Muita disco no case de Renato Cohen

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Renato Cohen investe no ecletismo da nova disco – leia entrevista e ouça um set do DJ e produtor

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Foto: Cuca Pimentel

Renato Cohen investe no ecletismo da nova disco – confira entrevista e ouça um set do DJ e produtor

Como se não bastasse ser a primeira casa noturna brasileira aprovada para a instalação do poderosíssimo equipamento de som Funktion-One, que distribui de maneira uniforme o som pela pista com qualidade cristalina, o novíssimo clube Hot Hot, de Flávia Ceccato (Lov.e) e Joel Dibo (Garage de Campo Grande e Cuiabá), tem decoração inspirada no design do escandinavo Verner Panton e iluminação com 8 mil pontos de LEDs revestidos de espelho. Se você não conhece ainda o Hot Hot uma boa oportunidade é a festa mensal Comiskey Park, do DJ Renato Cohen. A próxima é dia 6 de fevereiro com presença do britânico Andy Blake, dono do selo cultuado Dissident. Os cariocas vão poder conferir também no dia 4 de fevereiro, quando Renato e o britânico Andy Blake se apresentam na festa Clap! do 00.

No cardápio o prato da vez: disco music. Comiskey Park vem a ser o estádio de baseball de Chicago onde, em 1979, um DJ de uma rádio local, Steve Dahl, resolveu fazer uma manifestação contra a disco music que, na época, dominava rádios e pistas do planeta. No estádio Comiskey Park, no dia 12 de julho de 1979, uma grande fogueira recebeu milhares de LPs de disco music, atirados ali por jovens que foram convencidos pelo popular DJ de rádio, no levante que ficou conhecido como "Disco Demolition Night".

Após três décadas no limbo da música dance, discriminada e muitas vezes até ridicularizada, a disco music passa por um renascimento, tornando-se matriz e objeto de culto de novos produtores que têm se interessado em beber dessa fonte e criar a disco music do novo milênio. Nesse grupo está o nosso Renato Cohen, DJ e produtor brasileiro que ficou conhecido mundialmente com o single Pontapé, lançado pelo selo Intec, de Carl Cox. Um de nossos maiores expoentes da música tecno, Renato investe na disco em sua residência mensal no Hot Hot, em festa que leva o nome do estádio que sediou o levante que marcou a decadência do estilo, na verdade para provar que Steve Dahl estava completamente errado.

Seja discotecando ou em suas novas produções, como em seu tão esperado primeiro álbum, que acaba de ser lançado, Sixteen Billion Drum Kicks, o DJ e produtor do bom tecno nacional tem mostrado que o ecletismo e a renovação estão trazendo bons ventos à música eletrônica.

Veja abaixo entrevista com Renato Cohen:

Bitsmag – Sobre a sua nova residência no Hot Hot, você vai mostrar um lado seu que poucos conhecem, a sua paixão pela disco music. Fale um pouco sobre as suas expectativas em relação a essa nova festa.



Renato Cohen –
É uma festa mensal. Começamos o mês passado e foi ótima. Cada vez mais eu tenho tentado diversificar o meu trabalho como DJ e forçar um pouco os limites de cada estilo. É claro que, dependendo do lugar e do público, você pode ir até determinado ponto. Esse projeto no Hot Hot é para ir mais a fundo mesmo. Eu gosto de dizer que é uma festa de disco, porque disco é como o DNA da dance music, e tudo pode ser incorporado.



Bitsmag – Como você vê esse renascimento da disco, esse estilo que já foi tão
 discriminado?



Renato Cohen –
Não acho que esse estilo tenha sido discriminado por gente que estava interessada em música, talvez por quem apenas estivesse seguindo tendências, mas aí nem é mais uma discussão musical. É claro que depois de um descanso de 15 ou 20 anos, as coisas sempre voltam num revival. Mas no caso da disco eu vejo mais como uma abertura no horizonte da dance music no geral. Não estamos falando apenas de disco, mas de tudo que já aconteceu na dance music nos ultimos 40 anos e que agora parece tomar uma forma única, o que é muito mais empolgante do que um simples revival.



Bitsmag – Você acaba de voltar de uma temporada na Europa. Quais foram as festas e clubes que mais te chamaram atenção e porque?

Renato Cohen – Você nunca sabe como vai ser uma gig até você pisar no lugar ou começar a tocar, mas tem lugares que são sempre infaliíveis  como o Fabric em Londres, o Womb em Tóquio e o Berghain em Berlim. Além desses lugares, que já são totalmente estabilizados, este ano eu vi muitas noites incríveis em Londres.  Festas em lugares minúsculos, festas ilegais, em bares, etc. A fome por música que as pessoas têm na Inglaterra e a naturalidade como tudo explode por lá, chega a dar inveja em qualquer um que trabalhe com isso.



Bitsmag – Sobre seu novo disco, o seu primeiro álbum, Sixteen Billion Drum Kicks, você flertou com vários estilos, incluindo house e jazz. Como foi esse
 processo de criação que, inclusive, levou um bom tempo de gestação?



Renato Cohen – Eu queria fazer um disco que incluísse tudo que eu escuto e que faz parte do meu dia a dia. Levou bastante tempo para fazer, eu acabei retrabalhando várias idéias. Na verdade meu processo de criação não é nada profissional. É bem lento e, às vezes, sofrido.



Bitsmag – Como você vê a música eletrônica hoje, depois de tantas variações, e o surgimento de tantas vertentes e segmentações?



Renato Cohen – Parece que  hoje em dia as coisas estão todas se interligando, os horizontes musicais estão cada vez se ampliando mais. Eu penso que hoje, principalmente pelo fácil acesso à musica e por termos uma geração que já cresceu com a música eletrônica, o gosto em geral é mais eclético. Depois de uma época tão chata na dance music, acho que finalmente as coisas estão voltando a esquentar.

Ouça o set de Renato Cohen na primeira Comiskey Park, em novembro.

 

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