Erotismo, perversão e religião em pauta na mostra Márcia X Revista

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Exposição imperdível faz retrospectiva de uma das mais importantes artistas de performance no Brasil

marciaxO Paço Imperial do Rio tem vários motivos pra ser visitado este mês. Além da exposição pop A Imagem do Som, com obras de vários artistas decodificando músicas de Dorival Caymi, que podem ser escutadas em discman, o museu tem a exposição imperdível Márcia X. Revista, que vai até 29 de janeiro.

A artista performática carioca Márcia X. morreu em 2005 e foi uma desbravadora no campo da arte de performance e instalações. Cláudia Saldanha e Ricardo Ventura foram os curadores da mostra que reúne objetos, instalações e vídeos de Márcia X. produzidos em 25 anos de carreira. São cinco salas do Paço com obras espalhadas por 694m².

Márcia X. é um pioneira na arte performática no Rio de Janeiro. São 15 vídeos que estão em exibição no Paço registrando suas performances, como a última que ela fez, em 2004: Cadeira Careca/Le Chaise Chouve. Em parceria com Ricardo Ventura, que era também seu marido, a artista “barbeou”, ou seja, retirou o pêlo de uma chaise longue Le Corbusier de couro de vaca, que foi colocada nos pilotis do Edifício Gustavo Capanema, que foi projetado pelo renomado arquiteto. A homenagem é para Le Corbusier e também para a artista surrealista suiça Meret Oppenheim e sua obra Dejeuner en Fourrure. A arte de Márcia X. tem influência do surrealismo e do dadaismo, além de forte apelo ao imaginário infantil. Várias de suas peças convidam o espectador a assumir uma postura infantil para que sejam entendidas e apreciadas.

Pela exposição do Paço textos de Lauro Cavalcanti, Ricardo Basbaum, Glória Ferreira, Tunga, Alex Hamburguer, Adolfo Montejo Navas, Marisa Florido, Ana Teresa Jardim, Luiza Duarte e poesias de Chacal e Guilherme Zarvos, entre outros, apresentam as obras, cadernos de anotações e projetos inéditos.

Cozinhar-te foi a primeira performance de Márcia X, em 1980, no 3º Salão Nacional de Artes Plásticas, no qual conquistou o prêmio Viagem ao País. Em 1983 ela causou perplexidade ao jogar notas de dinheiro (CR$ 5) de um prédio na esquina da Av. Rio Branco com Nilo Peçanha, no centro do Rio. Em parceria com Alex Hamburguer fez a internvenção Triciclage – Música para duas bicicletas e pianos, quando entrou em cena em um pequeno velocípede durante apresentação de John Cage e Jocy de Oliveira, da peça Winter Music, de autoria de Cage, na Sala Cecília Meireles, no Rio. Alex Hamburguer foi parceiro da artista por muito tempo com quem realizou os trabalhos Sex Manisse,  Macambíada, Pathos, Paixões Paranormais e J.C.Contabilidade

Até 1985 Márcia X. usava seu nome de batismo, Márcia Pinheiro. Na época havia uma outra Márcia Pinheiro no Rio, estilista. Nesse ano Márcia comoçou a adotar o nome X.Pinheiro. Na Bienal do Livro daquele ano Márcia fez uma performance com Alex Hamburguer onde ela usou “não roupas”, e acabou ficando nua. A Márcia Pinheiro estilista retrucou dizendo que se dedicava a vestir e não despir as pessoas e portanto a artista Márcia passou a ser Márcia X.

O que? Márcia X. Revista
Quem?
Retrospectiva da artista plástica carioca Márcia X.
Quando?
Até 29 de janeiro. De terça a domingo das 12h às 18h.
Onde?
Paço Imperial:Praça XV de Novembro, n° 48. Centro – Rio de Janeiro. Tel. 21-2533-4407
Quanto?
Grátis

São desta época suas participações no CEP 20.000, evento de poesia capitaneado por Chacal e Guilherme Zarvos, no Espaço Cultural Sérgio Porto. Dentre suas performances estavam Rambo/Rimbaud, OVIDEO e Lovely Babies. Durante os anos 90 Márcia X. iniciou uma de suas mais marcantes séries – Fábrica Fallus – que continuou a desenvolver até 2005.

A instalação Os Kaminhas Sutrinhas, que está em exibição no Paço e é uma das mais divertidas, é também um dos mais importantes trabalhos da carreira de Márcia X., exibida inicialmente em 1995 no Espaço Cultural Sérgio Porto, no Rio.

Nos anos 90 Márcia deslanchou com exposições individuais e mostras no Rio, em S.Paulo e em Porto Alegre. Em 2001 Márcia X. e Ricardo Ventura  realizaram as coletivas Orlândia e Nova Orlândia, reunindo artistas num imóvel vazio e em obras. Curadores e críticos de arte também participaram da mostra e estas exposições foram consideradas por muitos as mais importantes do ano. O evento teve uma seqüência em 2003 com a coletiva Grande Orlândia – Artistas Abaixo da Linha Vermelha, a terceira e última da série. Em 2002 realizou a obra Complexo do Alemão, em parceria com Ricardo Ventura, como parte do evento Riocenacontemporânea. 
 
A partir de 2000 Márcia X. viu reconhecido seu trabalho por parte da crítica especializada. Inúmeros convites se seguiram e, entre os mais importantes podem ser destacadas suas participações no Panorama das Artes (São Paulo e Rio) com a performance Pankake, na Bienal do Mercosul (Porto Alegre), com a performance Ação de Graças, e na exposição Os 90 (Rio), com a instalação Reino Animal. É deste ano a performance Desenhando com Terços, realizada pela primeira vez na Casa de Petrópolis. Nela Márcia X., de camisola branca, usou 400 terços para realizar desenhos de pênis no chão em uma sala de cerca de 20 metros quadrados.
 

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