado, a base de fãs mais fiel defendeu a performance como “lendária”, “nostálgica” e focada no que importa: os vocais maduros de Justin, que soaram impecáveis.

Do outro lado, as críticas foram ferozes. Muitos usuários chamaram a atitude de “preguiçosa”, criando memes comparando o headliner do Coachella a um funcionário em uma “chamada de vídeo corporativa no Zoom”. O contraste da simplicidade do show com o cachê estimado de 10 milhões de dólares que ele recebeu para liderar o sábado de festival foi um dos assuntos mais debatidos do fim de semana.

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