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Adrien Brody é nome forte da Hollywood atual

Foi com um beijo na boca da atriz Halle Berry que Adrien Brody (29), o mais jovem ator a ganhar um Oscar na categoria principal, recebeu seu prêmio durante a cerimônia do 75° Academy Awards, em Hollywood.

Ao agradecer o prêmio ele citou a insônia e os ataques de pânico, sequelas do envolvimento profundo com o personagem Wladyslaw Szpilman, sobrevivente do Holocausto, que ele interpreta em O Pianista, filme que também deu a Roman Polanski o Oscar de diretor.

Agradeceu a seus pais, a jornalista fotográfica húngara Sylvia Plachy, do semanário novaiorquino Village Voice, e o professor e artista plástico Eliot Brody, pela criatividade e pelo encorajamento. Agradeceu também a Wladyslaw Szpilman e a Roman Polanski, pelo melhor papel de sua carreira. E fez um discurso pacifista, como já era esperado se ele ganhasse. Disse que o prêmio lhe deixava muito feliz, mas que ele também estava muito triste por ter de ir receber um prêmio numa época tão estranha. E que justamente sua experiência no papel de um sobrevivente do Holocausto lhe mostrou a tristeza e a desumanização das pessoas numa guerra, além de suas repercussões. Pediu para que as pessoas rezem por uma resolução de paz, seja qual for seu Deus. Citou também um amigo seu de N.York, sua cidade natal, que agora está combatendo no Iraque.

Adrien Brody foi aplaudido de pé… Brody venceu Nicolas Cage, Michael Caine, Daniel Day-Lewis e Jack Nicholson, realmente um time imbatível.

Adrien Brody nasceu e cresceu em N.York e já tem mais de 20 filmes em seu currículo, muitos deles dirigidos por grandes diretores. Trabalhou em peças off-Broadway, desde os 12 anos, até seu primeiro trabalho em um filme de TV, em 1988.

Em O Verão de Sam, de Spike Lee, ele foi um punk bissexual dos anos 70. Em Pão e Rosas, de Ken Loach, ele foi um ativista político a favor dos imigrantes latinos em Los Angeles. Trabalhou também com Berry Levinson, Steven Soderbergh e Terrence Malick, entre outros. Além de O Pianista e Atrás da Linha Vermelha, Adrien Brody fez outro filme com a guerra como pano de fundo. No recente Harrison’s Flowers
Brody contracena com Andie MacDowell e é um fotógrafo de guerra, no triste embate da Iugoslávia, na década passada.

Em Pão e Rosas, de Ken Loach, ele vive um ativista político americano que defende os direitos dos imigrantes latinos

Mas é sob a batuta de Roman Polanski, no papel de Wladislaw Szpilman, sobrevivente do Holocausto, que Adrien Brody entra para o primeiro time de Hollywood. Seu papel em Atrás da Linha Vermelha, do controverso Terrence Malick, havia sido de grande intensidade também, mas acabou cortado na edição final, coisa que deixou Adrien muito desapontado. Com o sucesso de O Pianista, que ganhou também o Festival de Cannes, com direito a aplausos de 20 minutos após a exibição, Adrien deixa de lado a fase de garimpo na carreira de ator.

Para viver o sofrido pianista Wladyslaw Szpilman o ator teve de perder mais de 15 quilos, sendo que ele já não é gordo. Não que lhe seja pouco familiar esse tipo de preparação intensiva para um papel. Para interpretar o assassino serial de Oxygen (inédito no Brasil) ele colocou aparelho nos dentes. Para se preparar para o papel de um ativista político em Pão e Rosas ele participou de piquetes de grevistas em Oakland, na

Em Harrison’s Flowers (inédito no Brasil) Adrien Brody vive um foto-jornalista em conflito com seu trabalho na guerra da Iugoslavia

California. E para seu papel em O Verão de Sam ele aprendeu a tocar guitarra. É fato também que ele aprendeu a tocar piano para seu papel no filme de Polanski, um diretor duro, que não admite concessões para atores.

A imersão no papel de um sobrevivente do Holocausto aconteceu também em momento delicado para o ator. Após as filmagens na Europa ele voltou aos Estados Unidos bem na época dos atentados do 11 de setembro em sua cidade natal, N.York.

Em entrevistas Polanski justificou a escolha de Adrien Brody para o papel principal do filme. Em primeiro lugar o diretor não queria um ator muito conhecido. Ele gostou de Adrien Brody por ele ser muito discreto e por não parecer muito dramático. Na opinião de Polanski Brody tem uma presença muito marcante e um rosto maravilhoso que, mesmo em cenas simples, calmas, pode captar a atenção.

Adrien Brody vive um punk bissexual dos anos 70, em O Verão de Sam, de Spike Lee

Realmente, Adrien Brody fala com os olhos… O ator participou de uma seleção que envolveu testes com 1400 atores e não-atores em Londres, até que o diretor resolveu ligar para Adrien, que estava em Paris filmando The Affair of the Necklace (inédito no país), com Hillary Swank. Não era uma identidade física que o diretor procurava. Ele queria um ator jovem que pudesse entrar na pele do pesonagem, da forma como ele o havia imaginado. Brody fez um teste e, semanas depois, foi escolhido. Bom lembrar que, além de tudo, Adrien é parecidíssimo com o verdadeiro Wladyslaw Szpilman já que tem antepassados poloneses.

O ator é também um amante do hip-hop e adora o Run DMC. Apesar de ser um novaiorquino inverterado, a carreira de ator e o namoro com uma atriz e DJ, o estão levando cada vez mais para a costa oeste. Em Los Angeles, Adrien diz ter muitos amigos.

Adrien Brody, ao lado de Philip Seymour Hoffman e Edward Norton, é o que há de melhor na safra recente de atores americanos e levou merecidamente o Oscar, fazendo um discurso de agradecimento que é a sua cara: sensível, discreto e contundente.

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