Across the Universe

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Beatles revisitado em arquétipos dos anos 60 – filme está indicado ao Globo de Ouro – veja resenha, fotos e trailers

 

Para apreciar Across the Universe é necessário ter a cabeça aberta e ser fã de espetáculos que envolvem dança, canto e muita imagem abstrata. O filme de Julie Taymor reúne todas estas características sem se tornar sobrecarregado, principalmente se for levado em consideração que é uma história da era mais psicodélica de que se tem notícia, os anos 60. Como um videoclipe de longa metragem Across the Universe é filme para quem se emociona com delicadeza, belas imagens e sonhos jovens e idealistas. Não deve agradar aos niilistas, nem aos que não suportam cantoria, balé e psicodelia.

Com 33 músicas dos Beatles costurando o roteiro, o filme conta a história de um romance que se passa nos Estados Unidos dos anos 60. Jude (Jim Sturgess), um estivador de Liverpool, embarca num navio e cruza o Atlântico em busca do pai que ele não conhece. Em Princeton, uma universidade de elite americana, encontra o pai que é zelador da instituição, já casado e com outra família. Ali mesmo conhece Max, aluno americano que em breve será um “drop out”, caindo na contra-cultura que se concentra no bairro do Village, em N.York. Logo depois a irmã de Max, Lucy, que acaba de perder o namorado na guerra, se junta ao grupo e se envolve com Jude no belo romance que é pano de fundo da história que ainda fala sobre a guerra do Vietnã, o movimento pacifista e o auge do rock’n roll dos anos 60. Lucy entra no movimento pacifista, Jude se concentra em pintar e Max é chamado para a guerra. Alguns dos maiores sucessos dos Beatles costuram a trama que tem ainda participação de Bono, Joe Cocker, Eddie Izzard e Salma Hayek.

O roteiro envolve muitos arquétipos. Os personagens lembram figuras ícone da década do desbunde. A dona do apartamento do Village onde todos moram juntos, a cantora Sadie, é inspirada em Janis Joplin e seu guitarrista lembra Jimy Hendrix. Jude não só tem um timbre de voz bem parecido com o de Paul McCartney e de John Lennon, como sua fisionomia também lembra os ídolos do iê iê iê, com um sotaque de Liverpool que completa a caracterização. 

Jim Sturgess, que interpreta Jude, é uma estrela em ascenção e já está com a agenda cheia para os próximos dois anos. Evan Rachel Wood, nova atriz americana mas já reconhecida por seu papel em Aos Treze, também mostra ótima atuação, inclusive como cantora. Os dois atores talvez venham a interpretar Peter Parker e Mary Jane na versão musical de O Homem Aranha que vai ser montada na Broadway e será dirigida por Julie Taymor. Todos os atores cantaram ao vivo durante as filmagens e o resultado é muito verdadeiro, delicado e bonito.

Julie Taymor é diretora que vem da cenografia e da direção de arte. Citar em seu currículo o belíssimo musical O Rei Leão, da Broadway, pelo qual ela ganhou dois prêmios Tony, é o suficiente para descrever o que ela faz em Across the Universe. Apaixonada por teatro, folclore e mitologia Julie Taymor viveu em vários países da Ásia, incluindo o Japão, onde estudou teatro. Viveu também em Paris onde, entre outras coisas, estudou mímica. Toda esta experiência ela aplicou em seu trabalho em direção de óperas, teatro e filmes. Uma formação com certeza diferente da maioria dos diretores na indústria do cinema. O resultado é este lindíssimo musical que é um sucesso de bilheteria nos Estados Unidos com um elenco afiadíssimo, onde se destaca também Joe Anderson (Control e O Segredo de Bethoven), que interpreta Max.

Se você gosta de música, romance, imagens fortes e psicodélicas e tem curiosidade de conhecer os atores que estarão estrelando os próximos filmes que interessam em Hollywood, não perca Across the Universe que acaba de ser indicado a melhor musical para o prêmio Golden Globe 2008.

Confira o trailer oficial e um clipe da MTV americana:

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