Quebrando a Banca

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Quebrando a Banca conta a história do time de 21 do MIT que ganhou milhares de dólares nos cassinos. Livro inspirou filme com Jim Sturgess e Kevin Spacey

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Pelo jeito a Geração X, aquela dos jovens dos anos 90 que não tinham muita perspectiva, rendeu mais anarquistas do que se poderia imaginar. Por um lado foram os completos “drop out”, aqueles que disseram não à civilização e tentaram viver de forma completamente alternativa como Chris McCandless, retratado em Na Natureza Selvagem, a biografia de John Krakauer que inspirou o filme de Sean Penn.

Por outro foram os anarquistas que tentaram achar brechas dentro do próprio sistema, seja para simplesmente enriquecer, seja como forma de protestar, encarnando um Robin Hood tecnológico, roubando das corporações e ficando famoso por isso. Nessa categoria ficaram famosos vários hackers (e os derivados crackers) e um outro grupo que agora vem à tona: os gênios do MIT, o Massachusetts Institute of Technology, a respeitadíssima universidade de Boston, nos Estados Unidos, que forma alguns dos maiores técnicos e engenheiros do mundo.

O time de 21 (blackjack) do MIT (MIT Blackjack Team), um grupo de estudantes e ex-estudantes do MIT, e também de Harvard e outras universidades super respeitadas, pegaram um atalho no caminho do sucesso e se dedicaram a passar seus fins de semana ganhando milhares de dólares em Las Vegas, jogando 21. O blackjack é um dos poucos jogos de cartas onde há uma lógica e existem várias teorias estatísticas que provam que é possível burlar a mesa, contando e classificando os baralhos que são utilizados nas mesas de jogo. Burlar nem seria a palavra certa e sim estimar se o baralho está com cartas “quentes” ou “frias”, ou seja, se já sairam ou não as maiores cartas, aquelas que fazem quebrar a banca, já que somadas dão mais que 21.

Não é tarefa simples, é tarefa para gênio, aliás times de gênios, pois é impossível conseguir a façanha sozinho. Os times consistem em três pessoas jogando na mesma mesa: um conta as cartas, outro, o “gorila”, joga e perde, mas tenta atrair bastante a atenção de todos com piadas e as mais diversas formas de exibicionismo. O terceiro é o “BP”, o big player, aquele que recebe as dicas do contador e está ali para fazer as apostas corretas.

O livro de Ben Mezrich, Quebrando a Banca (Cia das Letras), conta a história verídica de Kevin Lewis que, de 1994 a 1998, teve uma vida dupla: durante a semana era aluno exemplar do MIT e nos fins de semana se transformava em várias personas falsas que ele utilizava para atuar como um dos principais jogadores do time, que aplicava seus golpes não só em Las Vegas, mas também em cassinos menores em Chicago, na Louisiana e nas Bahamas.

O time de blackjack do MIT já não era novidade nos anos 90, ele já existia no final dos anos 70. Durante a década passada, com o avanço das tecnologias de segurança como câmeras e a velocidade de informação, fica muito difícil para um grupo conseguir ganhar muito nos cassinos. A partir do momento que um jogador começa a ganhar muito ele é convidado a se retirar e suas informações são fichadas num sistema de cooperação entre todos os cassinos.

As façanhas de Kevin Lewis e seus colegas brilhantes só foi possível durante um tempo, até que seus disfarces já não convenciam ninguém e suas fotos já estavam fichadas nos arquivos de todos os cassinos dos Estados Unidos e também do exterior. Mas a leitura de Quebrando a Banca, além de prazerosa, é interessante, mostrando o mundo dos cassinos e dos jogadores, muitos viciados, tema que parece bem recorrente hoje em Hollywood.

Quebrando a Banca inspirou o filme 21, produção com Kevin Spacey, Jim Sturgess e Kate Bosworth que acaba de estrear nos Estados Unidos e está liderando as bilheterias. O filme, cujo roteiro não é totalmente fiel à história do livro, estréia no Brasil na sexta, 18 de abril.

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