Coluna Bafo: Felipe Venâncio

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Coluna Bafo: Felipe Venâncio

(entrevista publicada em 21/10/2004) 

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O promoter Luiz Fernando, das noites Porno Royale (às terças no ampgalaxy) e produtor da festa Xarope, passa a escrever no Bitsmag a coluna Bafo SP, falando sobre as figuras chave da noite paulistana e também contando os últimos bafos. Com vocês a coluna Bafo!!!!!

Por: Luiz Fernando – email: luizfernando@bitsmag.com.br

O entrevistado desta semana é o DJ e produtor Felipe Venâncio. Um dos pioneiros da House Music no Brasil, Felipe é queridinho das celebridades e do mundo fashion local. Atualmente Felipe é residente das quintas no Up, no Itaim, em S.Paulo e divide-se entre viagens e produções com uma agenda que é uma loucura .

Bafo SP: Você sempre se interessou por música? Como foi o início de tudo?

Felipe Venâncio: Festinhas e mais festinhas. Lembro que botava uma lâmpada branca dentro de uma lata de Neston e em cima colocava um lenço vermelho na hora da música lenta. Usava muitos cassetes, tipo BASF laranja, sabe? Era tudo! Muita disco music e umas mixagens do demônio. Ficava mixando uns efeitos sonoros em cima das músicas do além e achava o máximo… Só eu, talvez.

Bafo SP: Quais as suas influências musicais ?

Felipe Venâncio: Gosto de house clássica. Acho ok as novas houses cheias de delays, loops intermináveis e linhas de baixo que botam o clube no chão. Mas passo mal mesmo com um bom vocal tipo Jersey.

Bafo SP: O que você costuma ouvir em casa ?

Felipe Venâncio: Escuto de tudo quando estou em casa: rock, nacionais, hip hop e heavy metal, também. Montei uma agência de música que se chama 12" e preciso ficar com os ouvidos espertos e abertos.

Bafo SP: A Dr. Smith com sua residência na histórica festa carioca Até que Enfim é Sexta –Feira e a ValDemente foram fundamentais para o reconhecimento nacional nas pistas ?

Felipe Venâncio: Super! Às vezes essas coisas acontecem, não é sempre. Digo, de estar no clube (ou festa, no caso da Val) que todos querem estar e você tocar um som que todos querem ouvir naquele momento. Em 18 anos, vi isso acontecer somente 3 vezes. Colocaria a minha residência na Disco, como a terceira vez.

Bafo SP: Como foi largar o Rio de Janeiro e vir para S.Paulo ?

Felipe Venâncio: Troquei o Rio de Janeiro por S.Paulo porque a noite carioca tava uó profissionalmente e principalmente porque tinha casado com a Erika. Me acostumei fácil a S.Paulo porque não morava perto da praia e não tinha o famoso "mergulhinho" no meio da tarde, que me faria falta. Sempre morei no Méier, que é tipo Pinheiros (mais pro Largo da Batata). No início em SP não tinha house nos clubes e o Hell’s estava no auge. Nesse período consegui umas residências importantes onde tocava house, como na Lôca, que na época, antes de eu entrar, fechava às 4hs da manhã (imagina isso?) e no Lov.e, que inaugurei.

Bafo SP: Além de discotecar você também produz e muito. Já trabalhou com grandes feras da música brasileira como Bebel Gilberto , Roberto Carlos, Luciana Mello e Marina Lima, entre outros. Quais os trabalhos que mais curtiu produzir ?

Felipe Venâncio: Faço remixes e pequenas produções pra poder tocar. Às vezes procuro uma sonoridade durante meses e, depois, descubro que essa música não foi feita. Por exemplo, tava querendo um dia desses uma música cheia de timbales e que tivesse uns vocais de negão dando um ritmo pra poder tocar depois de uma música cheia de vocais. Procurei por todos os produtores internacionais que conheço que poderiam fazer essa combinação e não achei. Resolvi ligando pro Paulo Campos, percussionista, e pronto. O negão eu sampleei de um disco do E-man. Minha última produção foi o remix do Zeca Pagodinho pra Brahma. Ficou incrível e adorei fazer.

Bafo SP: Fale-nos um pouco da 12 " Agencia de Música: que tipo de trabalho que você realiza e quem são seus clientes?

Felipe Venâncio: Somos especialistas em música. Meu sócio, Tuta Aquino, é megabombado em produção e trabalhou com um monte de gente que importa. Aquela música da Yazz, que aliás voltei a tocar, The Only Way is Up tem ele nos créditos, o disco da Madonna You Can Dance, Duran Duran, Janet Jackson, Snap – The Power (é uma das músicas da minha vida) e Gypsy Woman da Crystal Waters também tem. Aqui, fazemos remixes, jingles, trilhas de filmes, spots, consultorias (tipo Massive Attack), trilhas para lojas, como a Daslu e o Clube Chocolate, e temos uma agência de DJs fashion. Escolhi amigos como o Corelli, Alexandre Herchovitch, Johnny Luxo, Jackson Araújo e a querida Camila Yahn, entre outros.

Bafo SP: Você está sempre viajando para o exterior e recentemente esteve na Rússia e em Paris. Como é a recepção lá ?

Felipe Venâncio: Eles na Rússia são loucos. Adorei mas achei tudo meio tosco. Estávamos protegidos e cheios de produtores, mas quando tínhamos que fazer as coisas sozinhos, ficava drama. Lá, pra pegar um taxi, você só tem que levantar o braço. Qualquer motorista pára e você negocia o preço da corrida. Você entra no carro do cara e no banco tem coisas pessoais como brinquedo dos filhos e revistas. Parece carona. Eles amam panquecas e adoram sopa. Ursos são fundamento e faz um frio do caralho. Em Paris, toquei na festa bombada da Donata Meirelles e da Eliana Tranchesi em um apartamento chic no Quai D‚Orsay. Veuve Cliquot e Andre Leon Talley

Bafo SP: Em que países você já se apresentou ?

Felipe Venâncio: Em Ibiza, onde fui o primeiro brasileiro a tocar na ilha, em 98. Toquei no Privilege na festa Vaca Assassina. Em Londres, em Portugal, com o Soul II Soul e depois no Rock in Rio. Milão, com o Bob Sinclar; N.York; Cannes, no lançamento do filme Madame Satã; Saint Tropez; Sardenha, no barco de um príncipe, e outros lugares que não lembro agora.

Bafo SP: Quem são os DJs que fazem a sua cabeça?

Felipe Venâncio: Essa é fácil: Tony Humphries, Larry Levan, Todd Terry, Kenny Dope, Kerri Chandler, DJ Spen do clã do Basement Boys, Osunlade, DJ Pierre, Louie Vega e um monte de gente. Todos de house, claro.

Bafo SP: Em SP , qual a melhor pista na atualidade?

Felipe Venâncio: Vou onde o Corelli está tocando.

Bafo SP: Quando está no Rio de Janeiro, o que gosta de fazer ?

Felipe Venâncio: Ser carioca e comer um monte de besteiras em um botequim na zona sul. Adoro parecer turista na minha própria cidade.

Bafo SP: Quais os seus projetos para o futuro?

Felipe Venâncio: Vou tocar toda sexta nesse clube que vai abrir em novembro. Ele se chama Lotus e é a filial oficial do clube de N.York. O Lotus é tipo onde as meninas do Sex in The City iam tomar os seus cosmopolitans. Beeem jet-setter. Estou tocando todas as quintas nesse clube chamado UP que fica na rua Amaury, em cima do restaurante Ecco, e estou adorando. É tipo clubinho, com teto baixo e pouca luz. House music all nite long e champs, muita champs.

Bafo SP: Quando você toca no Rio de Janeiro é sinônimo de festa bacana porque você consegue tirar de casa a galera das antigas. Tem muita gente que acompanha o seu trabalho até hoje?

Felipe Venâncio: Adoro isso. Você sabe, né? A noite passa na vida das pessoas e nós, DJs, ficamos. É total, geracional. Quando posso rever amigos de pista fico super feliz. O bom dessas festas é que não parece nostalgia e nem fico tocando coisas do passado durante o set para fazer isso acontecer. Os discos são novos e o que volta é a diversão da época.

Bafo SP: Você já lançou cinco CDs, quando vem o próximo?

Felipe Venâncio: Se entregar o tracklist e parar de fazer a louca, esse ano ainda. Troquei de gravadora e fui pro selo do Luciano Huck, o Jóia. Estou super animado com esse CD e acho que ele vai arrasar. São muitas músicas que quero pôr e não cabem todas, claro.

Bafo SP: Como te contratar?

Felipe Venâncio: Pelo meu site, Felipe Venâncio. É um mini-site com apenas as datas e lugares de onde vou estar, biografia e alguns sets pro povo ouvir. Entra lá.

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