ArtRio 2013 – artistas estrangeiros

Bitsmag

ArtRio 2013

Vale a pena investir em obras à venda nas galerias internacionais da feira?

White Cube - Damien Hirst - ArtRio 2013

(obra de Damien Hirst – White Cube – ArtRio2013)

Vale a pena investir em obras à venda nas galerias internacionais da feira? 

A razão pela qual eu vou voltar à feira ArtRio é a seguinte: é uma oportunidade única de poder conferir num único evento a nata do mercado de artes plásticas brasileiro e uma pequena mostra de respeito de algumas grandes galerias internacionais. A isenção do ICMS que os expositores da feira oferecem aos compradores é um dos grandes trunfos da feira.

A incensada Gagosian está de volta com um Basquiat que mais parece que Jean-Michel estava com pressa, além de muitos Picassos, Lucio Fontana e Chamberlain, este visto também em outras galerias da feira, o que me faz concluir que anda fazendo sucesso aqui no Brasil. Muitos Calder na Gagosian e também na Pace que está exibindo em seu espaço na feira somente obras desse artista, apesar de representar muitos da arte contemporânea que são estrelas hoje como o japonês Yoshitomo Nara e os norte-americanos Chuck Close, Donald Judd e James Turrell, este apresentando uma bela instalação no espaço Lupa que a feira disponibilizou para grandes obras.

A David Zwirner assim como a White Cube, retornam à ArtRio com seu elenco de artistas vanguardistas. Marcel Dzama, Gordon Matta-Clark e os marginais Raymond Pettibon e R.Crumb são representados pela David Zwirner que tem também trabalhos de Jeff Koons e Yayoi Kusama. Já a White Cube, agora contando com uma filial no Brasil, em São Paulo, representa Damien Hirst, Tracey Emin e Sarah Morris.

As galerias internacionais obviamente não trazem trabalhos de todos os artistas que elas representam, mas é possível comprar obras que não vieram para a feira. Se a compra for feita durante o período do evento é possível usufruir do desconto do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e a obra, se não estiver no Brasil, pode ser enviada num período de 185 dias. Portanto, mesmo que as galerias internacionais estejam trazendo principalmente trabalhos de artistas como Calder e Picasso, é possível investir num vanguardista como John Baldessari ou Maurizio Cattelan, ou em video-artistas como Chantal Akerman e Dara Birnbaum. Se tiver mesmo bala na agulha pode ainda sair contando vantagem depois de comprar uma obra de um dos artistas vivos mais valorizados do momento, o alemão Gerhard Richter.

Estes artistas, além de outros dois que estão com grandes exposições no Brasil este mês, William Kentridge da África do Sul (Pinacoteca de SP) e a espanhola Cristina Iglesias (Casa França Brasil), são representados pela galeria novaiorquina Marian Goodman que estreia na ArtRio este ano.

Outras galerias menores do exterior estão retornando à feira como a Johannes Vogt de N.York, que representa a americana Sadie Benning e a brasileira Tatiana Blass, duas artistas que estão em ascenção no exterior e são aposta de vários colecionadores estrangeiros. Outro artista que está na mira de colecionadores estrangeiros é o britânico Jason Martin que está representado na feira pela galeria portuguesa Mario Sequeira.

Se o seu interesse é apostar em artistas em ascenção no exterior uma outra opção é o fotógrafo norte americano Roe Ethridge que tem trabalhos em duas das galerias estrangeiras da ArtRio, a Gagosian e a Gladstone, esta também estreando na feira com elenco estelar que inclui Matthew Barney e Anish Kapoor. 

É negócio comprar obras de artistas estrangeiros? Eu acredito que sim. Se por um lado não há grande mercado para esses artistas no Brasil hoje, em alguns anos, com o sucesso das feiras ArtRio e SP-Arte, esse mercado deve arrefecer e, da mesma forma como artistas brasileiros estão sendo reconhecidos no exterior, os artistas estrangeiros estão cada vez mais sendo divulgados aqui. Dessa forma, além de contar com o mercado interno, uma obra de um artista que tem cotação internacional pode ser comercializada em várias partes do mundo.

Portanto, se você é um colecionador querendo dar um passo a frente, adquirir algumas obras internacionais vai dar um belo “upgrade” na sua coleção, então super vale a pena ir até os Armazéns do Cais do Porto (ou seria “caos do porto?”) para prestigiar a ArtRio 2013. Se joga no cachorro-quente Geneal, descanse nas cadeiras de praia, reze para não pagar mico ao levantar e “vamo que vamo” que a gente ainda é emergente e precisa aprender muito do mercado de arte.

(Fique ligado que mando daqui a pouco uma matéria com destaques das galerias brasileiras na ArtRio 2013).