Sharon Stone, Bruce Willis e Justin Timberlake estrelam Alpha Dog

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Alpha Dog – Filme é baseado na vida de Jesse James Hollywood, fugitivo americano do FBI que foi capturado em Saquarema (RJ) em 2005

Com direção de Nick Cassavetes e estrelando alguns dos principais nomes da nova safra do cinema americano, estréia esta semana no Brasil Alpha Dog. O filme é baseado na história real do traficante de drogas Jesse James Hollywood e seus comparsas que mataram um garoto de quinze anos porque seu irmão devia dinheiro a ele. Para nós brasileiros o filme tem um atrativo a mais: Jesse James Hollywood, após longa caçada mundial pelo FBI, foi preso em Saquarema, litoral norte do Rio de Janeiro, no início de 2005 e então deportado para os Estados Unidos. Aquele que foi o mais jovem da lista de mais procurados pelo FBI, hoje está preso e aguarda julgamento em uma prisão da California, estado onde vigora a lei de pena de morte.

O filme traz grandes atuações de Emile Hirsch como Johnny Truelove (nome fictício de Jesse James), Justin Timberlake (sim, o ídolo pop) como o comparsa que fica encarregado de “cuidar” do seqüestrado, Ben Foster como o drogado endividado e Anton Yelchin, como o garoto de quinze anos que paga com a vida a dívida do irmão. Bruce Willis faz o papel do pai de Johnny e fornecedor das drogas que o filho trafica e Sharon Stone é a mãe do garoto sequestrado. Em determinada cena Sharon mostra que é uma grande atriz, a despeito de algumas escolhas esdrúxulas, como a seqüência de Instinto Selvagem.

Da mesma forma como em filmes recentes sobre a adolescência, seja Elefante, de Gus Van Saint, baseado no massacre de Columbine, ou Bully, de Larry Clark, mesmo diretor de Kids, a experiência de assistir a Alpha Dog é de sofrimento, angústia e pavor, principalmente para quem tem filhos. Aonde está seu filho neste momento? O que ele está fazendo? Ele sabe o que está fazendo? E você tem como controlar seu filho? Numa sociedade tão multifacetada como a nossa estas perguntas têm tantas respostas diferentes que acabam sem uma resposta efetiva.

Uma história de final infeliz sobre jovens traficantes e drogados não é novidade, principalmente para nós brasileiros que convivemos com esse tipo de realidade diariamente, seja através das noticias na mídia ou de acontecimentos infelizes próximos a nós. Acontece que em Alpha Dog tudo acontece na alta camada da classe média num subúrbio da California, que não tem muita diferença da Barra da Tijuca, no Rio, ou do Morumbi, em São Paulo. Os traficantes não são pobres favelados que entram no crime supostamente por falta de oportunidades na vida. Na verdade é exatamente o contrário, com acréscimo de muita liberdade conferida a eles por pais ausentes ou confiantes demais. Aonde está o limite entre o pai ou mãe repressor e o negligente?

Um crime com nada menos que trinta e oito testemunhas, várias ligações para a polícia que não foram propriamente investigadas e uma vítima que se divertia em festas com seus seqüestradores, é a realidade do mundo anestesiado de hoje mostrado em Alpha Dog. É de estarrecer e ao mesmo tempo se identificar, o que é mais preocupante. Outra causa de controvérsia é a empatia criada entre público e os personagens sórdidos mostrados na trama, interpretados por belíssimos atores num roteiro que não os demoniza e os mostra como pessoas absolutamente “normais”. E são, até quando o estilo de vida que eles cultuam começa a mostrar sua outra face e a mesma sociedade que cultua videoclipes de gangsta rap passa a julgar os atos desses garotos, que pouco diferem das imagens desses clipes.

Numa sociedade tão modificada e perdida como a de hoje, onde não se sabe mais onde está o certo ou o errado, onde está o limite entre público e privado e onde valores ôcos e irreais são amplamente disseminados por mídia, entretenimento e publicidade, o resultado é uma geração de adolescentes que já passou do substantivo “perdida” e que não sabe distinguir a barreira entre real e surreal. Colocando tantas interrogações Alpha Dog é um bom catalizador para a discussão de limites na educação dos jovens de hoje.

 

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