Santiago Sierra faz obras com cocô

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Artista espanhol mostra em Londres obras de arte feitas de excremento humano 

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Alguns podem dizer: “mas que obra de &*%^%%&^”, e eles não estão errados e nem o artista ficaria ofendido. Acontece que é isso mesmo, o artista espanhol Santiago Sierra está com obras em exposição na galeria Lisson, em Londres, algumas feitas com matéria prima de excremento humano. São 21 blocos de cocô que medem 215 x 75 x 20 centímetros.

O “material” foi colhido em Nova Delhi, na Índia, por escavadores que são designados para a tarefa para se redimir de culpas de vidas passadas. A obra foi patrocinada pelo movimento Sulabh International of India que trabalha para melhorar as condições de vida desses trabalhadores que recolhem o excremento e são designados para esse trabalho desde o nascimento.

Mas como foi que esse excremento foi transportado para a Inglaterra? É óbvio que as autoridades sanitárias britânicas não deixariam esse material entrar no país. Na verdade o excremento recolhido ficou em repouso por três anos em Nova Delhi e depois, em Jaipur, foi misturado com um produto químico chamado Fevicol. Depois de seco o produto foi moldado para construir os 21 blocos e somente após esse processo é que o material foi considerado terra e pôde entrar no Reino Unido.

Santiago Sierra tem um trabalho que causa bastante polêmica. Ele usa vídeo e/ou faz instalações evidenciando ironias da economia capitalista e da globalização, pontuando situações de exploração e marginalização.

Outros trabalhos de Santiago Sierra também estão na mostra da Lisson Gallery em mídias como fotografia, vídeo, texto e som, além das instalações.

Santiago Sierra, que hoje vive no México, foi convidado para representar a Espanha na 50ª edição da Bienal de Veneza. Em sua instalação só podiam entrar aqueles que tinham passaporte espanhol, evidenciando o sistema antiquado de nacionalidade e as exclusões sociais e legais presentes na nossa sociedade.

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