boTECOeletro mostra novos caminhos da música eletrônica brazuca

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boTECOeletro mostra novos caminhos da música eletrônica brazuca

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O projeto boTECOeletro, que debutou em compilação dos franceses da Favela Chic, é composto por Kátia B (vocoder e ozone), Negale Jones, ex-Planet Hemp (sample, rádio AM e caos pad), Leo Saad (guitarra) e Ricardo Imperatore (mpc, live e oxigen). O show tem ainda participações especiais de Sergio Loroza (Monobloco), Donatinho (filho de João Donato) e do cantor e artista plástico, Cabelo. O DJ Duda comanda a festa antes e depois do show.

A muito tempo se procura o verdadeiro som da atualidade brasileira. Seria eletrônico? Seria uma revisitação dos nossos regionalismos? Seria, talvez, isso tudo junto? O resultado dessa procura incessante dos músicos atuais no Brasil e mesmo dos entusiastas “brasilianistas” de fora do país, está cada vez mais chegando a um consenso. A turma das pistas de drum’’n bass tem feito um bom trabalho embarcando na onda de revisitação da bossa nova, uma mania que veio de fora no final dos anos 90 mas que foi bem aproveitada por músicos brasileiros. Markly, Patife, XRS e Marcelinho da Lua fizeram com maestria a transição do som puro de pista para o pop Brasil que toca em tudo quanto é lugar e atinge as massas, agradando a gregos e troianos, do “oiapoque ao xuí”, aqui e no exterior. Ponto pra eles.

Não foi tão fácil o casamento da eletronica com a música brasileira. O ineditismo da eletronica a mantinha em posição de gueto gerando para si preconceito e exalando escárnio contra o que julgava ultrapassado. Mas essa polarização gerou identidade para a eletronica e crítica para uma MPB de medalhões, grandes corporações e vícios de grande indústria, tudo isso hoje indo por terra, já que o mercado de música acabou sendo afetado brutalmente pelas novas tecnologias de comunicação e a internet (pra muitos maldita).

Seja do ponto de vista artístico, seja do ponto de vista da indústria, a música brasileira hoje está modificada e os filhotes dessa revolução já estão em idade madura. Como já dizia Baby Consuelo, cria de outro momento fértil da música brasileira, “chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor” – de novo!

Portanto é mais que necessário embarcar nesse boTECOeletro do Imperatore, transbordando de batidas eletrônicas, instrumentos acústicos, musica regional brasileira de vários lugares e samples híbridos que vão do erudito de Radamés Gnatalli, ao samba de Jackson do Pandeiro passando pelo batuque do Monobloco e o coro das Baianas Mensageiras de Santa Luzia.

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