Keith Haring – Selected Works

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Mostra de Keith Haring esteve em cartaz no Rio até o final de novembro de 2010 – veja o vídeo Drawing the Line, sobre a vida do artista

Fica em cartaz no Rio de Janeiro até o final de novembro a exposição Keith Haring – Selected Works. São 94 obras selecionadas pela curadora Sharon Battat  expostas na Galeria 3 da Caixa Cultural Rio de Janeiro, em produção realizada em parceria com a Fundação Keith Haring. A mostra é comemorativa também: 2010 marca o aniversário de 20 anos da morte precoce do artista. Keith Haring morreu de complicações decorrentes do vírus HIV em 1990, aos 31 anos.

A mostra da Caixa é dividida em quatro temas: Pop Shop, The Blueprint Series, Apocalypse e The Story of Red and Blue. Além das serigrafias e desenhos expostos, há uma sala com objetos pessoais, fotos polaroid e exibição de dois vídeos: Drawing The Line, uma biografia de Keith Haring feita quando ele ainda estava vivo, nos anos 80, e um episódio de um programa da produtora Olhar Eletrônico, de 1983, gravado quando Haring esteve em São Paulo para a Bienal.

Em Pop Shop estão algumas das serigrafias mais conhecidas e icônicas do artista, muitas delas comercializadas nos primórdios da loja da rua Laffayette, em Manhattan. Essas serigrafias chegaram a ser comercializadas por valores irrisórios, como 50 centavos, no início da Pop Shop, até Keith Haring perceber que vários colecionadores estavam comprando centenas delas. Por isso a loja passou a vender quantidades limitadas das sergirafias. Hoje são vendidas por mais de 5 mil dólares. A Pop Shop, a loja que comercializou produtos diversos com a marca de Keith Haring, existiu de 1986 a 2005 e por quase vinte anos comercializou camisetas, adesivos, artigos de decoração e outros objetos. Uma loja online continua o legado da Pop Shop, vendendo para o mundo todo os múltiplos de Keith Haring.

A importância da Pop Shop foi maior que a simples venda de artigos com a marca Keith Haring, tanto que em 2009 uma réplica da loja foi montada na exposição Pop Life: Art In a Material World, do museu britânico Tate Modern, uma mostra que reuniu os artistas mais significativos da pop art mundial. Através da Pop Shop a obra de Keith Haring ficou acessível ao grande público, mote de toda sua proposta artística. Para Haring a arte deveria ser acessível a todos, um passo além de Andy Warhol que provou que a arte pode ser um bom negócio.

Apocalypse mostra obras feitas em parceria com um dos ídolos de Keith Haring, o escritor William Borroughs. Aqui são apresentadas colagens envolvendo os signos característicos do artista e o questionamento do escritor, através de rabiscos, inserção de fotos, pintura e outras intervenções por parte de Borroughs.

The Blueprint Series são 17 desenhos criados no período de um mês, entre dezembro de 1980 e janeiro de 1981. Estes trabalhos foram reeditados por Keith Haring dez anos depois, perto de sua morte, formando um portfolio de serigrafias. Aqui fica patente o estilo inigualável de Keith Haring, marcado pelo estudo da semiótica. Signos que se tornaram a marca registrada do artista servem de porta-voz de suas ideias, expressadas através de temáticas sociais como guerra, luta contra as drogas, liberação sexual e a batalha contra o apartheid na África.

The Story of Red and Blue é uma série de desenhos originais feitos já no final de sua vida para os filhos do galerista Hans Mayer. Haring não conseguiu assinar esta série de gravuras pois a impressão só ficou pronta após a sua morte, portanto os desenhos são identificados pela marca d’água.

A sala especial que fica no final da exposição tem alguns tesouros que ajudam a conhecer melhor seu trabalho e sua ideologia. Aqui se podem conferir objetos pessoais como um par de tênis e um skate, além de fotos, cartas e dois vídeos. Muitas das fotos são polaroid, tiradas na Bahia, na casa do amigo novaiorquino Kenny Scharf, em Ilhéus. Zena, filha de Kenny, era afilhada de Keith Haring e recebia muitas cartas do padrinho. Uma delas está na exposição e ali se pode ver, além do amor imenso que o artista sentia pelas crianças, seu estilo de escrever, misturado com símbolos e desenhos.

Em Drawing the Line, documentário sobre Keith Haring que está na programação da mostra da Caixa, galeristas, curadores e o próprio artista falam sobre sua carreira meteórica, além de outros assuntos pertinentes em sua obra, como o ativismo pela causa da AIDS.

Uma pérola que está em exibição na mostra é um programa de 1983, da Olhar Eletrônico, produtora de vídeo independente paulistana que rompeu barreiras nos anos 80 e lançou o personagem repórter Ernesto Varella, de Marcelo Tas. A Olhar Eletrônico era dirigida por um coletivo de profissionais, entre eles Marcelo Machado e o diretor de cinema Fernando Meirelles. A equipe do programa seguiu Keith Haring num passeio de bicicleta dentro da Bienal de São Paulo, em andanças pela cidade e o acompanhou ainda enquanto ele pintava um muro no bairro do Sumaré. O vídeo é histórico e tem cenas hilárias, como a do entrevistador Patrício Bisso que, enquanto Keith está grafitando, pergunta a ele sobre a relação entre arte e dinheiro. Keith Haring, contrariado, responde: “Andy Warhol já falou muito sobre isso”.

Keith Haring – Selected Works

De 28 de setembro a 28 de novembro
Caixa Cultural Rio de Janeiro
Av. Almirante Barroso, 25, Centro
De terça a sábado das 10h às 20h.
Domingos e feriados das 10h às 21h.
Grátis

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