Schiaparelli Alta Costura Primavera Verão 2026


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Coleção foi inspirada na Capela Sistina

O desfile de Alta Costura Primavera-Verão 2026 da Schiaparelli, apresentado por Daniel Roseberry no final de janeiro em Paris, teve o título The Agony and the Ecstasy (A Agonia e o Êxtase). A coleção mergulhou em um surrealismo visceral, trocando a contenção de coleções passadas por uma explosão de emoção e formas animais.

A Inspiração: Michelangelo e o Visceral

O ponto de partida de Roseberry foi uma visita à Capela Sistina, em Roma. Ele se sentiu impactado pela tensão entre a ordem das paredes e a “explosão” criativa do teto de Michelangelo.

  • O Conceito: O designer buscou silenciar o pensamento racional para focar no que se sente ao criar. O resultado foi uma coleção que Roseberry descreveu como “terrivelmente requintada”, unindo o sagrado ao animalesco.

Destaques da Passarela: Criaturas Híbridas

A coleção abandonou o romantismo floral tradicional da primavera em favor de uma estética de predadores e quimeras.

  • As “Irmãs Escorpião”: Um dos momentos mais virais foram as jaquetas e bustiês que traziam caudas de escorpião tridimensionais monumentais, cobertas de cristais e agulhas de prata, que balançavam conforme as modelos caminhavam.
  • O Vestido “Isabella Blowfish”: Uma homenagem à icônica Isabella Blow, o look simulava um peixe-baiacu em estado de defesa, com espinhos de organza e cristais.
  • Pássaros da Noite: Penas foram o material estrela. Um vestido de gala azul e preto consumiu 8.000 horas de trabalho e 65.000 penas de seda aplicadas à mão. Outros looks traziam bicos esculpidos em resina e olhos de cabochão, transformando as modelos em seres alados.

Joias: O Retorno do “Roubo do Louvre”

Um detalhe que gerou muito “burburinho” foi o uso de joias inspiradas em peças históricas roubadas do Museu do Louvre no ano anterior.

  • A musa da temporada, Teyana Taylor, apareceu com recriações esculturais de itens desaparecidos, como a tiara de pérolas da Imperatriz Eugénie. Roseberry usou a arte para “recuperar” simbolicamente o patrimônio perdido, transformando a perda em força criativa.

A imprensa recebeu a coleção com fascínio, embora alguns tenham notado que a quantidade de ideias era tão vasta que a harmonia do desfile, por vezes, parecia comprometida. No entanto, o consenso é que Roseberry reafirmou seu lugar como o grande mestre do espetáculo na moda atual.

Não é uma moda para o dia a dia; é um convite para parar de pensar e começar a sentir.

Daniel Roseberry

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