Novo Ca’d’Oro em São Paulo

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Inauguração da nova versão do antológico hotel e restaurante paulistano deve acontecer em 2016

Vocês tem visto aqui no canal Viagem do Bitsmag principalmente hotéis e matérias de destinos no exterior, mas de agora em diante vamos publicar muito mais novidades sobre viagem e turismo no Brasil, por razões óbvias. O dólar está pela hora da morte e o Brasil é um dos países mais lindos de todo o mundo, não é verdade?

Então, vamos lá, nada melhor do que começar por um destino que para mim não era “destino” até a minha juventude, pois é o lugar onde nasci e fui criada: minha querida São Paulo. Quero contar para vocês sobre o futuro lançamento que vai abalar as estruturas da hotelaria no país, o lançamento do novo Hotel Ca’d’Oro, na região do Baixo Augusta.

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Seu Atico, reinou por 37 anos na noite paulistana como maître do Ca’d’Oro e mais 20 na cadeia Fasano. Continua em atividade, com mais de 80 anos.

Eu praticamente fui criada no antigo Ca’d’Oro. Meu pai era frequentador assíduo do restaurante do hotel, na época o da rua Basílio da Gama, uma rua sem saída entre a Sete de Abril e a Avenida São Luís. Quase todo domingo estávamos lá almoçando, às vezes apenas eu, meu pai e minha mãe, às vezes acompanhados da minha prima Renata, tia Aída e tio Wilson. Me lembro muito de Seu Ático, antológico maître do Ca’d’Oro que hoje, com mais de 80 anos, ainda está em atividade na cadeia Fasano. Ele me viu crescer! E que paciência tinha, principalmente quando eu estava acompanhada de minha prima Renata e nós ficávamos correndo pelo hotel, subíamos pelas escadas para explorar os corredores dos andares. Tínhamos de ser resgatadas, porque a gente desaparecia mesmo.

Bom lembrar que nessa época, meados dos anos 70, o Ca’d’Oro era referência de gastronomia do norte da Itália e de hotel de luxo. São Paulo sempre teve muitos restaurantes de comida italiana, principalmente as cantinas da região da Bela Vista, mas esses restaurantes sempre serviram a comida menos sofisticada do sul da Itália. É preciso mencionar dois outros baluartes da comida italiana em São Paulo, duas cantinas históricas, Il Cacciatore, que não existe mais, e o Carlino, na Vieira de Carvalho, ainda em pé e dizem que é o restaurante mais antigo de São Paulo. Vieira de Carvalho onde ficava o Fasano, na época nada de luxo, um restaurante que hoje chamamos de “deli” onde vendiam uma maravilhosa coxinha de frango, mais para “coxona” de tão grande que era. Mas foi o Ca’d’Oro a introduzir em São Paulo a cozinha italiana mais requintada, do norte do país.

Meu pai na maioria das vezes pedia o cozido que vinha em um carrinho, aquele cozido que eu não achava muita graça a não ser pelo maravilhoso cotechino, uma linguiça italiana, hoje bem difícil de achar, mas que na época se achava em açougues. Minha mãe até fazia em casa a sua versão do cozido com cotechino, o “puchero” argentino (mamãe era de Buenos Aires).

Eu gostava do crepe suzette, com aquela frescura toda em chamas ao lado da mesa, da codorna na manteiga e do casoncelli ao “burro e salvia”, um tipo de ravioli com um recheio de carne, linguiça e passas. É bem difícil de achar esse tipo de massa em qualquer restaurante, eu bem que procuro. Aqui no Rio o La Pastaciutta do shopping da Gávea serve casoncei, suspeito ser a mesma coisa que o casoncelli, mas o molho não é tão bom quanto o do Ca’d’Oro.

Memórias, memórias, memórias! Papai faleceu em 1976 e então eu e mamãe passamos a evitar frequentar o Ca’d’Oro pois obviamente nos lembrávamos muito dele quando íamos lá. Nos anos 80 nós nos mudamos para o Rio de Janeiro e o Ca’d’Oro inaugurou um novo hotel na Rua Augusta, o mesmo que agora foi derrubado e onde está sendo construído o novo empreendimento que envolve um grande hotel, apartamentos residenciais, salas comerciais e, claro, o maravilhoso restaurante Ca’d’Oro. A família de Fabrizio Guzzoni, responsável pelo primeiro Ca’d’Oro, inaugurado em 1953, é parceira do empreendimento ao lado da incorporadora Brookfield, portanto podemos esperar a mesma qualidade e a mesma personalidade do antológico Ca’d’Oro que reinou na noite paulistana dos anos 50 aos 90.

Há uma polêmica em torno da construção do novo Ca’d’Oro por causa da demolição do prédio na rua Augusta. Mas o edifício que foi demolido não era um prédio histórico, ele foi construído nos anos 80. Crime mesmo foi a demolição do colégio Des Oiseaux, ali na esquina da Caio Prado com a Augusta, nos anos 70, mas isso é outra história. O Grand Hotel Ca’d’Oro da rua Avanhandava foi erguido em 1965 e o da rua Basílio da Gama, mais frequentado pela minha família, foi inaugurado em 1956.

O Ca’d’Oro é uma lenda da São Paulo mais sofisticada, histórica, de um centro que era luxuosíssimo, das “casas de moda” da rua Barão de Itapetininga e os apartamentos enormes e requintados da Avenida São Luís. É uma São Paulo que aos poucos está sendo resgatada e a inauguração do novo Ca’d’Oro vai selar com selo de ouro essa revitalização.

O novo Ca’d’Oro deve ser inaugurado em 2016. Estarei lá, com lágrimas nos olhos e muitas lembranças. Novo Ca’d’Oro em São Paulo

 

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