Rei do eurotrash ou maior nome do pop francês?

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Jérémie Renier vive Claude François em My Way

Com atuação primorosa de Jérémie Renier My Way mostra a história de Claude François, um dos maiores nomes da música francesa

Eu não sabia nada sobre a vida do artista pop Claude François, a não ser que ele gravou uma versão em francês de I Go To Rio que pode ser vista em clipe hilário no You Tube. Tampouco havia me tocado que o maior sucesso de Frank Sinatra, My Way, é uma versão em inglês de uma música igualmente famosa na França na voz de Claude François, Comme d’Habitude, obrigatória em qualquer curso de francês.

O que me levou ao cinema foi a presença no elenco do ator belga Jérémie Renier, habitué nos filmes da dupla irmãos Dardenne e do ator francês Benoît Magimel (A Professora de Piano), além de estar convencida de que a seleção de filmes do Festival Varilux de Cinema Francês, onde My Way estreou no Brasil, é uma das mais criteriosas entre os festivais de cinema brasileiros nos últimos anos .

Claude François foi um dos maiores nomes do pop francês nos anos 60 e 70 e My Way (Cloclo, 2012) mostra uma biografia do artista bem cronológica, com ênfase no desenvolvimento do peculiar personagem e na fantástica atuação do ator belga Jérémie Renier. Nascido no Egito, filho de mãe italiana e pai francês, Claude François iniciou a carreira numa rádio em Mônaco para onde a família se mudou quando ele tinha cerca de 20 anos, no final dos anos 50. Sem saber tocar bateria ele foi contratado como baterista e sua carreira demorou a decolar, principalmente porque no início ele tinha pouca ou nenhuma informação sobre o que estava acontecendo na música pop mundial. Naquela época o rock se espalhava pelo mundo e enquanto os salões e clubes explodiam ao som de Chuck Berry e similares, Claude François tentava conquistar a atenção de executivos de gravadoras com aparência de menino comportado.

Após alguns fracassos finalmente ele foi se adaptando aos novos tempos e nos anos 60 já fazia bastante sucesso cantando na maioria das vezes músicas americanas em versões francesas, mas parece que o feitiço virou contra o feiticeiro. Em 1968, no auge do sucesso de Comme d’Habitude, seu maior hit, Paul Anka comprou os direitos da canção para fazer uma versão em inglês que acabou se tornando o maior sucesso de Frank Sinatra gravada ainda em covers antológicos por Elvis Presley e Sid Vicious, dos Sex Pistols.

Apesar do roteiro linear, o suspense está presente em toda a trama e a atuação de todo o elenco é primorosa, com destaque ainda para Monica Scattini, que faz a mãe de Claude, simpática, amorosa e viciada em jogatina e Benoît Magimel como o empresário Paul Lederman. A caracterização através de figurino e maquiagem também é digna de nota num espetacular trabalho que transformou Jérémie em um cabeludo Claude François, mais velho que o ator e Magimel em Paul Lederman, gordo de cabelos encaracolados, igualmente mais velho que ele.

Outra coisa interesante para se notar na história de Claude François é que ele tinha muito tino comercial e era um marqueteiro de primeira, elementos que certamente são responsáveis pela fórmula de sucesso do artista que teve uma carreira muito bem sucedida e que acabou abruptamente.

O diretor francês Florent-Emilio Siri é conhecido por aqui pelo filme americano Refém, estrelado por Bruce Willis, entre outros títulos de ação. Em My Way Siri se empenha num gênero que é novidade para ele e se sai muito bem, portanto não perca.

Rei do eurotrash ou maior nome do pop francês?