Os Reis de Dogtown

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Stacy Peralta escreveu o filme sobre o início da história do skate

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Os Reis de Dogtown (Lords of Dogtown) marca o retorno de Catherine Hardwicke, que fez sua estréia como diretora com Aos Treze. O filme narra a história de um grupo de jovens surfistas que revolucionou o skate nos anos 70. O efeito dessa epopéia é tão natural, vibrante e marcante na tela que contagia, e olha que no final da década de 70, quando a trama se passa, eu nem chegava perto de um skate, apenas patins, o que ressalta as qualidades do filme, já que é plenamente capaz de atrair o público para um universo com o qual não está familiarizado. O que torna Os Reis de Dogtown mais interessante e talvez parcial é que ele é baseado no documentário Dogtown and Z-Boys, dirigido por Stacy Peralta, que também escreveu o roteiro de Os Reis de Dogtown.

Peralta, junto com Tony Alva e Jay Adams, foram os reis do skate eles próprios naquela época. A trama se passa na Califórnia (Santa Mônica e Venice Beach, na maior parte do tempo), numa área que dá título ao filme e recria as vidas daqueles jovens que passavam boa parte do tempo entre o surfe e o skate. Disputando campeonatos para a loja de surf de Zephyr (daí o Z-boys, como eram conhecidos), eles acabaram revolucionando o esporte, ou melhor, transformando o skate em um, o que era visto mais como um hobby. O trio Tony Alva (Victor Rasuk), Jay Adams (Emily Hirsch) e Stacy Peralta (John Robinson) viraram celebridades, tendo se tornado as primeiras estrelas do skate e muitos deles seguiram uma carreira ligada à profissão. O grande lance para a mudança no esporte se deu com a criação de um material novo para as rodas além de uma temporada de seca na Califórnia, que levou os moradores a esvaziarem suas piscinas onde os skatistas começaram a dar suas manobras voadoras usando as paredes das piscinas. Importante observar o detalhe regional que lá geralmente não se usa azulejos ou similares nos fundos das piscinas.

O elenco é de rostos poucos conhecidos, embora Robinson (Peralta) já tenha atuado em Elefante, são os coadjuvantes que são mais familiares, como Heath Ledger que tem uma interpretação perfeita; Nikki Reed (Aos Treze) que faz a irmã de Tony Alva e namorada de Jay Adams, com forte ligação com o trio; Rebecca DeMornay, como a mãe de Tony Alva, e Johnny Knoxville como um empresário malandrão. O verdadeiro Peralta e Tony Hawk fazem pontas.

A diretora consegue boas seqüências e ilustra momentos importantes, o que acarreta uma ausência de impacto dramático, já que personagens brigam ou iniciam romances sem muita profundidade. Não existe a construção clássica que se espera mas a vibração, carisma, a trilha sonora (que vai do glam ao rock) e a história do esporte compensam de sobra essa falha e mais alguma de menor relevância. Usando e abusando de um estilo visual, uma edição dinâmica, recriando a época com perfeição e um estilo de pseudo-documentário (muito em voga atualmente), Catherine consegue um resultado muito bom.

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