Balenciaga Inverno 2026/27


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Romantismo brutalista de Pierpaolo Piccioli reinventa a passarela

A Semana de Alta-Costura de Paris testemunhou um dos momentos mais aguardados da história recente da moda: o debut oficial de Pierpaolo Piccioli no comando criativo da Balenciaga Haute Couture (Inverno 2026/2027). Longe dos cenários distópicos e teatrais de seu antecessor, Demna, Piccioli desarmou o público ao resgatar a pura essência da indumentária e a conexão íntima com o corpo humano, em um desfile banhado pela luz solar e ao som da voz serena de Anohni.

Para quem acompanha as tendências de moda de luxo e as inovações da alta-costura, a nova coleção — apelidada por críticos como um “Romantismo Brutalista” — redefine o que esperamos do vestuário sob medida no cenário global contemporâneo.

O cenário e a atmosfera do desfile em Paris

Rompendo com as locações fechadas e claustrofóbicas das temporadas passadas, a Balenciaga escolheu os jardins ao ar livre da Cité Internationale Universitaire de Paris. Sob um sol escaldante de verão europeu, uma passarela de tapete branco foi estendida para que a fluidez, o movimento e o caimento dos tecidos fossem as verdadeiras estrelas do espetáculo, sem distrações cenográficas.

Inspiração: diálogo histórico e conexão humana

Após nove meses imerso no “quarto de guerra” de criação da maison, Piccioli uniu referências que iam desde o minimalismo escultórico de Barbara Hepworth até a opulência misteriosa dos santos de Zurbarán e Velázquez. Sua grande missão foi honrar o mestre Cristóbal Balenciaga:

Cristóbal era obsessivo com o corpo e com a conversa com o corpo. Você sempre tem que mantê-lo presente na silhueta, caso contrário, vira algo abstrato e distante do movimento humano

Pierpaolo Piccioli

O resultado foi uma arquitetura monumental, porém macia, focada na engenharia do corte.

Materiais do futuro: biotecnologia e tecidos clássicos

A coleção foi um verdadeiro laboratório têxtil. Enquanto silhuetas clássicas abusavam do silk gazar (um tipo de seda estruturada mas leve), do tule esculpido e de densas camadas de penas e plumas de avestruz, a Balenciaga deu um salto rumo à sustentabilidade tecnológica.

A grande inovação da temporada foi o uso do Amsilk, uma alternativa de seda bioengenheirada feita através de edição de DNA e engenharia de proteínas. O material — totalmente livre de combustíveis fósseis e renovável — promete ser até 2,5 vezes mais forte que o aço, unindo a delicadeza da alta-costura à durabilidade extrema. Além disso, couros foscos e polidos foram moldados utilizando tecnologia de escaneamento corporal 3D para criar caimentos milimetricamente perfeitos.

Cores: o encontro da luz com a sombra

Piccioli é amplamente reconhecido como um dos maiores coloristas da moda mundial, e ele não economizou na dopamina visual para equilibrar a tradicional severidade escura da Balenciaga. A paleta dividiu-se em:

  • A base clássica: Pretos profundos que absorvem a luz, beges arquitetônicos e tons de couro cru.
  • Os pontos de alta-voltagem: Rosa e fúcsia fluorescentes, verde-menta, lavanda e laranja neon iluminaram a passarela em blocos de cores puras.

Top Models e estrelas na passarela

A apresentação marcou estreias e retornos triunfais. A supermodelo Gigi Hadid fez sua estreia absoluta nas passarelas da alta-costura da Balenciaga, desfilando um impressionante casaco preto coroado por uma volumosa juba de penas pretas, evocando uma estética digna das performances artísticas de Björk. Alex Consani e Mona Tougaard também participaram do casting. 

As roupas volumosas — incluindo calças cargo gigantescas de alta-costura e vestidos casulo — flutuavam ao redor dos corpos dos modelos, provando que o conforto contemporâneo e o drama andam de mãos dadas.

Primeira fila: Quem Estava Lá?

Apesar da onda de calor europeia, a primeira fila da Balenciaga reuniu um panteão de celebridades millennials e ícones do cinema e da música:

  • Lily Collins (fazendo uma pausa nas gravações da temporada final de Emily em Paris).
  • Demi Moore compareceu ao lado da filha, Tallulah Willis
  • Shailene Woodley e Naomi Watts.
  • A cantora e ícone fashion Teyana Taylor, que chamou a atenção com um vestido de seda marrom sobre calças.
  • Cynthia Erivo, ostentando um casaco bomber de camurça sobre um vestido de lantejoulas.
  • O ator Hudson Williams (estrela de Heated Rivalry), fazendo seu début na semana de alta-costura.
  • Até mesmo Miranda, a famosa cachorrinha de estimação de Piccioli, roubou a cena na primeira fila enquanto era abanada pelos convidados.

Ao final, Pierpaolo Piccioli desceu as escadarias externas acompanhado por toda a equipe de artesãos e costureiros do seu ateliê, arrancando lágrimas e uma ovação de pé do público presente. A Balenciaga inicia oficialmente uma era onde o rigor geométrico ganha, finalmente, um coração pulsante.

Veja o desfile na íntegra:

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