Gisele Bündchen agora é extrema-direita?


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Imagem da nossa über modelo anda chamuscada após publicação de foto ao lado de Ivanka Trump

Estou triste pelo que está acontecendo com a imagem de Gisele Bündchen. Cobri moda por muitos anos e posso dizer que fui destratada e desrespeitada por 90% da indústria, mas pela Gisele não, e olha que é a pessoa mais famosa/poderosa com quem eu conversei nesse meio.

Ela nem sabia quem eu era, me aproximei no camarim de um desfile. Gisele e todas as modelos estavam prestes a entrar na passarela. Ela não tinha motivo nenhum pra sequer olhar pra minha cara, mas ela não só conversou comigo como foi super delicada. Essa atitude eu acredito que a acompanha até hoje e é um dos ingredientes do seu sucesso.

Gisele Bündchen foi grande numa época em que política não era o assunto mais em pauta, as pessoas não eram rotuladas de “esquerda” ou “de direita”. Bons tempos aqueles…

A über modelo agora está sendo taxada como simpatizante da extrema direita por conta de ter nascido no sul do Brasil, por ter se casado com Tom Brady, que tem uma amizade com o presidente americano Donald Trump e por ter recentemente aparecido em fotos ao lado de Ivanka Trump.

O fato do novo marido de Gisele ser professor de jiu-jitsu e administrador de um clube de tiro não ajuda. Não se sabe se ele é de direita ou esquerda.

Gisele está sendo julgada através de estereótipos. Na internet a modelo está sendo taxada de extrema-direita, sem nenhuma prova. O que estaria ocasionando essa distorção na imagem de Gisele, que já foi apoiadora de Marina Silva na campanha de 2010?

Na verdade Gisele é progressista e já teve inclusive um conflito direto com Jair Bolsonaro, largamente noticiado na imprensa brasileira. Na transição para a presidência de Jair Bolsonaro, em 2018, Gisele criticou publicamente as políticas ambientais que estavam sendo discutidas e chegou a ser chamada de “má brasileira” pela então ministra da agricultura, Tereza Cristina. A modelo rebateu dizendo que “mau brasileiro é quem desmata”, defendendo a preservação da Amazônia, uma pauta que historicamente a coloca em oposição à agenda da direita conservadora no Brasil.

Durante o casamento com Tom Brady, surgiram rumores de que o casal apoiava Donald Trump. Gisele negou isso veementemente em 2016. Quando questionada no Instagram se ela e o marido votariam em Trump, respondeu com um “NÃO!” em letras garrafais.

Gisele se define como alguém que evita a polarização. “Radicalismo não é bom”, já declarou, mas suas ações concretas, como a defesa da floresta, crítica ao agronegócio predatório e o apoio a Marina Silva a afastam radicalmente da definição de “extrema-direita”.

Em 2009 Gisele Bündchen foi nomeada Embaixadora da Boa Vontade do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). O título foi um reconhecimento ao seu ativismo ambiental que já acontecia antes da nomeação, como o Projeto Água Limpa, que ela criou com a família em 2008 para recuperar a qualidade da água e mata ciliar em sua cidade natal, Horizontina (RS). Desde então, ela tem usado sua plataforma global para falar sobre mudanças climáticas, biodiversidade e preservação da Amazônia em conferências internacionais.

Quanto à briga pública com Jair Bolsonaro, o conflito aconteceu em dois momentos durante a transição de governo, em 2018 e 2019. O primeiro embate foi em novembro de 2018. Logo após ser eleito, Bolsonaro anunciou a intenção de fundir o Ministério do Meio Ambiente com o da Agricultura. Gisele reagiu e publicou uma carta aberta nas redes sociais criticando a medida e apelando ao presidente eleito para que não permitisse um “retrocesso de décadas” na luta pelas florestas. A pressão de Gisele, somada à de ambientalistas e do próprio setor do agronegócio temendo boicotes internacionais, fez Bolsonaro recuar da decisão de fundir as pastas.

O segundo momento do conflito com Bolsonaro aconteceu em 2019, quando a tensão escalou depois de uma entrevista da então ministra da agricultura, Tereza Cristina. Na conversa com a Jovem Pan a ministra criticou a postura de Gisele, dizendo que a modelo criticava o Brasil no exterior “sem conhecimento de causa”. Gisele Bündchen foi apelidada de “má brasileira” pois estaria criticando o Brasil no exterior ao invés de defender seu país.

Dois dias depois da divulgação dessa entrevista, Gisele rebateu com uma nota oficial onde afirmou que “mau brasileiro é quem desmata” e quem “grila terras”. Ela recusou o rótulo de desinformada, citando seus mais de 12 anos de atuação em projetos ambientais.

O conflito marcou o início do governo de Bolsonaro, posicionando Gisele como uma das vozes de oposição mais visíveis à política ambiental daquela gestão. Como é possível uma pessoa que se dedica à preservação ambiental no Brasil sendo agora taxada de extrema-direita?

Um fator que pode estar prejudicando a imagem de Gisele é o imbróglio da corretora cripto FTX. No final do ano de 2021 foi lançada uma série de comerciais da empresa com várias celebridades, entre elas o comediante Larry David, os astros da NBA Shaquille O’Neal e Stephen Curry, a tenista Naomi Osaka, o investidor do programa Shark Tank, Kevin O’Leary e o casal Tom Brady e Gisele Bündchen, entre outros.

A campanha, intitulada “FTX. You In?” (“FTX. Você tá dentro?”), estreou estrategicamente durante o intervalo da abertura da temporada da NFL (liga de futebol americano) em setembro de 2021. No vídeo, o casal convida conhecidos e estranhos para se juntarem à plataforma de criptomoedas.

Em novembro de 2022 aconteceu a rápida queda da corretora FTX. Em dezembro de 2022 o CEO da empresa, Sam Bankman-Fried foi preso nas Bahamas e extraditado para os Estados Unidos. Assim que o avião pousou nos EUA, Sam Bankman-Fried compareceu a um tribunal e foi solto sob uma fiança recorde de 250 milhões de dólares.

Ele ficou em prisão domiciliar na casa dos pais na Califórnia usando tornozeleira eletrônica, até que, meses depois, violou as regras da fiança tentando intimidar testemunhas e foi enviado para uma prisão americana de verdade, aguardando seu julgamento e condenação.

Aposentados e pessoas que guardavam economias de uma vida inteira foram uma parcela significativa e dolorosa das vítimas da FTX. Embora a imagem pública do escândalo foque muito em jovens investidores de tecnologia e celebridades, a realidade dos bastidores atingiu duramente quem buscava segurança para a velhice.

Todo esse drama acabou chamuscando a imagem de quem havia endossado a corretora FTX através de publicidade. As celebridades que participaram dos comerciais, incluindo Gisele e Tom, foram alvos de uma ação coletiva (processo conjunto) nos EUA, além de vários processos individuais. Os investidores alegam que essas celebridades promoveram títulos financeiros não registrados sem fazer a devida verificação, induzindo o público ao erro.

Um juiz federal nos EUA decidiu que Gisele Bündchen, Tom Brady e Larry David não podiam ser responsabilizadas pela fraude da FTX. Ele concluiu que, embora eles tenham sido”negligentes” ou “imprudentes” ao aceitar promover a empresa sem investigar a fundo, não havia provas de que eles sabiam do esquema criminoso ou que tinham intenção de enganar o público. Isso limpou o nome delas da acusação de serem “cúmplices” do crime de Sam Bankman-Fried.

Apesar de livres da acusação de fraude, o processo não morreu completamente. O juiz permitiu que os investidores continuassem processando as celebridades sob leis estaduais da Flórida e Oklahoma. Ainda pairam acusações. A alegação é que eles promoveram “títulos financeiros não registrados”. Basicamente, a lei dos Estados Unidos diz que se você promove um produto financeiro, precisa seguir regras rígidas que eles ignoraram. O processo civil continua tramitando ou está em fase de acordos para essas questões técnicas, mas o risco de pagarem bilhões de dólares em indenização diminuiu drasticamente.

Algumas celebridades optaram por não esperar o julgamento final e pagaram para se livrar do problema. Juridicamente não é admissão de culpa, mas também não é inocência. Shaquille O’Neal concordou em pagar cerca de 1,8 milhão de dólares para encerrar o processo contra ele. Trevor Lawrence também fez um acordo financeiro em 2024.

Gisele e Tom não foram “inocentados”. O juiz disse “vocês não são criminosos, foram apenas descuidados”, o que removeu o pior peso das costas deles, mas manteve a dor de cabeça burocrática ativa.

Com certeza o stress causado por todo esse episódio da FTX impactou o casamento de Gisele e Tom que já andava moribundo. A imagem dos dois ficou danificada, mas como sempre a mulher sofre muito mais no “tribunal da maledicência”. Para completar Gisele Bündchen está sendo processada no Brasil por um investidor da FTX.

Tom Brady está sempre cavando alguma notícia para si mesmo no noticiário e a última seria que ele está namorando Erika Kirk, viúva do influenciador de extrema-direita Charlie Kirk que morreu em setembro de 2025.

Também uma influenciadora, Erika defende pautas como a mulher voltando ao seu lugar de dona de casa e renunciando à carreira no mercado de trabalho. A ironia é que essa senhora de 37 anos, que perdeu o marido há quatro meses, é creditada como empresária e apresentadora de podcasts, além de ser a líder da organização conservadora Turning Point que ela fundou com o marido Charlie Kirk. Em resumo: Erika Kirk é tudo, menos uma dona de casa. E é uma das maiores vozes da extrema-direita hoje nos Estados Unidos.

Se Tom Brady está namorando uma figura proeminente da extrema-direita e ele tem dois filhos com Gisele Bündchen, isso não é boa coisa para a modelo que sempre se mostrou progressista. Me entristece saber que uma mulher que construiu seu império por conta própria, sem a ajuda de um homem, seja por herança ou por casamento, tenha agora de lidar com repercussão negativa de ex-marido.

Vamos acompanhando como vai se virar a nossa über modelo, uma de nossas marcas registradas, a belíssima moça maravilhosa que abriu desfilando as Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016.

Eu por mim desejo a ela tudo de melhor e que essa fase podre de polarização política acabe logo, de uma vez por todas. Se Trump não acabar com o mundo antes…

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