XII Bienal do Livro (2005)

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Oliver Sacks - convidado da XII Bienal do Livro
Oliver Sacks – convidado da XII Bienal do Livro

E continua no Riocentro, em Jacarepaguá (ou Barra, como queiram) a XII Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. A feira, que vai até este domingo, 22 de maio, está instalada em três grandes pavilhões (verde, vermelho e azul) com 944 expositores, além de intensa programação cultural que envolve palestras, debates e sessões de autógrafos com 24 escritores internacionais e 230 nacionais.

Os debates e palestras acontecem nos diversos salões espalhados pelos pavilhões da Bienal, já os bate-papos rolam no Café Literário, um restaurante (filial do Esch Café) com uma sala de visitas onde os autores conversam com seus leitores, geralmente mediados por um jornalista. Um novo tipo de encontro com os escritores foi criado nesta edição da Bienal, o Imaginário de Autor onde duplas de autores se encontram para falar sobre dois temas básicos: Fantasia e Transgressão. Esta segunda semana de feira o tema é Transgressão e os autores falam sobre crime e traição e demais temas marginais, malévolos, subversivos e secretos como os códigos e os serviços de inteligência. O ambiente é um cenário que se transforma com luzes, sombras, fumaça e aromas exóticos, trasnmitindo a sensação de submundo, marginalidade e mistério. A leitura de poesia também tem vez com saraus organizados pelo jornalista e poeta Claufe Rodrigues.

Desde seu início, em 12 de maio, a feira já promoveu palestras e eventos com diversos autores brasileiros e estrangeiros. Nesta segunda semana, entre os escritores internacionais, os destaques vão para Oliver Sacks e Colm Tóibín. Oliver Sakcs é o escritor e médico neurologista inglês que teve seu livro Tempo de despertar (1997) transformado em filme estrelado por Robert De Niro e Robin Williams. Sacks faz uma palestra esta sexta, 20 de maio, às 20 horas, com o título “A neurologia e a alma: Um encontro com Oliver Sacks” (Auditório Fernando Sabino – Pavilhão Azul).

No sábado o escritor irlandês Colm Tóibín estará no Café Literario conversando com o público, com mediação da jornalista Regina Zappa. (“Mestre Henry James e outras histórias: encontro com Colm Tóibín” – Pavilhão Verde às 13 horas). Tóibín lança pela Companhia das Letras seus mais recente romance, O Mestre. Seu romance anterior, A luz do farol, foi indicado ao Booker Prize em 2004. Em sua tematica Tóibín aborda as relações familiares e A luz do farol foi considerado perturbador pela crítica internacional.

Um dos espaços que devem ser visitados na Bienal é o estande da França. O país homenageado nesta edição do evento tem um enorme estande logo na entrada da Bienal, no Pavilhão Verde. Em seus 285 metros quadrados o espaço tem uma filial da Livraria Leonardo da Vinci, uma das mais tradicionais do Rio, com 1500 obras à venda, incluindo um sebo de preciosidades da língua francesa. Olivier Cozan, chef francês radicado no Rio de Janeiro, pilota um mini-restaurante, o Café Jean-Paul-Sartre, onde serve diariamente vinhos e guloseimas enquanto autores dão palestras e oficinas ou artistas fazem apresentações musicais. Esta quarta quem aparece no estande da França é o diretor de cinema Jonathan Nossiter, do filme sobre vinhos Mondovino. É às 18h30min. No sábado, às 17 horas, o colecionador de livros José Mindlin conversa com o público. Mindlin é dono de uma das mais belas bibliotecas privadas do mundo e um apreciador da cultura francesa.

Entre os estandes que devem ser visitados na Bienal destacam-se os das grandes editoras nacionais como Companhia das Letras/Jorge Zahar, Rocco, Planeta e Objetiva que detém o maior número de lançamentos recentes. A Jorge Zahar lancou a maior obra de Proust, Em Busca do Tempo Perdido, em versão de quadrinhos, de autoria de Stéphane Heuet, um dos autores franceses convidados pela Bienal. A internacional Taschen, especializada em livros de arte, tem um estande pequeno na feira.

Literatura jovem é especialidade da editora Conrad que também tem um estande na Bienal do Livro e está com vários livros recém lançados dos quais se destacam os quadrinhos internacionais Freak Brothers (do trio junkie dos anos sessenta) e Sandman, mangá japonês que conta em 14 episódios uma interpretação bem particular de Buda, na saga de Siddhartha Gautama, príncipe dos Sakyas, desde o nascimento até a iluminação. O autor, o japonês Osamu Tezuka, recebeu o Prêmio Will Eisner em 2003, um dos mais importantes dos quadrinhos. Vida de Estagiário é HQ com sátira corajosa e politicamente incorreta de Allan Sieber, originado nas páginas do suplemento Folhateen da Folha de S.Paulo Entre os livros da Conrad pode-se encontrar o já clássico Todo DJ Já Sambou, da jornalista Cláudia Assef e o romance 54, sobre a época da guerra fria na Europa.

O estande da Devir também não pode deixar de ser visitado. A editora Devir lança grandes cartunistas brasileiros como Angeli, Glauco, Adão Iturrusgarai (Rocky&Hudson) e Fernando Gonsales (Nickel Náusea). Estes últimos estarão autografando seus livros na Bienal no sábado e no domingo entre 19 e 21 horas. O estande tem também demonstração de RPG e outros jogos de cards como Magic e Dungeons&Dragons.

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