



O que tem sido comentado no “tribunal da internet” sobre a marca de cosméticos Neutrogena, o cantor britânico James Blunt e a “dona de casa de Beverly Hills” Diana Jenkins
Tem causado grande comoção a repentina morte da estrela americana Hayden Panettiere, aos 36 anos, em 16 de agosto de 2026. Atriz desde criança, ela cresceu sob os holofotes de Hollywood e teve uma vida atípica, exposta aos excessos e excentricidades que acompanham a trajetória dos pequenos trabalhadores do entretenimento nos Estados Unidos.
Hayden, indicada duas vezes ao Globo de Ouro e a vários outros prêmios da indústria do entretenimento, começou na carreira muito cedo, fazendo trabalhos na TV americana e no cinema desde os cinco anos de idade. Ainda criança fez parte do elenco de uma grande novela, One Life to Live, onde atuou em 27 capítulos.
Aos treze anos trabalhou no seriado de grande sucesso Ally McBeal e aos dezesseis fez o filme Sonhos no Gelo ao lado de Michelle Trachtenberg, atriz de Gossip Girl que, ironicamente, também faleceu recentemente, em fevereiro de 2025. Aos dezessete anos começou a fazer a personagem pela qual ficou mais conhecida, a Claire Bennet do seriado Heroes. Aos vinte estrelou Eu Te Amo, Beth Cooper e de 2012 a 2018 estrelou a série Nashville, que teve seis temporadas e deu a ela as indicações ao Globo de Ouro.
Batalhas de Hayden Panettiere no mundo do entretenimento
Enquanto estrelava tantos baluartes do cinema e da TV americana no século XXI, Hayden protagonizava uma história bem menos glamurosa em sua vida pessoal. De problemas com a mãe, também atriz e sua agente no início da carreira, teve um histórico de uso de drogas, além de um relacionamento que lhe deu uma filha, da qual ela teve de se separar depois de passar por uma depressão pós-parto, em 2015. No embate com o pai da criança, o ex-boxeador profissional ucraniano Wladimir Klitschko, Hayden preferiu conceder a guarda definitiva da filha ao pai, evitando uma batalha demorada e dolorosa. Sua filha Kaya vivia longe dela, na Europa, com o pai.
Em 2023 perdeu seu único irmão, Jansen Panettiere, que faleceu aos 28 anos. Para completar a atriz tinha um relacionamento conturbado com um homem o qual ela já havia denunciado por violência doméstica. Brian Hickerson, com quem Hayden mantinha uma relação de idas e vindas, estava presente no apartamento no momento em que a atriz faleceu. O relacionamento era marcado por histórico grave de violência e abusos físicos. Ele chegou a ser preso e condenado judicialmente por agredir a atriz, cumprindo pena e sendo sentenciado a liberdade condicional. Apesar dos episódios violentos, a relação continuou até a morte da atriz.
Hayden Panettiere sempre foi muito franca e relatou abertamente suas batalhas em entrevistas. Em maio de 2026 lançou sua autobiografia, This Is Me: A Reckoning, ainda sem edição no Brasil. Na esteira da comoção do público com a inesperada morte da atriz no último fim de semana, questões controversas de sua carreira e vida pessoal expostas no livro e na turnê de lançamento, estão repercutindo de forma diferente.
Embaixadora da Neutrogena
Embaixadora da Neutrogena por mais de dez anos, Hayden teve seu contrato cancelado de forma abrupta em 2015. Em seu livro e na turnê de lançamento em maio de 2026, no podcast de Jay Shetty, ela falou de forma emocionada sobre essa experiência dolorosa que aconteceu depois dela ter participado de uma entrevista no programa Live! With Kelly and Michael, em 2015. A empresa alegou que nessa entrevista ela teria violado uma “cláusula de moralidade” que fazia parte do contrato, por conta de sua atitude de tratar abertamente a questão da depressão pós-parto.
Após a morte da atriz o público está enxergando essa questão de uma forma diferente, mais grave. Em maio deste ano a Neutrogena foi criticada por cancelar o contrato com Hayden Panettiere, mas agora a repercussão aumentou e está se formando uma revolta massiva contra a marca. Está se falando em boicote à Neutrogena por demitir uma atriz que se mostra honesta a respeito de um problema de saúde mental que afeta tantas mulheres.
A empresa ainda não se manifestou sobre o assunto. Enquanto isso a revolta vem escalando. Plataformas como o X e o Reddit foram tomadas por movimentos de boicote, com dezenas de milhares de curtidas, acusando a marca de cosméticos de não apoiar as mulheres. O impacto da campanha online tem sido tamanho que as ações da Kenvue, empresa controladora da Neutrogena desde o início do ano, chegaram a cair no início da semana, logo após a morte da atriz.
Atriz foi atacada em festa dentro de iate durante Festival de Cannes
Um outro ponto crítico da história de Hayden Panettiere também foi tratado em seu livro e no podcast de Jay Shetty, em maio. Em sua autobiografia a atriz faz um relato sombrio e assustador sobre ser traída por uma amiga, figura em quem confiava como uma “protetora”. Hayden conta que estava em um barco com amigos, na costa de Cannes, na França, quando sofreu uma grande decepção. Essa amiga seria uma mulher mais velha cujo nome não é citado e Hayden se refere a ela usando o pseudônimo “Stella”.
Na época com dezoito anos, a atriz diz ter sido guiada por essa mulher a um quarto dentro do iate. Ali foi trancada com um homem “famoso” que estava sem roupa. Ela conta que seu instinto de sobrevivência falou mais alto e ela fugiu, se escondeu, mesmo desesperada, já que não podia escapar nadando.
A internet está em polvorosa e os rumores estão borbulhando. A especulação mais forte é de que “Stella” seria a atriz, empresária e ex-participante de Real Housewives of Beverly Hills, Diana Jenkins. As duas tinham uma amizade notória com uma diferença de idade de quase 30 anos.
As alegações sobre Diana Jenkins não vem de hoje, mas foram agravadas após a morte de Hayden Panettiere. Diana vem sendo taxada de “cafetina” de Hollywood (ou madam em inglês). Essas alegações não surgiram da grande mídia ou de investigações policiais, mas sim de um famoso blog de fofocas anônimo chamado Crazy Days and Nights (CDAN), operado por um blogueiro que usa o pseudônimo “Enty Lawyer”
O boato começou de forma mais incisiva em março de 2012, a partir de um comentário anônimo deixado em uma das publicações (conhecidas como blind items) do blog CDAN. Diana foi chamada de “a peça-chave de todos os escândalos e perversões de Hollywood” e alegou que ela comandava uma rede de garotas de programa para bilionários de Wall Street, realeza e elites de Hollywood.
Anos depois, em 2018, o próprio blogueiro “Enty Lawyer” passou a endossar e alimentar essas alegações em uma série de publicações e em seu podcast. “Enty Lawyer” reforçou em seu blog a ideia de que Diana Jenkins não era apenas uma empresária, mas sim uma traficante sexual que se aproveitava de jovens atrizes em momentos de vulnerabilidade (como problemas de carreira ou vício) para coagi-las à prostituição. Ele usou especificamente os nomes de Hayden Panettiere e Amanda Bynes como supostas “vítimas” desse esquema.
Um livro lançado em 2009 por Diana Jenkins, com fins filantrópicos, chamado Room 23, tem sido usado para reforçar essa teoria da conspiração. O livro conta com fotos sensuais de várias celebridades (incluindo George Clooney, Lindsay Lohan, Amanda Bynes e a própria Hayden Panettiere). “Enty Lawyer” e a internet espalharam o boato de que o livro seria, na verdade, um “catálogo” de acompanhantes de luxo e clientes da suposta rede de tráfico sexual de Jenkins.
Em 2022 Diana Jenkins processou “Enty Lawyer” por difamação. O objetivo da ação era não apenas buscar justiça pelos danos, mas também desmascarar a identidade do blogueiro anônimo. ”Enty Lawyer” tentou fazer com que o processo fosse arquivado usando as leis “Anti-SLAPP” da Califórnia (leis que protegem a liberdade de expressão contra processos intimidatórios), alegando que estava exercendo seu direito à primeira emenda da constituição americana, que protege a liberdade de expressão.
Em 2023, antes que o caso fosse a julgamento, os advogados de Diana Jenkins e de “Enty Lawyer” anunciaram que chegaram a um acordo oficial para encerrar o processo. Os termos financeiros ou as condições exatas do acordo não foram divulgados publicamente. No entanto, o processo foi retirado, as postagens difamatórias que ligavam Diana ao tráfico sexual foram removidas pelo blogueiro e o caso foi encerrado pela justiça americana. Mas a internet, como bem sabemos, nunca esquece…
O episódio do iate em Cannes tem ainda outra figura sendo envolvida pelo “tribunal da internet”. Os rumores que tem sido ventilados nesta semana da morte de Hayden Panettiere são de que o homem sem roupa no quarto do iate para onde “Stella” levou a atriz seria o cantor britânico James Blunt, responsável pela música (ou tortura auditiva…) “You’re Beautiful”. As “investigações internéticas” associam o artista ao caso principalmente porque o próprio Blunt fala de um episódio muito parecido em sua autobiografia Loosely Based On A Made-Up Story: A Non-Memoir (em tradução livre, Vagamente Baseado em uma História Inventada: Uma Não-Memória).
O livro, lançado em 2023 e sem edição no Brasil, tem um capítulo intitulado O Barco de Diana e narra festas selvagens a bordo do iate alugado por Diana Jenkins por vários anos durante o Festival de Cannes. Além disso, existem fotos de Hayden, Jenkins e Blunt juntos no Festival, em 2009. Apesar de não existir nenhuma evidência factual que ligue James Blunt ao episódio narrado por Hayden Panettiere em seu livro e em entrevistas, a internet está em polvorosa comentando essa possibilidade.
Como podemos ver, a morte de Hayden Panettiere, tão jovem, aos 36 anos, ainda vai ser comentada por muito tempo. E redes de tráfico sexual, como a de Jeffrey Epstein ou Sean Combs, aparentemente não são as únicas que existiram no mundo do entretenimento. Enquanto isso doces criaturas como Hayden continuam sendo vítimas dessas aves de rapina.
