



País colonizou a maior parte da América Latina, perseguiu a população indígena e até hoje demonstram discriminação e pouco respeito aos animais
O brasileiro não está conseguindo lidar com a frustração pela eliminação da seleção de futebol na Copa do Mundo 2026 ainda nas primeiras fases do campeonato.
Ao invés de canalizar essa energia para exigir uma resposta da CBF, a grande culpada por esse resultado vergonhoso, torcedores voltam seu recalque para a rivalidade entre Brasil e Argentina. Com a desculpa de torcer contra a seleção da Argentina, torcedores vem defendendo países que são responsáveis por diversos pontos indefensáveis.
Uma das justificativas dos brasileiros para torcerem contra a Argentina seriam as diversas demonstrações de racismo que tem sido vistas em cidades brasileiras por turistas argentinos. No entanto a Espanha não fica atrás dos argentinos no quesito racismo, na verdade parece que são bem piores, principalmente se levar em conta há quanto tempo já estão agindo dessa maneira.
Espanhóis colonizaram a maior parte da América Latina, sempre subjugando os povos originários. Por exemplo, em Cuzco, no Peru, existe um ponto turístico chamado Qorikancha. Esse monumento é uma obra da arquitetura Inca e um dos mais importantes complexos arqueológicos sagrados dessa cultura. Os espanhóis construíram uma igreja católica exatamente sobre o Qoricancha com o intuito de subjugar até mesmo a religião da população Inca.
Além da perseguição milenar dos espanhóis no próprio país contra judeus, muçulmanos e hoje imigrantes de qualquer nacionalidade ou credo, muitos espanhóis destilam a discriminação de diversas formas. O jogador brasileiro Vinícius Júnior tem sido alvo constante e severo de racismo na Espanha desde que chegou ao Real Madrid, em setembro de 2018. Esses ataques incluem cânticos em estádios, insultos nas ruas e até bonecos com a camisa do jogador pendurados em pontes.
Os ataques são tão frequentes que partidas chegaram a ser interditadas. Episódios recentes ocorreram em confrontos contra o Real Valladolid e até mesmo em jogos da Champions League fora de casa, onde o jogador precisou relatar os abusos à arbitragem. Outro caso marcante é o do boneco enforcado: em um ato extremo, torcedores do Atlético de Madrid penduraram um boneco representando o jogador em uma ponte. A Justiça da Espanha condenou quatro pessoas responsáveis pelo crime de ódio e ameaça.
As demonstrações racistas contra Vini Jr não ficaram impunes devido à ação do jogador que já denunciou mais de 20 ataques racistas. A Justiça espanhola, que costumava demorar para punir os agressores, já registra condenações inéditas para crimes de ódio no futebol, com torcedores recebendo penas de prisão e sendo proibidos de entrar em estádios.
A luta do jogador ganhou apoio global. Instituições, outros clubes e jogadores de diversas partes do mundo se manifestaram contra a postura hostil e racista que o atleta enfrenta no futebol espanhol. Vini Jr. frequentemente destaca que não se trata de incidentes isolados, mas de um problema estrutural e desumano. Ele se tornou o principal símbolo da luta contra o racismo no futebol mundial.
No Brasil Vini Jr criou o Escritório Antirracista, um projeto social do Instituto Vini Jr. voltado para a defesa de vítimas de racismo. A iniciativa oferece apoio jurídico e orientação de forma gratuita para pessoas que sofrem discriminação, com foco inicial nos ambientes de esporte e educação. O Escritório Antirracista foi estruturado com os seguintes objetivos:
- Acolhimento e Orientação: Oferecer assistência especializada para quem sofreu crimes de racismo.
- Acesso à Justiça: Dar suporte para que as vítimas saibam como formalizar denúncias e garantir que não fiquem sozinhas.
- Foco no Esporte e Educação: Atuar fortemente em casos que ocorrem em escolas, projetos esportivos e estádios.
A data de lançamento do projeto, 13 de maio, foi escolhida por um motivo especial. Além de marcar o Dia da Abolição da Escravatura no Brasil, a data também celebra marcos importantes na carreira do jogador — como a sua estreia profissional pelo Flamengo e a assinatura de contrato com o Real Madrid. O projeto busca transformar a luta pessoal do atleta contra o preconceito em uma rede de apoio estruturada para toda a sociedade.
Além da questão racial, o povo espanhol mantém tradições que deixam os defensores dos direitos dos animais de cabelo em pé. Por um lado as tão famosas touradas e de outro a utilização dos cães da raça Podenco como caçadores de animais roedores.
Acidentes graves nas arenas e mortes nas festas populares reacendem periodicamente o debate sobre a violência, a segurança dos participantes e a crueldade contra os animais, mantendo o tema das touradas em constante discussão na sociedade espanhola.
A luta pelo fim das touradas na Espanha é um debate cultural e político intenso. De um lado, defensores dos direitos dos animais exigem a abolição da tauromaquia. Do outro, entusiastas e políticos conservadores lutam para proteger a tradição. A prática tem perdido popularidade, resultando em quedas de público e divisões governamentais.
Os cachorros da raça Podenco também estão na mira dos defensores dos direitos dos animais. Os Podencos são de uma raça antiga de cachorros de caça espanhóis. Eles se parecem com o cachorros da raça Galgo, mas são mais encorpados. São cachorros usados na temporada de caça e depois disso são abandonados. Existem hoje na Espanha várias instituições de apoio e acolhimento aos Podencos que podem se tornar cães de estimação muito amorosos. Os cachorros Podenco não tem os mesmos direitos que os cachorros de outras raças na Espanha.
Racismo e atitudes de agressão e tortura de animais… Que povo lindo e faceiro o espanhol. Será que torcer pela seleção espanhola é a solução para a seleção brasileira voltar a jogar o futebol “arte” pelo qual ficou conhecida?
Que tal pesquisar melhor sobre a CBF, a Confederação Brasileira de Futebol? É a entidade máxima que organiza e comanda o futebol no Brasil. É a CBF que escolhe o técnico da seleção e define toda a comissão técnica. Também são eles que decidem quais jogadores serão chamados para vestir a camisa do Brasil, jogadores estes que vão cantar o hino nacional.
A seleção é o principal produto de marketing da CBF, gerando bilhões de reais através de patrocínios e direitos de transmissão. A entidade usa esse lucro para financiar o futebol brasileiro e manter sua própria estrutura.
Por ter o direito exclusivo sobre o nome e a marca da Seleção Brasileira, a confederação decide onde a equipe vai jogar, quais amistosos vai disputar e com quais marcas vai se associar.
As decisões dentro da CBF são tomadas principalmente pelos presidentes das federações estaduais de futebol, e não pelos clubes ou jogadores. Isso significa que a forma como a seleção é comandada depende muito da política interna desses dirigentes.
Ao longo dos anos, a entidade ganhou grande poder e influência global, sendo considerada uma das organizações esportivas mais valiosas do mundo. Tão valiosa que apresenta um time de jogadores que mal se conhece, não tinha um técnico definido até maio de 2025, pouco mais de um ano antes da Copa do Mundo. De dezembro de 2022 até agora passaram pela seleção quatro técnicos diferentes, sendo que Fernando Diniz nem foi exclusivo da seleção, ele dividia o cargo com seu trabalho como treinador do time do clube Fluminense.
Me parece que a CBF, essa entidade tão “valiosa” do futebol mundial, tem muito a responder aos brasileiros depois dessa participação vergonhosa na Copa do Mundo de 2026.
Não vai ser torcendo pelos rivais da Argentina que a seleção brasileira de futebol vai resolver seus inúmeros problemas de gestão.
