Livro relata saga de família no comando da Casa Gucci

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Casa Gucci, de Sara Gay Forden, conta ascenção e queda da família no poder da marca e a era das corporações na modagucci

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Casa Gucci, de Sara Gay Forden, conta ascenção e queda da família no poder da marca e a era das corporações na moda 

Casa Gucci, livro de Sara Gay Forden que acaba de ser lançado no Brasil, faz um relato minucioso, recheado de histórias escabrosas de cobiça e luxo da saga da família Gucci, responsável por uma das marcas mais cultuadas da atualidade.

Em Casa Gucci Forden conta os primórdios da fábrica de malas e acessórios, fundada por Guccio Gucci após o término da primeira guerra mundial e faz um relato da ascenção e queda da família que ficou no comando até o início dos anos 90.

Casa Gucci
, como bem descrito pelo The Economist, é “um livro de negócios que você lê como um romance”. Do esquema super familiar ao glamour dos anos 50 e a abertura de lojas em Roma, Milão e N.York, nos anos 50 e 60, a Gucci virou uma febre entre as celebridades da época. Os mocassins Gucci eram peça obrigatória no guarda roupa de Frank Sinatra, por exemplo, que tinha uma coleção com centenas deles.

Três dos filhos de Guccio Gucci foram responsáveis pela expansão da empresa, dividindo as atividades sem grandes conflitos no início. Aldo Gucci era o grande executivo que tinha ótimas idéias e muita visão e acabou abrindo frentes para a marca fora da Itáia, estabelecendo-se em N.York. Rodolfo, ex-ator e muito bem relacionado nesse meio, ficou encarregado da primeira loja em Milão. Vasco cuidava da produção em Florença. Guardadas as proporções, já que é uma família tipicamente italiana, o arranjo entre eles funcionava até que seus filhos, a terceira geração Gucci, passou a trabalhar na Casa e se desentender.

Os conflitos passaram de freqüentes a intransponíveis em histórias que vão do tragicômico ao lamentável. Nos anos 80 a marca começou a diluir-se, por um lado por ter licenciado produtos demais, comprometendo a identidade, e por outro pelos conflitos que se transformaram em grandes brigas judiciais.

No final dos anos 80 e início dos 90 Maurizio Gucci, filho único de Rodolfo, tomou para si a empresa em espetacular golpe que envolveu a entrada de um grupo de investimentos do Oriente Médio, o Investcorp. Porém, a situação financeira precária da empresa precisava de uma mão forte de um executivo mais experiente e menos envolvido emocionalmente com a empresa, além de muitos investmentos. Foi quando Maurizio Gucci foi deposto e entrou em cena a dobradinha mais festejada da história da moda: o executivo Domenico De Sole e o estilista Tom Ford, que já trabalhavam na Gucci. De Sole e Ford ficaram no comando da Gucci por uma década e ajudaram a definir todo o mercado de produtos de luxo nos anos 90 e 00.

O livro tem um trabalho de jornalismo investigativo muito bom, com uma pesquisa que nos apresenta a história da família de Guccio Gucci e também todo o aspecto de negócio da marca até a faceta corporativa iniciada nos anos 90 e conceito chave para se entender os rumos da moda no mundo atual. Arrematado com as impagáveis histórias da família italiana é uma leitura que nos prende da primeira à última página.

Para quem conhece a Gucci de sua retomada nos anos 90, o livro oferece um relato bastante detalhado da história de Tom Ford, um dos maiores estilistas de hoje. Quanto ao assassinato de Maurizio por sua ex-exposa Patrizia, Casa Gucci relata com detalhes desde o início do relacionamento, que era mal visto pelo pai dele, até o julgamento que mobilizou a Itália e o mundo.

Casa Gucci é imprescindível para quem quer saber sobre os caminhos da moda no século XX e na atualidade e, de brinde, distrai com as histórias dignas de novelão mexicano. No entanto, se você pode ler em inglês, prefira a edição original pois a tradução em português é uma verdadeira vergonha, com invenção de palavras e inversão de sentido.

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