Coluna Bafo: Pareto

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(Entrevista publicada em 13/10/2004) Coluna Bafo: Pareto

O promoter Luiz Fernando, das noites Porno Royale (às terças no ampgalaxy) e produtor da festa Xarope, passa a escrever no Bitsmag a coluna Bafo SP, falando sobre as figuras chave da noite paulistana e também contando os últimos bafos. Com vocês a coluna Bafo!!!!!

Por: Luiz Fernando – email: luizfernando@bitsmag.com.br

Pareto em turnê européia visita Rússia, Suécia e Inglaterra

O entrevistado desta semana é o DJ Luiz Pareto. Este ano em que comemora 13 anos de carreira muita coisa boa aconteceu . Construiu uma carreira sólida e tem uma legião de seguidores por todo o país. Pareto é residente de festas como Xarope, Freak Chic e Porno Royale em São Paulo, tem sua residência mensal no Rio no Club Dama de Ferro. Animado, Pareto toca no Dama na próxima sexta, dia 16, na Xarope, em S.Paulo, no dia 17 ao lado do DJ alemão Ata, dono do selo Playhouse e dia 18 embarca para uma turnê na Europa .

Moscou é a primeira parada da próxima turnê européia do houseiro Pareto. O clube é o Propaganda, que tem angariado rasgados elogios dos DJs que por ali passam, como os tops Mark Farina e Derrick Carter. Em seguida a parada é na hiper desenvolvida Suécia, com gigs em Estocolmo e Malmo. De lá a gig é portuguesa, com certeza, no clube Tripex do Portoe depois no after hours Paradise Garage em Lisboa. Pra finalizar com chave de ouro Pareto toca na meca da eletronica mundial, Londres, mais precisamente no Aka, anexo ao super hiper mega clube The End.

Esta não é a primeira turnê do DJ que já tocou outras vezes no exterior, como no ano passado, que esteve na Bélgica e na França. No próximo ano o DJ pretende repetir esses países em mais uma turnê pela Bélgica, Espanha e Alemanha. Por isso o lance é conferir o house swingado e personalíssimo de Pareto em suas últimas datas no Brasil antes de sua próxima turnê européia.

Bafo SP: Fale-nos um pouco do início, todo mundo sabe que vc é ator. Como foi a transiçao dos palcos para as pistas?

Luiz Pareto: Fui ator por uns 10 anos ou mais. Tenho registro profissional e tudo. Fiz diversos espetáculos teatrais quando morava no Rio de Janeiro. Fazia parte de um grupo de teatro, o Banduendes, que nasceu de um curso com o famoso grupo Asdrubal Trouxe O Trombone. Aliás, nossos professores, Evandro Mesquita e Patrícia Travassos, viraram nossos diretores, e essa aproximação levou a gente a participar de vários clipes da Blitz e até de uma temporada de shows da banda no Canecão. Nessa época meu grupo ganhou um programa na TV Educativa do Rio e eu cheguei a gravar um programa Caso Verdade da TV Globo, além de três pequenas participações no badalado programa Armação Ilimitada. Foi quando gravei um programa humorístico na TV Bandeirantes, aqui em São Paulo, que me apaixonei pela cidade, tanto no aspecto cultural como na vida noturna, e resolvi me mudar pra cá. Não demorou muito para eu descobrir a cena eletrônica da cidade e cair na balada. Eu já costumava comprar bastante discos, e de diferentes estilos, comecei a pesquisar onde fosse possível o som que ouvia nas pistas de São Paulo. No início dos anos 90 conheci o caracterizador Westerley Dornellas durante as gravações de um comercial e foi ele, sabendo da minha paixão pela música e da minha já vasta coleção de discos, que me convidou para brincar de DJ numa festa na casa dele. A brincadeira foi virando séria com o passar do tempo. As festas montadas em casa se profissionalizaram, e não demorou muito para vir o convite para tocar numa casa noturna, começando pelo extinto Nepal.

Bafo SP: Hoje em dia vc é DJ de house, mas já passeou por diversos estilos até se definir, era muito dificil tocar antes por não ter um estilo definido?

Luiz Pareto: No começo não porque a cena era menor e todo mundo frequentava os mesmos lugares e eu até gostava da liberdade de tocar o que queria. Mas após o “boom” da música eletrônica as coisas foram ficando mais difíceis. O inchaço da cena, trouxe a segmentação do público tanto por estilos como por perfil dos freqüentadores das festas. A segmentação trouxe a especialização do som dos DJs. Para mim foi apenas escolher o estilo que era mais tocado nas minhas pick-ups. Mesmo assim gosto de variar, então a pista pode sempre esperar que eu dê algumas escapulidas do house para algum tipo de breakbeat, e fazer meus sobe-desce com os climas na pista.

Bafo SP: Neste ano em que você comemora 13 anos de carreira, como avalia sua trajetória até aqui?

Luiz Pareto: Uma subida lenta e segura. Nunca explodi de maneira bombástica. Nunca tive altos e baixos também. Tudo vem acontecendo aos poucos.

Bafo SP: Como você vê a cena hoje em dia ?

Luiz Pareto: A profissão de DJ perdeu um pouco o charme, já que hoje em dia todo mundo resolveu virar DJ. Tem um em cada esquina (risos). E o que é pior, a maioria dos DJs que começam agora estão mais interessados no sucesso que podem alcançar em sua carreira, e não vêem nenhum problema se prá isso tiverem que tocar qualquer porcaria pra bombar a pista. Bem diferente da época em que eu comecei a tocar quando quase todos os DJs tinham algum ideal em mente. A consequência disso é que a música decaiu nos clubs e o povo já pensa duas vezes antes de sair de casa prá dançar num club. Por isso que agora tem esse festival de festinhas rolando em espaços alternativos em Sampa.

Bafo SP: Atualmente quais são as tuas residências?

Luiz Pareto: A festa Freak Chic no D-Edge de São Paulo, onde toco mais ou menos duas de cada três sextas. Tem sempre que conferir nos flyers e informes da festa para se certificar que noite estarei lá. Tenho também uma residência mensal na terça-feira no Ampgalaxy, e ainda uma sexta-feira por mês na festa Pufe no club Dama de Ferro no Rio de Janeiro. E no momento, o mais importante é a nossa festa itinerante Xarope.

Bafo SP: Você vem se destacando como produtor musical também, o que vc está preparando?

Luiz Pareto: Já estou preparando faixas novas para o lançamento do terceiro EP pelo meu selo, o Rebolado. Algumas delas eu já ando tocando por aí.

Bafo SP: Vc entra em turnê pela Europa agora, onde vai se apresentar?

Luiz Pareto: No renomado club Propaganda em Moscou (Russia), na festa ‘Art 4 Pleasure’ em Malmo na Suécia, no club Triplex na cidade do Porto em Portugal, no premiado afterhours ‘Paradise Garage’ em Lisboa, e termino no Aka, anexo do famoso club londrino The End.

Bafo SP: Outra caracteristica sua é estar sempre de olho nos novos talentos, quem vc destaca na atualidade?

Luiz Pareto: O DJ Márcio Vermelho que faz a festa Selector de Frecuencias.

Bafo SP: Quando está no Rio de Janeiro o que gosta de fazer?

Luiz Pareto: Aproveito pra curtir a família e os amigos. No máximo dou um pulinho na praia. Se resolvo sair, é prá dançar house no Dama de Ferro na sexta ou no Zero Zero no domingo.

Bafo SP: Qual a melhor pista na atualidade?

LP: A pista da Xarope onde o povo realmente respira música.

Bafo SP: Como vc vê o futuro da cena eletrônica?

Eu vejo o ecletismo pouco a pouco voltando às pistas e com isso também, estamos assistindo a uma série de novas fusões de estilos. House, electro, techno, breaks, disco, hip hop e rock & roll parecem estar todos se misturando e eu estou me divertindo novamente, pois já estava achando tudo um saco entre o final da década passada e o início dessa.

Bafo SP: Chart?

1 – Style Of Eye featuring Paola Ratcliff – Gioco (Classic)
2 – Spektrum – Kinda New (Tiefschwarz Dub Mix) (Playhouse)
3 – Coringa aka Luiz Pareto – Rebolado 003 (Rebolado CDR)
4 – Sean Dimitrie featuring Tim Fuller – So Hot (Swag Mix) (Odori)
5 – M.A.N.D.Y. – Naomi (Dirt Crew Mix) (My Best Friend)

Bafo SP: Quais seus projetos para o futuro?

Luiz Pareto: Além de tocar e produzir mais estou voltando a escrever textos e roteiros e também distribuindo minhas fotos nas agências de atores da cidade. Afinal não pretendo continuar tocando por aí de bengalas. Fico mais afins de ser ator da terceira idade.

Bafo SP: Para te contratar?

Luiz Pareto: É só ligar na Hypno e falar com o Paulinho através dos telefones 3044-6603 ou 3045-2197, ou mesmo me enviando um email para o endereço djlpsp@yahoo.com

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