Bitsmag conversa com Carl Craig

Bitsmag

carl-craig.jpg

(entrevista realizada em 18/08/2005) 

Carl Craig é uma das estrelas do Nokia Trends 2005, na edição carioca, que acontece dia 24 de setembro no Cais do Porto, Rio de Janeiro. O DJ e produtor é um dos representantes do techno de Detroit, considerado da segunda leva, discípulo do pioneiro Derrick May. O techno de Carl Craig é recheado de influências musicais diversas absorvendo a diversificada cena musical de Detroit, principalmente no que se refere a jazz e soul.

Alter egos como produtor incluem os projetos BFC, Psyche, Paper Clip People, 69, Designer Music e Innerzone Orchestra com os quais experimentou não somente o techno, mas também o jazz e o drum’n bass, principalmente na faixa visionária Bug in the Bassbin de 1992, considerada um passo adiante no gênero, separando-o do ragga e do hardcore existentes então no jungle.

Seu selo, o Planet E, tem lançado não somente seus trabalhos como também de vários artistas de techno e house como Kevin Saunderson, Alton Miller e Moodyman (este pertencente à terceira leva de produtores de electronica de Detroit, mais houseiros).

O mais bem sucedido festival de música eletrônica dos Estados Unidos, o Detroit Electronic Music Festival, que aconteceu em 2000 e 2001, teve direção artística de Carl Craig. Em 2002 a direção artística ficou a cargo de Derrick May, por indicação do próprio Carl Craig, que foi desligado do evento pela organização causando uma grande controvérsia na comunidade de música eletrônica de Detroit. Em 2004 o festival passou a se chamar Movement e este ano Fuse In. Derrick May se demitiu do posto de diretor artístico e Kevin Saunderson assumiu.

Hoje Carl Craig continua tocando pelo mundo, principalmente na Europa e continua com sua produções, sempre tentando dar um passo adiante, como ele próprio descreve aqui nesta breve conversa com o Bitsmag.

Bitsmag: Porque Detroit é um lugar tão prolífico em termos de música? Não é só a cena techno que tem suas raízes lá, mas também a Motown e grandes nomes da música pop como Madonna, Iggy Pop e Stevie Wonder.

Carl Craig: Eu acredito que isso acontece porque Detroit não é uma grande cidade em comparação com N.York ou L.Angeles. N.York é muito rica musicalmente mais porque as pessoas são "transplantadas" para lá, portanto tem muita gente de Detroit, de Chicago e de outros lugares. Em Detroit a maioria das pessoas nasceram ali e não têm muito o que fazer, então a allternativa é se concentrar no talento. Muitas pessoas começam considerando a música um hobby, mas acaba se tornando algo mais.

Bitsmag: Em 2003 você produziu um trabalho de jazz, o Detroit Experiment. O que fez você optar pelo jazz em detrimento do techno?

Carl Craig: Eu já trabalhava com outros tipos de música quando produzi Naomi-Daniel em 1995/1996. Depois fiz os trabalhos com a Innerzone Orchestra, Programed e Bug In The Bassbin, nos quais usei um baixista do Marcellus Group e um baterista da Sun Ra Arkestra. Já tinha trabalhado várias vezes com músicos de jazz, portanto o Detroit Experiment foi uma coisa lógica que acabei fazendo, não foi uma experiência arriscada. Fazer música eletrônica é algo que adoro fazer, mas adoro jazz também. Tento ser um produtor versátil.

Bitsmag: A cena da música eletrônica anda passando por momentos difíceis em termos de vendas de discos e de audiência em eventos. Porque você acha que as pessoas não estão mais tão interessadas em música eletrônica hoje em dia?

Carl Craig: Acho que isso está acontecendo tanto com a música eletrônica quanto com a música comercial em geral. As pessoas que estão interessadas em nova música hoje querem mais dramatricidade, algo na música que a torne mais humana. A música eletrônica, que na maioria dos casos não tem vocais, é um pouco mais difícil de entender. E depois do problema do 11 de setembro nos Estados Unidos e a situação mundial eu acho que as pessoas estão querendo gastar seu dinheiro com algo menos arriscado em termos de música, como o hip hop que é mais fácil de entender.

Bitsmag: Qual será o futuro do techno?

Carl Craig: Eu não sei, não tenho idéia. Acho que o meu futuro é revirar tudo de novo e revolucionar o mais que puder. Mas o futuro do techno eu não tenho idéia qual vai ser.

Bitsmag: O que vocês andam fazendo hoje em dia no selo Planet E? Estão lançando novos discos e novos artistas?

Carl Craig: O selo Planet E Classics é focado nos lançamentos do passado do selo, temos lançados várias faixas do selo Classics. Lançamos recentemente um EP com produções minhas chamado Just Another Day que terá novos remixes no próximo mês. São remixes das faixas Darkness e Angel. O selo em si tem se dedicado mais às minhas próprias produções, no mesmo estilo do selo Axis de Jeff Mills. Dessa forma é muito mais fácil de administrar o selo. Estaremos introduzindo novos artistas em 2006, ainda não sei exatamente quando.

Bitsmag: O que você espera do público em sua apresentação no Rio, no festival Nokia Trends?

Carl Craig: Acho que vai ser uma ótima platéia no Rio. A dança é parte da cultura brasileira, está no dia a dia, os ritmos, etc. Acho que os brasileiros estarão bem abertos aos ritmos que serão tocados nessa noite.

Bitsmag