Cuidado com a intolerância contra jornalistas


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Apesar de ser contra a opinião de Cristiana Lôbo me identifiquei com ela hoje e lembrei quando fui vítima de uma agressão simplesmente por exercer a profissão de jornalista

É interessante esse “poder” que se confere à mídia no mundo de hoje onde as informações são tão pulverizadas. Por um lado existem os grandes veículos brasileiros como a portal UOL, a Rede Globo e a revista Veja, os três sempre considerados pró-elite, e por outro uma infinidade de revistas, noticiários, TVs pagas, TVs públicas, portais, sites e blogs de internet, canais de vídeo na web e as redes sociais. Porque, num quadro de mídia tão vasto, tem gente que ainda acredita que um jornalista, sozinho, possa ter tanto poder?

A jornalista Cristiana Lôbo esteve esta semana no centro de uma controvérsia. Ela parecia estar a favor de Aécio Neves durante as eleições do ano passado, pelo menos é o que me pareceu várias vezes quando assisti a programas onde ela comenta política no canal Globonews. No entanto este domingo ela foi literalmente espinafrada durante as manifestações anti-Dilma. Ela foi considerada uma “vira-casaca”. Durante a manifestação pessoas gritaram ou mostraram cartazes com frases como “Cristiana vendida” ou “Cristiana, pare de defender Dilma”.

Afinal, Cristiana Lôbo é a favor ou contra a Dilma Roussef? Assisti a uns comentários dela hoje no Globonews, um dia após as manifestações de 16 de agosto, e ficou claro que ela é contra a Dilma Roussef. Continua com o mesmo posicionamento mostrado durante as eleições.

Não me importa muito qual o posicionamento da Cristiana, eu tenho o meu e me atenho a observar a grave crise política pela qual passamos. No entanto esse caso me fez lembrar de uma passagem que aconteceu comigo. Sou jornalista da área de entretenimento e tenho meu blog/site Bitsmag e a coluna Bits da Madrugada desde 1997, quando eu era editora do canal Cidade Virtual Rio de Janeiro do portal ZAZ/Terra.

Como vocês sabem o Bitsmag começou com programação de noite e festas, principalmente da cena de música eletrônica. Havia na época vários sites dedicados ao assunto e os próprios jornais e revistas publicavam colunas que cobriam esse tipo de entretenimento, portanto é óbvio que eu não sou nem nunca fui uma pessoa poderosa no meio, jamais me coloquei dessa forma. Não sou de dar “carteirada” em porta de festa ou clube e quando quero cobrir um evento eu falo com o promotor ou organizador antecipadamente e peço para me colocar na lista de imprensa, se isso for possível.

Nunca atuei como curadora de eventos grandiosos ou tive qualquer tipo de influência sobre qual DJ deve ou não ser contratado para tocar, principalmente na festa ou show dos outros. Fiz algumas festas para promover o meu site, as festas Bits Sessions, com edições no Rio e algumas em São Paulo e ocasionalmente algum promoter me procurava para tentava agendar algum DJ estrangeiro que estava de passagem pelo Brasil. Assim sendo fiz algumas festas com presença de DJs estrangeiros e brasileiros, estes que eu particularmente gostava. A festa é minha eu escalo o DJ que eu quiser, não creio que porque eu escolhi determinado DJ para tocar na minha festa, que aconteceu muito poucas vezes, isso pudesse de alguma forma influir tanto na vida dos DJs.

Minha intenção com o Bitsmag e por toda minha trajetória de agitadora e comunicadora cultural sempre foi tentar mostrar o que existe de novo, inusitado, interessante, segundo a minha humilde opinião. O que eu não gosto não falo, não tenho tempo, mal dá tempo para falar das coisas que eu gosto. Para eu me manifestar contra alguma coisa é porque realmente o assunto é muito importante, mas fazer crítica de set de DJ, sinceramente, nunca foi algo que publiquei no meu site, nem contra nem a favor.

Estou contando essa história porque me identifiquei com a Cristiana Lôbo. Várias vezes fui vítima da ira de algum DJ que em algum momento achou que eu estivesse favorecendo algum artista e, consequentemente, eu seria “contra” aquela pessoa. Na maioria das vezes eram pessoas que eu não conhecia e por vezes pessoas as quais eu jamais tinha ouvido falar.

O Bitsmag é um site de nicho e mesmo dentro desse nicho ele é pequeno, sempre foi. Sorte da Cristiana Lôbo que não passou pelo que eu passei. Essa “sorte” ela tem por trabalhar num veículo grande e poderoso e portanto, apesar de criticarem a jornalista, vão pensar bastante antes de agredí-la da forma eu já fui agredida. Ou melhor, como meu filho foi agredido, uma criança de 5 anos na época.

Pois é, meus amigos, incrível não? Um DJ carioca, o qual eu não conhecia pessoalmente, apesar de saber quem ele era e de nunca ter deixado de mencionar seu nome quando ele tocava numa festa que eu estava cobrindo ou mesmo apenas noticiando, atacou meu filho de 5 anos num evento diurno aqui no Rio de Janeiro.

Era um evento dentro de uma loja multimarcas no centro do Rio e o tal DJ estava tocando um set enquanto as pessoas conversavam, tomavam drinks, tudo bem alegre, leve, feliz. Lá encontrei o jornalista colaborador do Bitsmag, André Abrantes, meu amigo pessoal, faixa preta de judô, grande e pavio curto. Foi uma benção divina que ele foi embora uns minutos antes do que estou aqui prestes a contar para vocês, porque se estivesse dentro da loja nem sei o que poderia ter acontecido, talvez até uma morte.

Pobrezinho do Pietro, estava sentado sozinho, meio cansado de olhar roupas com a mãe. As picapes estavam ali perto do sofá onde o Pietro estava sentado e, surpreendentemente, não havia ninguém tocando. Não sei se o DJ havia ido ao banheiro e tinha deixado um set em CD para tocar, mas vi que não havia ninguém perto das picapes e o pequeno chegou perto do equipamento. Eu estava vendo de longe. De repente eu vi meu filho “voando”. Foi tudo muito rápido, eu estava a poucos metros deles, mas não deu tempo de impedir a agressão.

Pietro chegou perto das picapes e o tal DJ surgiu e o empurrou, puxou o menino e jogou longe, contra o sofá. Como se não bastasse agredir fisicamente uma criança de 5 anos, veio me ameaçar depois e disse que ia mandar a dona da loja “fechar todas as portas” para que eu não saísse antes de pagar a agulha da picape que, segundo ele, meu filho havia quebrado. Na verdade eu estou convencida de que ele havia quebrado essa agulha antes, já tinha colocado um set em CD porque a picape estava quebrada e aproveitou para colocar a culpa na criança para não ter de pagar o prejuízo ao dono do equipamento. Mas tudo bem, digamos que o Pietro tenha mesmo quebrado a agulha. É para empurrar e jogar longe uma criança de 5 anos? É para ameaçar mandar fechar a loja antes que eu saísse correndo “sem pagar o que eu devia” a ele? E isso tudo sem me pedir desculpas por colocar as mãos no meu filho????

Com o espírito mais diplomático que eu consegui tirar não sei de onde, eu relevei e lidei com a situação da maneira mais elegante possível. Na mesma hora liguei para um amigo que vende equipamentos para DJs e encomendei a tal agulha, paguei naquela semana mesmo por depósito em conta e pedi que quando chegasse do exterior a encomenda fosse entregue diretamente ao dono do equipamento de som. Guardei o recibo do depósito, logicamente. Infelizmente o comerciante de equipamentos não entregou a tal agulha ao tal dono do equipamento e meses depois só fui descobrir isso porque o tal DJ que agrediu meu filho, uma criança de 5 anos (nunca vou cansar de repetir isso), estava falando horrores de mim a potenciais parceiros comerciais do meu site, ou seja, querendo mais uma vez me prejudicar, me agredir. Lá fui eu resolver o imbróglio, pelo menos eu havia guardado o recibo do depósito que havia feito na loja de equipamentos. O tal DJ mesmo tendo agredido fisicamente uma criança de 5 anos, meu filho, mesmo eu tendo lidado com a situação da maneira mais elegante possível, pagando um equipamento que na verdade nem acho que deveria pagar, até hoje faz cara de magoado quando me encontra.

Agora vocês vejam isso: eu vou a um evento numa tarde de sol no Rio de Janeiro, acompanhada de meu filho, uma criança , saio de lá arrasada, com um nó na garganta e com um rombo de 100 dólares na minha conta bancária. Não obstante tal pessoa nefasta ainda continua falando horrores de mim, tentando me prejudicar. E porque isso? Porque talvez essa pessoa achasse que eu “favorecia” DJs, ou estava “do lado” de algum DJ ou sei lá o que a mente desse tipo de pessoa intolerante possa pensar… E vejam que encrenca que essa pessoa criou.

Portanto peço a todos que pensem mais antes de julgar um jornalista. A pessoa tem direito de ter suas posições políticas e suas convicções, seja quais forem. Na verdade seria melhor não demonstrar opiniões, melhor seguir à risca a bíblia do jornalismo e procurar a neutralidade, mas como isso é praticamente impossível, é utópico, vamos respeitar estas pessoas que, como eu, querem apenas comunicar, seja a cultura, seja a arte, no meu caso, ou a política, no caso da Cristiana Lôbo.

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